As fraudes na área da saúde: como se proteger do charlatanismo disfarçado de medicina alternativa.

1a. parte. A farsa que aproveita a vulnerabilidade do paciente

O charlatanismo médico se refere a práticas de saúde ou remédios que não têm bases científicas para sua indicação. Está baseado em pretensas teorias que misturam conhecimentos de ciências básicas como imunologia, bioquímica, genética e fisiologia, de forma fragmentada, ininteligível e claramente manipulativa para bons conhecedores, porém que impressionam a potencial vítima.

“Charlatanismo. Ação, comportamento, dito ou prática de charlatão: charlatanice. Exploração da credulidade pública através da venda de produtos e/ou serviços incapazes de curar doenças”. http://www.dicio.com.br

Alguns fatos médicos mais recentes são aproveitados para criar teorias abrangentes que explicariam todos os males, com oferta de produtos pelo próprio profissional ou por seu grupo: extensas consultas, dietas da moda, suplementos infindáveis, cursos para leigos e para outros profissionais, livros e até spas de imersão por vários dias. E a preços muitas vezes exorbitantes, por incríveis séries de tratamento com promessa de curas ou de cessação de todos os remédios.

Assim já ocorreu historicamente com os radicais livres e as extensas fórmulas ortomoleculares, abrindo espaço para os ditos quelódromos – espaços compartilhados em clínicas de infusão endovenosa com múltiplas substâncias quelantes de toxinas e metais. Depois com as chamadas “intoxicações crônicas” vistas no cabelo e suas curas detox. A teoria do “foco infeccioso” na boca, com extrações dentárias múltiplas, retorna após várias décadas até via Netflix, com fortunas sendo gastas em uma assim chamada odontologia holística que exige extrações e implantes a peso de ouro. E, ultimamente, implicando o intestino como criminoso da vez, trazendo uma chamada “remissão das doenças autoimunes” (são mais de 200 distintas!) pelas medicina e  nutrição funcionais.

A trama se aproveita de um paciente que sofre, em estado vulnerável ou terminal. Pessoas desesperadas são aqui a melhor presa. E o princípio de Hipócrates primum non nocere (acima de tudo não lesar o paciente), jurado pelo médico no dia de sua formatura, é esquecido atrás de um livro no consultório.

Pior que a fortuna gasta pelos brasileiros em terapias alternativas e sem embasamento científico sólido é o dano à sua própria saúde, por serem conduzidos para longe de atendimento médico idôneo. Além dos efeitos secundários muitas vezes letais dos tratamentos alternativos. Uma médica gastroenterologista me comentou recentemente sobre o crescente número de casos graves de pancreatite aguda e de perfuração intestinal por altas doses de magnésio e outros produtos em “curas” de doenças autoimunes após megadoses de suplementos, também de vitamina D. Apenas um exemplo de vários que estão surgindo a todo momento.

“É hora de a comunidade científica parar de dar passe livre à medicina alternativa. Não pode haver dois tipos de medicina – a convencional e a alternativa. Há apenas a medicina que foi adequadamente testada, e não a que não o foi”. Marcia Angell & Jerome Kassirer, New England Journal of Medicine, 1998.

Médicos e cientistas dedicam suas vidas  para encontrar tratamentos, seja para cura ou para controle de doenças crônicas como as autoimunes e câncer, com causas ainda desconhecidas.

Ofertas de tratamentos miraculosos para solucionar estas doenças respaldadas em narrativas de que toda a comunidade científica está ‘desatualizada’ ou ‘de má-vontade’  e que só ‘aquele médico, clínica ou nutricionista’ SABE COMO TRATAR e CURAR uma doença reumática, por exemplo, seria negar completamente qualquer racionalidade à abordagem da questão e atirar-se a uma prática reeditada e já condenada ao longo da história.

Praticamente todos os médicos que fazem jus a este nome, empresas, entidades e órgãos envolvidos com diagnóstico e tratamento dessas doenças estão isentos de qualquer interesse em deixar de oferecer o melhor tratamento, ou a própria cura se houver. Nos meios médicos este não é um assunto que seja sequer ventilado entre colegas ou em congressos científicos de Medicina, qualquer que seja a especialidade.

Nesta breve série vamos desvendar de forma objetiva o charlatanismo na Medicina, desde suas bases históricas até mostrar maneiras de como você deve se proteger. As referências da literatura com links para os sites da Internet você encontrará ao final. Esperamos que você possa repassar para o maior número de pessoas.

QUAIS OS FATORES DE RISCO, COMO RECONHECER E COMO TRATAR A OVERDOSE POR OPIÁCEOS

Quais são os fatores de risco para overdose de opiáceos?

Estes são os fatores de risco mais importantes, veja se você se enquadra e tome medidas imediatas:

– combinação de opiáceos entre si ou com outras classes de remédios, como anti-depressivos

– tomar doses elevadas dos opiáceos prescritos

– tomar doses maiores que aquelas prescritas

– usar opiáceos ilegais (heroína) ou comprados sem prescrição legal, as formulações podem conter outras substâncias deletérias à saúde

– idade acima de 65 anos

– apresentar doenças crônicas dos rins ou fígado.

Como reconhecer uma overdose de opiáceos?

E este é o conhecimento básico para pessoas que podem estar presenciando uma crise de overdose.

– pupilas pequenas, contraídas

– perda de consciência

– respiração superficial e lenta

– engasgos ou sons tipo gargarejo

– pele pálida, azulada e fria

– corpo imóvel.

Como salvar a vida de uma pessoa em overdose de opiáceos?

Agora você poderá salvar efetivamente uma vida. Haja rápido, você terá poucos minutos.

– na dúvida, chame por ajuda: pessoa da casa, vizinho, polícia, bombeiros, SAMU

– tente manter a pessoa desperta e respirando

– mova a pessoa para a posição deitada e de lado para prevenir aspiração para os pulmões

– permaneça com a pessoa até que venha auxílio

– administrar o antídoto naloxona tão breve quanto possível: injetável no músculo, subcutâneo ou na veia, em spray nasal se tiver – o mais eficaz em situação aguda e de efeito mais rápido é na veia.

Novas orientações de autoridades no assunto recomendam com ênfase a prescrição de naloxona para quem recebe opiáceos por dor crônica e que estejam em risco de overdose. Isto inclui pacientes com prescrição de doses mais elevadas de opiáceos, co-prescrição de drogas que possam piorar os efeitos colaterais de opiáceos (benzodiazepínicos tipo Valium, Lorax e Lexotan; ou anti-depressivos), ou aqueles com doenças crônicas de pulmões (bronquite e enfisema, por exemplo), dos rins e fígado. O objetivo é de reverter a epidemia de mortes por overdose, já que se consegue salvar um episódio letal com a administração rápida de naloxona.

No Brasil há formas injetáveis da naloxona para uso endovenoso, intramuscular ou subcutâneo: algumas apresentações de cloridrato  de naloxona e hicrocloreto de naloxona (Narcan e Naloxona como nomes comerciais). Peça receita ao clínico que prescreveu opiáceos e esteja atento. Avise familiar, acompanhante ou amigos sobre o recurso e onde encontrar a naloxona em sua casa. E não viaje sem o remédio salvador.

MAIS DE 50.000 MORTOS POR REMÉDIOS PARA A DOR. COMO NÃO SER MAIS UM NÚMERO NA EPIDEMIA DOS OPIÁCEOS? (esta postagem é para você, no desespero da dor)

Há poucos dias recebi o impressionante relato de uma querida paciente, preocupada com o número crescente de pessoas, inclusive jovens, padecendo de reumatismos crônicos e vindo a falecer por complicações de uso de opiáceos (oxicodona, hidrocodona, morfina ou fentanil e derivados) muitas vezes combinados a outras drogas de modulação da dor como anti-depressivos. De fato, apenas nos EUA foram quase 50.000 pessoas falecidas por overdose de opiáceos em 2017.

Minhas reflexões e sugestões para os que estão em situação similar de dor vão adiante, nesta e em postagens seguintes, não deixe de ler e salve vidas. Vamos auxiliar estas pessoas desesperadas que se atiram em clínicas da dor, recebem associações de remédios perigosos e tratamentos alternativos sem chegar ao cerne da questão – tratar corretamente a dor, os reumatismos inflamatórios sistêmicos e as doenças autoimunes com base nos conhecimentos científicos sérios.

Ao relato:

“As redes sociais tornaram a informação mais acessível aos pacientes portadores de reumatismos e doenças da autoimunidade, aproximando pessoas para troca de informações. Estas também trazem más notícias, como quando perdemos amigos de luta contra a mesma doença que temos, no meu caso a Espondilite Anquilosante.

“Entre o final de 2017 e início de 2019 somaram-se os casos em que pacientes em tratamento para a minha doença foram a óbito por motivos medicamentosos.  Ou seja, complicações advindas do uso, prescrito ou não, de medicamentos sobrepostos, ou em quantidades maiores do que as recomendadas. Tudo motivado em primeira análise por desespero ou pânico frente às crises de dor que não cedem. A Carmen foi uma que perdemos para as complicações da espondilite e foi uma morte muito rápida. Ela tinha 27 anos,  era estudante de Biomedicina, diagnosticada com espondilite em 2017,  mas sofria de dores sem diagnóstico desde 2013. Estava em tratamento com infliximabe, metotrexate, morfina endovenosa e antidepressivos, pois as dores eram muito severas, insuportáveis. Ia todos os dias na emergência do hospital tentar alívio com analgesia, o pé entortava, ela não conseguia caminhar. A mãe era enfermeira no hospital, então tinha facilidade no atendimento. Com um ano de uso deste coquetel de remédios sentiu sintomas de gripe e dor na garganta, piorou, foi para o hospital, baixou em UTI, fez SARA (nota minha – SARA se refere a uma síndrome de insuficiência respiratória aguda)  por conta de uma hepatite medicamentosa e em 15 dias de hospital saiu sem vida em novembro de 2017. Claro que o metotrexate e o infliximabe podem ter contribuido para a hepatite, mas até onde o excesso de opióides também ajudou?

“Outro caso foi da minha amiga Geovana, empresária de 44 anos, casada e com um filho de 15 anos. Teve hipotermia severa, levada ao hospital dia 6 de janeiro de 2019 às pressas, com lábios e extremidades roxas. Fez parada cardiorespiratória na mesma madrugada e veio a falecer em 24 horas no hospital. Como era minha amiga e conversávamos muito sobre tratamentos e médicos e medos e remédios, eu sabia que ela fazia uso do imunobiológico Cosentyx para a Espondilite, que não a ajudava muito, pois tinha crises e era muito frágil para dor, entrava em pânico nas crises. Contou no grupo da Internet que queria comprar CDB (tintura de canabidiol) para ajudar na dor, mas usava Tylex, Tramal, fitoterápicos tidos como anti-inflamatórios – cloreto de magnésio e sucupira em cápsulas – e antidepressivos, não sabemos o que mais poderá ter usado junto… tentamos dissuadi-la de adquirir o CDB por conta própria alegando que era produto ilegal, acreditamos que ela nunca chegou a receber, se comprou… enfim, acreditamos que ela superdosou os opióides naqueles dias, pois estava com dores insuportáveis e ia na emergência aplicar morfina na veia.

“Em 1 ano foram quatro os casos de uso de opiáceos e morte só do meu conhecimento, nos grupos de midia que participo. Eu passo mal com os opiáceos, não me vai bem nunca. Prefiro ficar longe. Aliás, analgesia para mim era sempre deprimente, porque meu cérebro entendia que eu estava me enganando… a dor ia voltar, então eu precisava fazê-la não voltar e o caminho não era só atacando a dor…

Porto Alegre, verão de 2019″.

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Em um país com mais de 300 milhões de habitantes como os Estados Unidos chegou-se a perto de 60.000 mortes por overdose de opiáceos em 2018. O Brasil com mais de 200 milhões de habitantes pode estar com números também elevados, mas que não aparecem claramente nos atestados de óbito. Nosso país, é sabido, tem falhas gritantes na parte estatística, ainda mais nas questões de saúde.

O número de mortes por overdose em mulheres entre os 30 e 64 anos de idade cresceu de forma dramática entre 1999 e 2017 nos EUA:

– opióides sintéticos, aumento de 1.643%

– heroína 915%

– benzodiazepínicos 830%

– opióides com prescrição médica 485%

– cocaína 280%

– anti-depressivos 176%.

E por que é tão fácil chegar-se a uma overdose de opiáceos? Pelo fenômeno dito “taquifilaxia”, ou seja, o termo significa que para um mesmo efeito analgésico as doses devem ser cada vez maiores da droga. Em linguajar leigo, o corpo “vai se acostumando” a cada novo patamar de dose, e mais remédio é necessário, em menores intervalos de tempo, para obter-se o efeito inicial em doses pequenas. E então vem o para-efeito letal, a pessoa simplesmente pára de respirar.

De fato, a morte por overdose de opiáceos ocorre por inibição das funções que comandam o ato de respirar no cérebro. A pessoa simplesmente pára de respirar e não sente. O gás carbônico se acumula, o oxigênio se reduz no cérebro e a pessoa “apaga”. Até o coração cessar de bater é questão de minutos.

Conclusões

  1. A epidemia de overdose e mortes por opiáceos é real, você poderá ser a próxima vítima
  2. Converse com seu médico sobre alternativas aos opiáceos, encontre um médico em quem confiar
  3. Verifique se você está sendo tratado pelo especialista médico em sua doença, e não apenas por clínicos da dor ou charlatões prometendo tratamentos alternativos; no caso de doenças reumáticas e autoimunes seu especialista deve ser o reumatologista; troque de médicos se necessário
  4. Não entre em pânico com a dor, evite a automedicação e procure auxílio imediato; aumentar a dose de seus opiáceos por conta própria é um convite ao suicídio indesejado

Veja nas postagens seguintes quais os fatores de risco, como reconhecer e como tratar a crise aguda de overdose por opiáceos.

Referências

https://www.jwatch.org/fw114959/2019/01/11/drug-overdose-deaths-nearly-quadruple-among-women

https://www.jwatch.org/fw114907/2018/12/20/hhs-recommends-coprescribing-naloxone-with-opioids-high

https://www.reuters.com/article/us-usa-opioids-naloxone/fda-panel-votes-for-prescribing-naloxone-with-opioids-idUSKBN1OH2CA

https://www.cdc.gov/mmwr/volumes/68/wr/mm6801a1.htm?s_cid=mm6801a1_w

Initiating Opioid Agonist Treatment for Opioid Use Disorder in the Inpatient Setting. A. Raheemullah, A. Lembke. JAMA Intern Med, 2019. doi:10.1001/jamainternmed.2018.6749

https://www.drugabuse.gov/related-topics/trends-statistics/overdose-death-rates

JÁ TOMOU SUAS VITAMINAS E SUPLEMENTOS HOJE? (USOS E ABUSOS DE VITAMINAS E SUPLEMENTOS NA SOCIEDADE MODERNA)

Alguém já disse que a urina do americano médio é a mais rica do mundo. Pudera, com 68% dos adultos nos Estados Unidos utilizando suplementos regularmente, a maioria desnecessária, não absorvida pela mucosa do intestino ou simplesmente eliminados pelos rins, vão-se pelo ralo alguns bilhões de dólares anualmente.

Tipos de suplementos

Há quatro categorias de suplementos à venda no mundo ocidental:

1. Vitaminas e minerais (97% das pessoas nos EUA os usam)

2. Suplementos especiais (ômega-3/ácidos graxos)

3. Ervas e derivados botânicos (chá verde, garra do diabo)

4. Nutrição esportiva e controle de peso (20% das pessoas nos EUA).

Suplementos mais vendidos

E estes são os suplementos mais consumidos nos EUA nos últimos anos, segundo a agência independente Consumer Lab (www.consumerlab.org):

Óleo de peixe – reposição de ômega-3 se mostrou recentemente ineficaz para prevenir doenças do coração, mas compostos dentro destas cápsulas com ácidos graxos essenciais como DHA parecem proteger contra alguns tipos de câncer.

Multivitamínicos – milhares de pessoas foram seguidas por 5 a 10 anos nos EUA e Europa em estudos científicos rigorosos. Infelizmente nenhum grupo de doenças como do coração (hipertensão, infarto, derrame), diabetes, reumatismos, doenças autoimunes e câncer foi prevenido nos indivíduos que usaram complexos multivatimínicos como Centrum e outros, contra o grupo que usou placebo. A prevalência de todas as doenças foi a mesma nos dois grupos de estudo.

CoQ10 – o efeito de proteção cardiovascular parece ser mínimo com este produto, e nem mesmo o grupo de pessoas com problemas musculares como dores e cãimbras devido ao uso de estatinas tem melhoras dos sintomas com altas doses deste suplemento à base de coenzima Q10.

Vitaminas B, C, D – estas estão presentes na alimentação balanceada do dia-a-dia ou na exposição solar saudável

Magnésio – famoso composto em algumas partes do mundo para tratar reumatismos, se funcionasse os reumatologistas estariam com seus consultórios vazios. O contrário é observado. Há melhor absorção de cálcio em tratamentos para osteoporose se o magnésio é ingerido conjuntamente, mas o efeito é discreto

Cálcio – tomado de forma isolado não melhora a saúde dos ossos e nem trata osteoporose.

Probióticos – estes estão na moda, e de fato funcionam para evitar disbiose do microbioma intestinal, ou seja, mantêm a flora bacteriana em funcionamento normal dentro dos intestinos. As pesquisas estão em andamento, e pouco ainda se pode dizer com toda certeza da miríade de interações entre microbioma e doenças como obesidade, depressão, quadros inflamatórios intestinais auto-imunes e tantas outras.

Segundo pesquisa publicada pelo periódico médico JAMA em 2013, os americanos consomem suplementos para melhorar (45%) ou manter (33%) a saúde. Apenas 23% dos produtos utilizados estavam baseados em recomendação do médico ou profissional de saúde. Adultos em uso de suplementos também eram os que reportaram estar com excelente saúde, ter seguro saúde privado, usar álcool de forma moderada, não fumar e exercitar-se com frequência. Portanto, justamente as pessoas que mais usavam suplementos eram as que de fato não necessitavam deles! E este fato pode trazer conclusões equivocadas em qualquer estudo de causa e efeito, muitas vezes algo explorado em promoções inidôneas na Internet ou por profissionais da saúde com interesses financeiros excusos. As pessoas da pesquisa certamente tinham melhor saúde porque toda a sua vida estava orientada para hábitos os mais saudáveis possíveis, e não porque tomavam vitaminas e suplementos.

De fato, existe uma percepção entre a população mais esclarecida que, ao tomar uma vitamina ou suplemento, está se cumprindo o objetivo de repor nutrientes essenciais e assim melhorar a saúde. Baseados em inúmeras pesquisas sérias, experts honestos na área da nutrição concordam que não há evidência alguma que isto seja verdadeiro. De acordo com a Academia Americana de Médicos de Família, há indicações muito limitadas para se repor vitaminas: vegetarianos ou veganos em falta de vitamina B12 (a carne vermelha é a única fonte consistente desta vitamina), gravidez e lactação, e alguma outras situações raras de doenças.

É inequívoco: uma dieta saudável é a melhor alternativa para se obter nutrientes, e não o uso de suplementos na forma de pílulas.

O abuso dos esteróides

Esteróides anabolizantes são variantes do hormônio masculino testosterona produzidos por síntese industrial. O Instituto Nacional de Abuso de Drogas nos EUA estima que mais de meio milhão de estudantes da 8ª à 10ª série de ensino estejam utilizando esteróides em academias. Pelo menos 10% de estudantes no segundo grau relatam uso ilegal de esteróides. Estas drogas estão no chamado Schedule III da lei de controle de Esteróides Anabolizantes desde 1990, aquelas que “têm potencial moderado a baixo de levar a uma dependência psicológica ou física”. Mesmo assim o pré-hormônio DHEA é considerado oficialmente como suplemento alimentar e vendido livremente nas gôndolas de super-mercados como pílula da juventude.

Efeitos colaterais do uso de esteróide são variados, como puberdade precoce, lesões no fígado, acne difusa, perda de cabelo, doença dos rins, infarto do coração, irritablidade, conduta agressiva ou depressão e rico de suicídio.

Controle de peso

A projeção é que 42% da população adulta americana será obesa ou extremamente obesa em 2030, gerando um aumento dos gastos com saúde da ordem de 150% por indivíduo afetado (fonte: J Health Economics 31:219, 2012). A indústria das dietas nos EUA é multibilionária, a maior parte do dinheiro sendo gasto com produtos ineficazes. E por que suplementos para obesidade podem ser vendidos livremente? Porque não há necessidade de um suplemento ou vitamina passar por pesquisas clínicas rigorosas nem publicações científicas de relevância. Ou seja, não há necessidade do famoso “FDA-aprovado” como selo de qualidade. E basta acrescentar a seguinte frase na etiqueta do frasco para que o produto chegue à farmácia sem receita ou ao super-mercado: “Este produto não foi avaliado pelo FDA e não tem intento de diagnosticar, tratar, curar ou prevenir qualquer doença”. Mas na frente o rótulo pode conter qualquer coisa tipo “Para a saúde da próstata” ou “Apoio à saúde do coração”.  E quem é responsável pela segurança do produto? Apenas o fabricante, não o governo ou seus órgãos de controle e fiscalização. É claro que a batalha ente grupos de consumidores organizados e as indústrias de suplementos foi ganha pelos últimos.

O resultado disto é que aos 20 anos de idade, 20% das meninas americanas terão usado pílulas para emagrecimento. Com consequências muitas vezes trágicas, como após a epidemia de uso dos famosos compostos fen-fen. Estes, de forma insuspeita, levaram a lesões nas válvulas cardíacas de meninas, com insuficiência e progressão para morte inexorável – um efeito colateral até então desconhecido daquela classe de fármacos.

Esta é a frase original em inglês que você vê por lei nos rótulos de vitaminas e suplementos alimentares americanos:

“This statement has not been evaluated by the Food and Drug Administration. This product is not intended to diagnose, treat, cure, or prevent any disease.”

Quer ler mais sobre pílulas e dietas? Veja em http://www.obesityaction.org/educational-resources/resource-articles-2/general-articles/magic-pills-the-marketing-of-dietary-supplements-for-weight-loss.

Mas o que fazer?

No caso de pessoas normais, sem doenças crônicas, recomendamos o uso de:

– probióticos como lactobacilos nas suas diversas formas (leites fermentados, kefir, yogurtes)

– vitamina D com moderação apenas para os que estão pouco ao ar livre, apresentam fotossensibilidade ou vivem em maiores latitudes com invernos prolongados. Na dúvida peça para seu clínico dosar o composto 25-OH-vitamina D3 no sangue

– o componente DHA dos compostos com ômega-3, ácido graxo essencial que tem se mostrado protetor do surgimento de células cancerígenas; boa indicação também na gravidez junto com o ácido fólico, ajuda no desenvolvimento normal do feto e evita parto prematuro; e há melhora modesta de sintomas como perda de memória

– dieta balanceada com pratos multicoloridos, atividades físicas continuadas e convívio social com muitas alegrias.

Estamos atentos para este ramo do conhecimento médico e estaremos postando novidades quando importantes. Votos de vida longa sem custos maiores para seu bolso e sem sobrecarregar sua urina com multicompostos químicos.

Seus rins agradecem!

Como otimizar sua imunidade em 4 etapas.

Melhorar a imunidade traz benefícios como excelente qualidade de vida, maior longevidade e até a possibilidade de adentrar a um programa de fitness sem infecções por estresse físico. Aprenda como atingir e manter seu sistema imune saudável.

Inflamação interna

Algum grau de inflamação interna é normal, parte de nossa resposta aos agentes agressores que enfrentamos diariamente no meio ambiente e também dentro do nosso corpo: virus, bactérias, agentes químicos, células em decomposição e tantos outros. Caso se consiga minimizar os processos inflamatórios, o corpo será capaz de trabalhar dentro de seu melhor para combater doenças cardiovasculares e também mirar com foco as células imunes protetoras que combatem doenças infecciosas e células cancerígenas em formação.

Pouco exercício físico – mesmo meras caminhadas, má nutrição e falta de boas horas de sono podem todos elevar o nível de inflamação interna, aumentando o risco de problemas de saúde. Pense em pneumonias, câncer e doenças do coração, para ficarmos nas doenças mais comuns do mundo ocidental. Também o estresse diário contribui para o problema, alterando o funcionamento normal do eixo que vai do cérebro até as glândulas que produzem hormônios, levando por tabela a disfunções do sistema imune de proteção.

Melhorando a imunidade

Há 4 maneiras principais de otimizar seu sistema imunológico.

  • 1. Nutrição. Coloque em seu prato alimentos que são combustível para um bom sistema imune, com cores variadas de vegetais, frutas, diferentes nozes e carnes. É vegetariano ou vegano? Não esqueça de suas doses de vitamina B12. Evite alimentos ricos em gorduras saturadas, trans ou açúcares, estes tendem a aumentar sua resposta inflamatória interna. Uma boa combinação: 50% de frutas e verduras, 25% de grãos e 25% de carnes magras e derivados do leite (aqui valem os probióticos do yogurte, kefir e similares). E sobre o álcool? Pois a maioria dos investigadores coloca o tradicional cálice de vinho como permitido e recomendável, sem exageros. Prefira os tintos com uvas Merlot, Pinot Noir, Carménère ou Cabernet Sauvignon, que mostram maiores concentrações de resveratrol, potente agente anti-oxidante. Outras qualidades do vinho tinto seriam seu efeito anti-envelhecimento, anti-câncer e anti-infeccioso.
  • 2. Redução do estresse. Aprenda a ter seus problemas e dificuldades em perspectiva, de maneira a reduzir o estresse emocional. Você não pode deixar se dominar por todas as situações. Está parado no trânsito? Ouça a boa música do rádio, coloque seu CD com ensino de língua estrangeira e aceite o fato que você nada pode fazer! Respirar devagar, ritmado e profundamente pode auxiliar a reduzir ansiedade e estresse: inspire pelo nariz contando até 4, segure um pouco, e expire pela boca contando até 6, repita por 3 vezes. Conseguiu evitar aquela velha briga com o cônjuge? Já valeu a pena a lição. Não é só isso, exercícios respiratórios provocam uma resposta fisiológica que força seu corpo a abrir vasos dilatando artérias (baixando assim a pressão arterial) e reduzindo a frequência do coração. Praticar yoga ou meditação tem o mesmo efeito, com outras vantagens. Use e não brigue com seu CPAP, aparelho para apnéia de sono – só o fato de oxigenar adequadamente seu cérebro durante a noite pode mudar sua vida, com menos estresse e melhor produtividade no trabalho. Por último e não menos importante: sorria e dê gargalhadas aos baldes! Tenha por hábito sair dos filmes “cabeça” e dê chance para comédias e séries engraçadas. Interaja com suas amizades , cante à vontade na rodinha de bar.
  • 3. Exercícios. Exercícios são mais potentes que qualquer medicação hoje no comércio, reduzindo inflamação e hormônios do estresse. Ache uma maneira de incluir exercícios em sua rotina, sem desculpas. Faça algo que você gosta e inclua uma mistura apetecível: caminhe com seu pet num dia, pedale a bicicleta no outro, ataque a academia em casa ou no ginásio no próximo. Ache um amigo ou amiga e torne esta decisão mais fácil. Talvez um esporte coletivo adequado a sua idade, no clube perto de casa? Que tal reiniciar um vôlei, pingue-pongue ou aquele basquete sem grandes pretensões competitivas? Vai um tai-chi com um bom professor, pelo menos? Em tempo – futebol pode ser complicado, gera muitas lesões, mesmo praticado em cancha de grama sintética e com seus melhores amigos. E não esqueça de consultar seu clínico antes de começar uma rotina de exercícios. O coração deve estar em forma mínima. Ir ao médico vale também para aqueles exagerados, com programa acima de seus limites, quando então o efeito será oposto ao desejado tanto no sistema imune quanto no hormonal. Nessas situações os glóbulos brancos de defesa baixam e hormônios de estresse passam a ter ascenção drástica, dentre outros efeitos deletérios. Por último, dançar é tudo de bom – coordenação motora, ritmo, atividade aeróbica, música para os sentidos e para a alma. Em boa companhia então, imbatível.
  • 4. Repouso. O mínimo aconselhável é entre 7 e 9 horas de sono. Com mais de 9 h ou menos de 6 h você aumenta a chance de ter doenças do coração e vasos. Leia acima sobre o uso do CPAP e de seus benefícios e não esqueça de evitar telas brilhantes antes de dormir: celulares, tabletes, computadores, etc. Alguns destes têm função do filtro azul, o que minimiza o problema, aprenda a usá-lo. E jamais TV no quarto de dormir! Sua melatonina, hormônio do sono e com alta atividade anti-câncer, agradece. A coluna cervical também!

Difícil ou impossível trocar de hábitos? O problema é só seu: ninguém pode tomar seu lugar nas etapas acima, nem mesmo pílulas mágicas de vitaminas e complementos. Que não têm comprovação científica, aliás, em sua grande maioria. E não espere o início de 2020 para tomar estas resoluções…

As 6 maneiras de bem envelhecer.

Várias publicações da Faculdade de Medicina de Harvard lidam com aconselhamento para obter-se qualidade de vida (www.health.harvard.edu). Inclusive na maturidade. Veja a seguir os 6 conselhos para você que está com mais de 65 anos de idade.

  1. Adapte sua moradia. Escadas, banheiros e cozinhas apresentam armadilhas constantes. Mesmo se não há necessidade de fazer mudanças já, revise anualmente ítens como piso escorregadio, tapetes soltos, pontos mal iluminados e falta de apoio em escadas. Você poderá estar preparado para despesas com reformas necessárias quando sentir necessidade.
  2. Previna quedas. Quedas são problema muito sério para pessoas de mais idade — elas muito frequentemente resultam em fraturas que podem levar a várias dificuldades físicas, a outros problemas de saúde, ou mesmo à morte. Medidas preventivas são importantes, bem como exercícios de balanço e força. Veja outras postagens sobre quedas neste blog pesquisando “quedas” no campo apropriado.
  3. Considere todas as possibilidades de moradia. Sua casa ou apartamento pode ser o ideal para a idade mais avançada, inclusive com a saudável convivência de familiares ou pela posição de cada móvel e objeto que facilitam sua orientação. Porém considere as possibilidade de lares para idosos, residenciais geriátricos e outras formas de moradia. Mesmo sem doenças mais importantes, principalmente quadros crônicos e demenciais, mais e mais estamos vendo projetos de moradia diferenciada aparecendo nas maiores cidades e suas áreas geográficas de influência.
  4. Conviva com seu grupo de amizades. Todas as pesquisas mais recentes associam longevidade com a convivência social da pessoa. Este é o fator isolado considerado como mais importante para se chegar a 100 anos de idade ou mais. Participe de grupos com iguais interesses: costuras, filantropia, cozinha, animais de estimação, centros de apoio espiritual, hobbies e tantos outros em sua comunidade.
  5. Pense à frente sobre como obter auxílio em caso de necessidade e urgência. Quem fará suas refeições, como ter meio de transporte à disposição, quem fará os reparos simples e complexos da casa, qual a melhor maneira de resolver a limpeza dos aposentos e como serão feitos os pagamentos das contas domésticas são perguntas rotineiras a serem respondidas. Mais provavelmente em conjunto com outros membros da família ou com alguma amizade mais próxima. Muito importante, planeje-se para emergências – quem chamar? qual pessoa visita sua casa regularmente? o que fazer caso sofrer uma queda e não puder se deslocar até o telefone? As dicas aqui são: mantenha números de telefone de emergência perto do telefone, ande sempre com seu telefone celular à mão e, se suas finanças permitirem, invista em um sistema de alarme personalizado (colar com botão de alarme/pânico ou com sistema que detecta quedas e disca números de emergência previamente estabelecidos).
  6. Escreva diretrizes sobre cuidados avançados. Sente-se e pense com cuidado sobre que tipo de cuidados médicos e de enfermagem avançados você gostaria de ter caso fique muito doente, confuso ou com alguma lesão que não permita expressar seus desejos. Escreva e assine, deixe o documento com adultos em quem você confia, quem sabe até mais de uma cópia. Escreva e registre seu testamento em cartório, pode ser seu último ato de bondade para com a família ou entes queridos.

Ir atrás dos recursos da chamada medicina alternativa é aconselhável para se evitar a morte por câncer?

Os dados são claros: usar métodos alternativos e evitar o tratamento convencional do câncer em estágio curável aumenta a mortalidade geral pela doença.

A questão.  Buscar soluções em todas as instâncias é a qualidade do ser humano que mais pode estar presente naqueles com diagnóstico de câncer. Mas quais são as características de pacientes que buscam medicina alternativa ou complementar, e qual a associação entre esta forma de medicina com aquela de adesão ao tratamento convencional e, principalmente, com a sobrevida?

Nos lembramos aqui da história de Steve Jobs, criador e idealizador dos produtos Apple. Seu feitio “natureba” fez com que não aceitasse tratamento cirúrgico convencional em uma fase em que seu câncear de pâncreas era perfeitamente curável. Preferiu se submeter a vários tratamentos alternativos, vindo a falecer precocemente com metástases generalizadas. Sua biografia é leitura recomendada neste particular (Steve Jobs. Walter Isaacson, Simon & Schuster, 2011).

Um grupo de pesquisadores de Yale nos Estados Unidos publicou em dezembro de 2018 os importantes resultados elucidando a questão do tratamento por medicina alternativa versus medicina tradicional no tratamento de câncer considerado em fase curável.

Os achados.  Exatos 1.901.815 pacientes foram estudados de forma retrospectiva. Os diagnósticos foram de câncer não metastático de mama, cólon e reto, próstata e pulmão. O uso de medicina alternativa ou complementar esteve associado à recusa de manter tratamento convencional, com duas vezes maior risco de morte quando este grupo foi comparado ao de pacientes que não usaram medicina alternativa ou complementar.

O significado.  Pacientes que receberam medicina alternativa ou complementar foram os que mais se recusaram a receber outras formas de tratamento convencional (hormonioterapia, quimioterapia, cirurgia ou radioterapia) e tiveram maior risco de morrer que aqueles que não utilizaram medicina alternativa. Assim, os autores não estão apontando para a medicina alternativa como causa da morte, mas sim que as pessoas que adotaram esta prática acabaram abandonando a medicina convencional, e este foi o fator que as levou à morte. Os achados são importantes porque os cerca de 2 milhões de indivíduos estudados tinham câncer em estágio curável.

Conclusões. Os autores concluem que os pacientes que se submeteram a tratamentos alternativos foram mais propensos a refutar tratamento por medicina tradicional, e tiveram maior risco de óbito. Os resultados sugerem que o risco de mortalidade associado a métodos alternativos de tratamento do câncer está mediado pela recusa de receber tratamentos convencionais como cirurgia ou quimioterapia. Assim, a mensagem é clara: entregue-se, se for sua convicção, a tratamentos alternativos que comprovadamente não lhe façam mal, mas não deixe de fazer o tratamento recomendado pelo médico oncologista.

Referência

Johnson SB, Park HS, Gross CP, Yu JB. Complementary Medicine, Refusal of Conventional Cancer Therapy, and Survival Among Patients With Curable Cancers. JAMA Oncol. 2018;4:1375.

Tai chi é o ideal para diminuir quedas e evitar fraturas por osteoporose

Estudo publicado no JAMA Medicina Interna comprova mais uma vez que a tradicional forma de exercícios chinesa é o ideal para evitarmos quedas e fraturas, principalmente em indivíduos com idade mais avançada e com osteoporose. Classes de balanço e movimento com técnicas do Tai Chi foram mais eficazes para prevenir quedas que exercícios convencionais de academia ou apenas alongamentos.

A pesquisa envolveu 670 participantes com 70 anos de idade ou mais, que haviam sofrido queda no ano anterior ou que apresentavam redução de mobilidade de qualquer natureza. Por sorteio, todos foram alocados em 3 grupos: o primeiro recebeu técnicas do Tai Chi em duas aulas semanais com 1 hora de duração cada, o segundo fez exercícios ditos multimodais (balanço, atividade aeróbica, força e flexibilidade) ou apenas alongamentos (grupo 3, considerado controle).

Após 6 meses observou-se 152 quedas no grupo que fez Tai Chi, 218 no grupo de exercícios e 363 no grupo com alongamentos. O grupo com Tai Chi teve 31% menos quedas que o grupo praticante de exercícios, técnicas utilizadas normalmente nas clínicas de fisioterapia ou em academias por todo o Brasil.

E ainda outras vantagens: praticar o Tai Chi não requer equipamentos, amplos espaços ou custo extra além do professor para as classes iniciais.

Fonte: JAMA. 2018;320(24):2521.

O Estudo

Este trabalho científico retrospectivo envolveu 41 pacientes com policondrite recidivante que tiveram falha no tratamento tradicional, evoluindo para uso subsequente de agentes biológicos. No total foram 105 as instâncias de uso desses medicamentos mais modernos:

  • rituximabe = 7
  • anakinra = 15
  • anti-TNF (adalimumabe, etanercepte, outros) = 60
  • tocilizumabe = 17
  • abatacepte = 6.

O índice de boa resposta clínica foi de 63% após 6 meses, porém apenas 19% dos casos tiveram remissão completa da doença. A redução da dose de corticóide foi variável nos casos estudados. Cerca de 75% dos pacientes cessaram o agente biológico pelos seguintes motivos:

  • eficácia insuficiente = 34% (com variação desde 23% para o tocilizumabe até 73% para o etanercepte)
  • perda de eficácia = 18%, e
  • eventos adversos = 21% (principalmente com anakinra, 47% dos casos).

A possibilidade de manutenção do uso de qualquer dos agentes biológicos não variou entre os diversos produtos. Dentre os agentes anti-TNF, adalimumabe foi o que pode ser usado de forma mais prolongada.

As piores respostas foram vistas em pessoas com complicações, como mielodisplasia (problema autoimune na medula óssea). As melhores respostas clínicas foram vistas em pacientes com condrite nasal e auricular, nas articulações do esterno e com uso concomitante de medicamentos imunomoduladores tradicionais (metotrexate, azatioprina, etc).

Conclusões

Os autores concluem que agentes biológicos podem ser utilizados em casos de policondrite recidivante com doença refratária ao tratamento convencional. No entanto, o número de pessoas com boa resposta foi baixo e houve preocupações com o surgimento de efeitos adversos, principalmente infecções.

Comentário

Por se tratar de doença muito rara, a policondrite recidivante não terá tratamento preferencial em pesquisas terapêuticas. Desta forma, relatos como os do grupo francês acima se revestem de particular importância para orientar-se terapêutica de exceção em casos mais difíceis. O dado de que 1 em cada 5 pacientes entrou em remissão completa me parece muito alvissareiro, em doença tida hoje como incurável e com grande potencial de complicações sistêmicas.

 

Referência

Efficacy and safety of biologics in relapsing polychondritis: a French national multicentre study. Moulis et al. Ann Rheum Dis http://dx.doi.org/10.1136/annrheumdis-2017-212705.

 

Nova combinação de tratamentos no lúpus pode salvar vidas.

COMBINANDO MEDICAMENTOS BIOLÓGICOS NO LÚPUS

Publicação de 07 de abril de 2018 a partir de um grupo de reumatologistas de Leiden, na Holanda, confirma muito bons resultados em pacientes com lúpus eritematoso sistêmico grave. O feito foi alcançado através da combinação de dois agentes biológicos.
De fato, combinando rituximabe (alvo são os línfócitos B) e belimumabe (alvo é molécula de comunicação e ativação de glóbulos brancos) de forma sequencial trouxe benefícios a pacientes com falha de vários outros tratamentos e acometimento grave de rins, pulmões e outros órgãos internos.
COMO FUNCIONA?
O mecanismo imunológico que traz racional para a combinação ficou comprovado ao se demonstrar diminuição da quantidade de anticorpos ligados ao lúpus (demonstrável pelo exame chamado FAN, Fator Anti-Nuclear, e também pela concentração de autoanticorpos do lúpus como anti-Sm, anti-SSA, e outros) e redução do nível de complexos imunes circulantes (conjuntos protéicos no sangue contendo antígenos, proteinas-alvo dos autoanticorpos, e anticorpos como anti-DNA; estes complexos podem se depositar em órgãos como os rins e causar perda de proteinas com insuficiência renal).
RESULTADOS
Este estudo foi desenhado para servir de conceito para estudos mais amplos, com maior número de pacientes. A combinação de rituximabe com belimumabe não trouxe efeitos colaterais mais sérios e houve respostas muito significativas: 10 dos 16 pacientes com lúpus grave tiveram melhora clínica, cicatrização progressiva de lesões renais em 11 casos e diminuição do uso de outros remédios imunossupressores em 14 pacientes.
Assim, os autores concluem que seu estudo provê nova maneira efetiva de tratamento de pacientes com lúpus grave, a partir da compreensão dos mecanismos básicos da doença e seu ataque através de remédios biológicos com alvos específicos.
COMENTÁRIOS
Para plena comprovação há, é claro, necessidade de expansão deste estudo para um maior número de casos, com desenho randomizado (sorteio aleatório dos casos para cada braço de tratamento) e duplo-cego (nem o médico nem o paciente sabem em qual braço do estudo o paciente foi alocado pelo sorteio).
Porém, como são remédios existentes no mercado brasileiro, com certeza alguns clínicos e reumatologistas já estão aptos a assumir a responsabilidade e prescrever esta combinação para seus pacientes, quando indicado.
Fonte: Kraaij T et al.  The NET-effect of combining rituximab with belimumab in severe systemic lupus erythematosus. J Autoimmun. 2018 Apr 7. pii: S0896-8411(18)30083-0. doi: 10.1016/j.jaut.2018.03.003. ClinicalTrials.gov NCT02284984.