A regra de ouro: prefira sempre alimentos in natura ou minimamente processados a alimentos ultraprocessados

Pois o Ministério da Saúde tem uma excelente cartilha, bastante completa, com o “Guia alimentar para a população brasileira” (link para o pdf ao final). A regra de ouro do título é da própria publicação.

Dicas simples para combater a inflamação

A consciência de que inflamação e doença crônica andam juntas gerou uma infinidade de planos de dieta, suplementos nutricionais e programas de estilo de vida, muitos garantindo oferecer novas maneiras de melhorar sua saúde, acabando com a inflamação. A base de tudo isto se resume aos mesmos conselhos de saúde que sua avó lhe passou.

Faça escolhas alimentares saudáveis

Últimas descobertas da ciência mostram relação direta entre:

  1. o tipo de alimentos que comemos,
  2. tipos de bactérias que povoam nossos intestinos (microbioma), e
  3. inflamação crônica, como nos reumatismos.

Alguns alimentos incentivam o crescimento de populações de bactérias que estimulam a inflamação, enquanto outros promovem o crescimento de bactérias que tendem a suprimir quadros inflamatórios.

Desde que você não seja alérgico a nenhum desses alimentos ou bebidas, estes são os mais saudáveis:

  1. Frutas e verdurasA maioria das frutas e vegetais coloridos naturalmente contêm altos níveis de antioxidantes e polifenóis — compostos potencialmente protetores encontrados nas plantas.
  2. Nozes e sementes. Estudos descobriram que o consumo de nozes e sementes está associado a marcadores reduzidos de inflamação e menor risco de doenças cardiovasculares e diabetes.
  3. BebidasAcredita-se que os polifenóis no café e os flavonóides no cacau tenham propriedades anti-inflamatórias. O chá verde também é rico tanto em polifenóis quanto em antioxidantes, porém em excesso pode fazer mal.

Evitar alimentos ultraprocessados. Alimentos industrializados são tecnicamente chamados de “ultraprocessados”, com formulações da indústria possuindo muitas calorias, alta carga de açúcares, gordura e sal, aditivos alimentares (conjunto de substâncias químicas introduzidas no alimento para aumentar seu prazo de validade, adicionar cor, sabor, textura, com pouca ou nenhuma matéria prima natural) e muito pobres em fibras.

Abaixo o conceito e a lista de alimentos in natura ou minimamente processados, conforme o Guia do Ministério da Saúde, os quaias você pode consumir livremente (com exceções determinadas por seu médico e de acordo com sua condição de saúde ou doença).

E abaixo o que são e quais os exemplos de alimentos ultraprocessados, pelo mesmo Guia, a serem evitados.

Referência

http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/guia_alimentar_populacao_brasileira_2ed.pdf?fbclid=IwAR1Z1sVYbbjW87Y5szmcoY-pufe-tcRlSWNs2AxFB8x8ct9OwBNcGL4sVQs

Cannabis em pílulas: o posicionamento médico ético ao raiar de 2020.

John Doe mora no sul da Califórnia, atravessa a rua e entra numa farmácia/super-mercado. Vai buscar sua encomenda feita pela Internet há poucas horas. Mas não pela Amazon, seu código empresarial ainda não permite.

O rótulo diz CBD. Canabidiol, um dos mais de 100 compostos químicos identificados no cânhamo, a planta mais conhecida como maconha. CBD não leva John a ficar numa boa, tetrahidrocanabinol (THC) sim, o componente halucinógeno.

O americano John usa CBD para reduzir dores, dormir melhor e diminuir sua ansiedade no trabalho.

O mercado

Há muito dinheiro a ser feito com CBD, com produtos pipocando a todo momento por toda a Califórnia e em vários Estados americanos. Grandes outdoors ao lado das freeways são onipresentes, não apenas dos cigarros de maconha.

O mercado explodiu, com produtos variando de sais de banho, café, chá a biscoitos para cachorros. O Conselho Botânico Americano atestou que em 2018 CBD foi o suplemento derivado de plantas que mais vendeu nos EUA a partir de locais monitorados por seus conselheiros, suplantando o campeão de vários anos, o “turmeric” (açafrão). O total de vendas do CBD chegou a mais de US$ 52 milhões, mais que o triplo de 2017.

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A visão médica

Com os Johns americanos comprando CBD livremente, pesquisadores sérios passaram a ter preocupações. Quais seriam?

  1. vários produtos no mercado dizem CBD no rótulo, mas em verdade nada contêm da substância (CBD não é regulado pelo FDA em Washington)
  2. outros frascos podem não ter a substância CBD pura, ou então não na concentração oferecida no rótulo – há vários casos relatados na imprensa leiga de intoxicação e morte por óleo de CBD nos EUA, Europa e Austrália
  3. CBD é efetivo? em quais situações médicas? é seguro? é um suplemento – tal qual uma vitamina, ou um remédio?
  4. quais os efeitos colaterais já comprovados na literatura médica?
Foto de anúncio extraido da Internet, billboard na Nova Zelândia.

Foi em meados de 2018 que o FDA aprovou um derivado da Cannabis com CBD como ingrediente ativo, porém apenas para tratamento de 2 formas incuráveis de epilepsia, não responsivas a outros medicamentos tradicionais. Os efeitos secundários anotados naquela oportunidade foram diarréia, aumento das enzimas do fígado, sonolência e menor apetite. A empresa britânica GW Pharma está obrigada a seguir de perto este possível efeito sobre o fígado e a relatar se algo mais grave ocorrer. A vantagem do uso do Epidiolex, nome comercial nos EUA, está justamente na garantia de ser um produto com fórmula sob rígido controle de qualidade, uma vez que é aprovada pelo FDA.

Uma história clínica e um aviso

Paul tem 8 anos e sofre de epilepsia. Seus pais resolveram adotar o CBD como remédio, sem delongas encomendaram via Internet óleo de CBD de um fornecedor no estado do Colorado. Os primeiros 9 dias com CBD foram excelentes, sem qualqur convulsão e o retorno de Paul a uma vida plena de criança, agora energizada e com melhor aproveitamento na escola. No décimo dia de CBD Paul sofre uma convulsão generalizada, a pior que já teve na vida, em pleno colégio. Na emergência médica conseguem controlar o episódio de grande mal epilético após fortes medicamentos intravenosos e outros recursos de sustentação da vida. Após poucos dias os pais de Paul receberam as análises de pureza do produto que compraram: continha um canabinóide sintético cujo efeito secundário é justamente provocar convulsões com as da crise do menino.

Em uma análise independente de 20 produtos mais populares no mercado contendo óleo de CBD, os resultados impressionam:

  1. apenas 3 de fato continham o que a etiqueta dizia
  2. oito produtos continham menos de 20% da concentração de CBD anunciada
  3. altos níveis de solventes e gases em alguns frascos
  4. duas formulações possuiam 0% de CBD!

Assim, a recomendação hoje é a seguinte: a) que os americanos comprem o óleo de CBD vindo da Europa, onde há mais regulação na produção industrial e a contaminação por tetrahidrocanabinol é em torno de 0,2% a 0,3% apenas, b) comprar produtos com rótulos contendo a palavra “orgânico”, certificados pelo Departamento de Agricultura dos EUA como tendo sido testados para herbicidas e pesticidas, e c) adquirir CBD fabricado em empresas certificadas em “Boas Práticas de Manufatura” pelo governo americano.

Estudos científicos

Recentes editoriais de prestigiosas revistas científicas apontam para a legítima falta de estudos científicos criteriosos comprovando os efeitos clínicos propostos para o CBD. “O mercado está anos-luz à frente da ciência”, afirmou um cientista da área.

A maior parte do conhecimento científico se baseia por hora em estudos pré-clínicos. Afora os estudos randomizados em convulsões, outros são observações em poucos pacientes e de rigor metodológico muitas vezes questionável. De fato um trabalho que analisou outras 81 pesquisas, das quais 40 randomizadas, em várias indicações de CBD (em método chamado meta-análise), os autores concluiram por falta de evidências sólidas de efetividade.

No momento há 16 estudos em andamento para examinar a efetividade do CBD em psicoses. Mas depressão, ansiedade e desordem do déficit de atenção não foram objeto de qualquer estudo sério até agora. O Instituto Nacional de Saúde em Washington concedeu US$ 3 milhões para estudos do CBD em casos de dor, com resultados que virão no futuro.

Conclusões

1. Você quer usar CBD para algum sintoma em especial? Tente antes os recursos tradicionais. Principalmente a longo prazo não sabemos ainda os efeitos secundários. Procure não ser cobaia.

2. Use produtos de origem orgânica com procedência européia, pesquise na Internet antes da compra.

3. Crianças, mulheres grávidas e pessoas utilizando múltiplos remédios não devem tomar CBD de forma alguma: o risco é muito grande. Não sabemos o suficiente nessas situações.

4. Caso estiver usando CBD, monitore de perto a função do fígado. Seu médico saberá solicitar os exames adequados de laboratório.

5. Não confie em propaganda de produtos ou comentários dizendo que CBD cura ou alivia doença de Alzheimer, déficit de atenção, dor crônica, mal de Parkinson e ansiedade.

6. Aguarde os resultados de estudos sérios para utilizar CBD, principalmente a longo prazo.

7. Lembre-se que a única indicação precisa hoje dos derivados da Cannabis é em crianças com formas especiais de epilepsia não responsivas a tratamentos tradicionais.

Referência

Este texto é baseado em editorial do JAMA:

Cannabidiol Products Are Everywhere, but Should People Be Using Them? Rita Rubin, MA JAMA. 2019;322(22):2156-2158. doi:10.1001/jama.2019.17361

Vacinas são causa de autismo? NÃO!!!

Tendo como base a situação de muitos pais não vacinarem seus filhos com medo que vacinas contra sarampo, caxumba e rubéola provoquem autismo, pesquisadores da Dinamarca acompanharam 657.461 crianças nascidas de 1999 até 2010.

Pouco mais de 6.500 crianças desenvolveram autismo no período de observação (129 novos casos por 100.000), com distribuição igual nos grupos de crianças vacinadas ou não vacinadas. Também não houve aumento do diagnóstico de autismo em a) famílias com outras crianças com a doença, b) com fatores de risco (definidos no trabalho) ou c) recebimento de outras vacinas.

A conclusão dos autores é que este estudo dá forte suporte à noção de que vacinas não geram autismo, não são desencadeadoras de autismo em crianças suscetíveis (com casos na família), nem vacinação gera grupos de crianças autistas em determinadas áreas geográficas.

O número de crianças e o período de tempo de observação confere grande poder estatístico às observações.

Referência original em inglês:

https://annals.org/aim/fullarticle/2727726/measles-mumps-rubella-vaccination-autism-nationwide-cohort-study

Os cuidados médicos para pacientes transgênero

Pessoas transgênero (ou gênero-incongruentes) possuem identidade de gênero que difere de seu sexo conforme anotado ao nascer (geralmente determinado por inspeção dos genitais). Estudos indicam que 0,6% dos adultos nos EUA caem nessa definição, o que equivaleria a mais de 1,1 milhão de pessoas.

Trata-se de uma população que não deve ser desconsiderada em suas condições médicas muitas vezes únicas, com dificuldades de acesso a cuidados por profissionais médicos instruidos condizentemente.

Edição recente da revista médica Annals of Internal Medicine traz artigo com boas orientações aos médicos que têm interesse na área, com livre acesso ao texto completo:

https://annals.org/aim/fullarticle/2737401/care-transgender-patient

Novos critérios para classificação diagnóstica das doenças relacionadas ao IgG4

Doenças relacionadas ao IgG4 podem ocorrer em virtualmente todos os órgãos do corpo, constituindo-se em lesões fibroinflamatórias de causa desconhecida, possivelmente com componente autoimune.

Os órgãos mais acometidos são o pâncreas, tireóide, cavidade atrás do peritônio e glândulas salivares e lacrimais.

Grande dificuldade diagnóstica existe, uma vez que em muitos pacientes a IgG4 está em níveis normais no sangue.

Hoje foram publicados os critérios para classificação diagnóstica deste grupo de doenças com o denominador comum de sua relação com a molécula IgG4. São pormenorizados os critérios de exclusão e de inclusão, com seguimento para o diagnóstico em 3 etapas, alcançando sensibilidade de 82% e especificidade de 98% em um grupo de pacientes utilizados para validação.

Tenha o texto completo e gratuito da publicação na Arthritis & Rheumatology, inclusive o pdf, clicando em:

https://onlinelibrary.wiley.com/doi/full/10.1002/art.41120?campaign=wolearlyview

As 10 especialidades médicas com mais ações na justiça.

Saiu hoje nos Estados Unidos resultados de pesquisa anual sobre as especialidades com maiores problemas judiciais, em levantamento do site Medscape. Foram 4360 médicos entrevistados em 29 especialidades médicas. Veja abaixo:

1. Cirurgia geral
2. Urologia
3. Otorrinolaringologia
4. Obstetrícia e Ginecologia
5. Cirurgia especializada (neurocirurgia, ortopedia, etc)
6. Radiologia (intervencionista)
7. Medicina de Emergência
8. Cardiologia
9. Gastroenterologia
10. Anestesiologia

De imediato pode-se notar que são especialidades onde os procedimentos intervencionistas são mais praticados e necessários.

Quais os motivos das ações na justiça? Veja a seguir:

– falha no diagnóstico ou sua demora 33%
– complicações de cirurgia ou tratamento 29%
– maus resultados ou progressão de doença 26%
– falha em tratar ou demora no tratamento 18%
– morte por falha médica 16%
– lesão ou injúria anormal 11%
– falha na documentação de instrução e educação do paciente 4%
– erro na administação de remédios 3%
– falha em seguir procedimentos de segurança 2%
– falta de consentimento informado 1%
– outros 11%

Fácil de se observar que a soma está acima dos 100%, ou seja, vários pacientes ou seus familiares entram com ações alegando mais de um tipo de problema. As alegações são as mais variadas, como estas:

“Fiz um procedimento e após 4 semanas retirei a ponta de uma agulha que quebrou e estava no ferimento, o paciente me acionou na justiça”, disse um alergista/imunologista.

“Após a prótese de quadril ficou uma diferença de 0,6 cm no comprimento de uma perna em relação à outra. O paciente entrou com ação indenizatória porque diz ter sido prejudicado na atividade sexual com sua esposa”, afirmou um ortopedista.

Mais da metade dos médicos envolvidos disseram ter sido pegos de surpresa pelas ações judicias (52%), mas 14% não se impressionaram em nada com o acontecido. Outros 34% ficaram “de certa forma surpresos”.

A grande maioria dos médicos achou-se injustiçada (83%) com as queixas dos advogados; 11% não estavam seguros se os processos eram justificáveis e 6% responderam que estava correto terem sido processados. Um médico de família assim justificou seu posicionamento: “As complicações poderiam ter sido completamente evitadas se o paciente tivesse seguido as orientações fornecidas por mim”.

Embora 36% das ações tenham sido concluidas com acordo entre as partes, em quase metade dos casos o ganho foi do profissional médico: 47%. Vários casos permanecem em julgamento.

Por que os processos judiciais ocorrem contra os médicos? A opinião dos profissionais da Medicina é bem interessante:

– 71% acreditam que os pacientes não entendem os riscos envolvidos em procedimentos médicos
– 63% afiraram que os paciente entram na justiça para obter algum ganho e colocar a culpa no profissional
– 25% crêem ser resultado do marketing promovido por advogados
– 23% têm certeza que pacientes querem ganhar dinheiro fácil
– 9% afirmam que os próprios médicos e os hospitais cometem muitos erros.

Pelo menos a metade dos médicos entrevistados acredita que um melhor relacionamento com o paciente e mais tempo dedicado à explanação das condutas e procedimentos teriam evitado o processo judicial.

Será muito diferente no Brasil?

https://www.medscape.com/slideshow/2019-malpractice-report-6012303?src=ban_malpractice2019_desk_mscpmrk_hp

Lúpus: mais remédios para controle dos sintomas ou tratar a cuca antes de mais nada?

As proteinas alteradas no sangue do paciente com lúpus: o pico mais à direita está muito aumentado, refletindo a elevação dos anticorpos dirigidos contra a própria pessoa.

Distúrbios do sono e sintomas depressivos podem ser responsáveis por dor e perda de atenção, memória e concentração no lúpus. O tratamento é com Terapia Cognitivo-Comportamental antes de remédios!

Para saber o que exatamente está envolvido na dor e nas alterações ditas cognitivas (como atenção, memória, orientação) do lúpus eritematoso sistêmico (LES), 115 pacientes foram estudados em Baltimore, EUA.

Como foi feito o estudo?

Todos os pacientes preencheram questionário sobre dor, percepção de estresse, depressão, sono e alteração das funções mentais (chamada disfunção cognitiva). Os autores cuidaram para que as conclusões não fossem alteradas pela presença de fibromialgia, raça do paciente, uso de corticóides (remédios que modificam as funções mentais positiva ou negativamente, conforme o indivíduo), atividade da doença e nível de estresse percebido pelas pessoas.

Resultados

Análises estatísticas sofisticadas (neste caso denominadas análises de mediação) indicaram que os sintomas de dor e de funções mentais alteradas foram mediados por distúrbios do sono e por depressão, ou seja, não vinham diretamente do lúpus. Atividade do lúpus (doença sem bom controle) e nível de estresse também estiveram relacionados com variações das funções mentais.

Conclusões

Os autores concluiram que:

1) este estudo deve ser confirmado em maior grupo de lúpicos, observados ao longo do tempo (num chamado estudo prospectivo)

2) a presença de dor e alterações de funções mentais no lúpus pode ser explicada por distúrbios do sono e sintomas depressivos

3) os achados abrem a perspectiva de tratar alguns sintomas do lúpus através de higiene do sono e melhora da depressão, em intervenções que não necessariamente envolvem remédios imunossupressores

4) especificamente, pacientes com lúpus que apresentam dor e disfunções cognitivas (atenção, memória e orientação alterados) poderiam ser tratados com terapia cognitivo-comportamental, recurso comprovado para reduzir estresse e melhorar vários domínios psicológicos do indivíduo.

Referência

Arthritis Care & Research. 04 May 2018. https://doi.org/10.1002/acr.23593

Estou com depressão? Faça seu diagnóstico em 5 minutos.

Sentir-se triste, com pouca energia e com vontade de desaparecer podem ser sintomas comuns, mas você está se encaminhando para uma depressão verdadeira? Daquelas que necessitam auxílio médico ou psicológico especializado?

Um questionário simples com 9 ítens, denominado PHQ-9 e já traduzido para várias línguas, se propõe a fazer uma triagem de casos de depressão. E não apenas isto, também serve para graduar o problema, dizendo por exemplo se a depressão é leve ou severa. Pode também ser aplicado para verificar a evolução do tratamento, se há resposta aos procedimentos e medicamentos propostos.

A depressão é um dos problemas mais comuns vistos na clínica médica, tanto pelo médico de família quanto por especialistas. Reconhecer sua presença e severidade é, portanto, de suma importância para auxiliar de forma correta os pacientes. Em casos extremos até salvar sua vida, devido ao elevado risco de suicídio. De fato este é um dos diagnósticos mais importantes a ser feito, e não deve ser perdido pelos profissionais que se propõem a exercer sua profissão em elevado nível técnico.

O questionário PHQ-9 tem a vantagem de ser auto-aplicável, você senta e tem o diagnóstico inicial em apenas 3 etapas, a ser confirmado depois pelo médico ou psicólogo:

1. você gradua cada ítem com sua resposta (nunca tenho o sintoma, sinto isto em vários dias, sinto em mais da metade dos dias, ou tenho o sintoma quase todos os dias)

2. você soma os pontos, se o resultado for 10 ou mais você está com depressão, daquelas que necessita auxílio psicológico e médico (em termos técnicos, a maioria dos estudos científicos que utilizaram esta escala fixaram 10 pontos como cut-off para diagnóstico correto de depressão)

3. por último, você pode ainda graduar o problema de acordo com a escala abaixo

  • 0 a 4 pontos = não há depressão
  • 5 a 9 pontos = depressão leve
  • 10 a 14 pontos = depressão moderada
  • 15 a 19 pontos = depressão moderadamente severa
  • 20 a 27 pontos = depressão severa

Acesse o questionário em português aqui (em pdf):

https://www.challiance.org/Resource.ashx?sn=PHQ9BrazilPortuguese

Há muitas escalas tentando fazer o mesmo, esta me pareceu prática e, segundo a literatura, confiável. Sua origem é em Cambridge nos EUA, em Departamento de Psiquiatria associado à escola de Medicina de Harvard.

Se você está com sintomas depressivos, aproveite e responda ao questionário. Ou então encaminhe para quem pode ser útil, com certeza a pessoa e a família lhe agradecerão. Lembre-se que apenas o médico poderá lhe auxiliar e orientar o correto tratamento. Por último, e muito importante: depressão severa carrega consigo elevado risco de suicídio e se constitui numa urgência médica – não deixe para amanhã!

Referência

https://jamanetwork.com/journals/jama/fullarticle/2753532?guestAccessKey=3dad4211-2b6c-412e-a776-0f586eff3682&utm_source=silverchair&utm_medium=email&utm_campaign=article_alert-jama&utm_content=etoc&utm_term=120319

VOCÊ COLABORA COM O CHARLATANISMO MÉDICO?

Responda à lista abaixo e veja se você poderá ser a próxima vítima.

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Utilize a lista abaixo para saber se você é a próxima vítima potencial. É baseada em técnicas clássicas e exemplos do charlatanismo em vários países, que se repetem porque sempre há incautos com dinheiro e esperança.

O profissional chamou sua atenção ou falou a respeito de qualquer um dos seguintes tópicos?

Apenas uma resposta positiva já deve ser considerada um sinal vermelho! Não seja mais uma vítima!

  1. Uso de palavras e expressões apelativas como “espantoso”, “milagroso”, “melhora imediata”, “remédio natural”, “vigor físico”, “corpo perfeito”, “purificar o corpo”, “detoxificar o organismo”, “aumentar o nível de energia”, “incrementar seu sistema imune”.
  2. Testemunho de pessoa que endossa as afirmações, muitas vezes uma modelo, artista, desportista ou outro médico famoso. Os Conselhos de Medicina proibem o uso de pacientes e seus testemunhos como propaganda médica.
  3. O chamado à “teoria da conspiração”: outros profissionais, instituições ou empresas não querem que você saiba de “curas” ou acerca do tratamento proposto porque perderiam dinheiro.
  4. Venda de publicação ou livro próprio que propagandeia os tratamentos oferecidos, em substituição à literatura científica com evidências em dados de pesquisas sérias, conduzidas em centros médicos internacionais de excelência.
  5. Dietas originais, secretas, e spas que aliviam ou curam seus sintomas ou doença, com excesso de exames de laboratório, testes de imagem, além de tratamentos inflacionados por caros suplementos ou métodos alternativos.
  6. Afirmações de cura ou da possibilidade de você cessar seu   tratamento para reumatismos, doenças autoimunes ou câncer.
  7. Anúncio de produto único que irá resolver uma grande variedade de doenças: estes em geral não tratam nenhuma delas de forma eficaz, você deve pagar antecipado, pode-se comprar e levar um bônus ou outro produto grátis, ou então o produto tem estoque limitado.
  8. Consultas longas e minuciosas, com porções generosas de carinho e falsas expectativas para o tratamento, culminando com extensos, caros exames, e enormes receitas de suplementos e vitaminas.
  9. Uso de suplementos ou fórmulas secretas que devem ser ingeridos indefinidamente, com custo elevado e preparo “que só pode ser feito” em local indicado, caso contrário “não funciona”.
  10. Anúncios tipo “garantia de retorno de seu dinheiro”, algo inexistente na Medicina e considerado infração grave do Código de Ética da profissão.
  11. Ostentação e glamourização, com atendimento em clínicas e spas luxuosos frequentadas por famosos, passando imagem de alto sucesso nas midias sociais, TV e jornais.
  12. Ênfase na polarização entre “Medicina tradicional e retrógrada” e a “Medicina nova, moderna e inovadora”, muitas vezes com uso de máquinas luminosas de nomes pomposos e pseudo-científicos.

PRIMEIRA CONSULTA COM O MÉDICO

COMO PROCEDER PARA EXTRAIR O MELHOR DO MÉDICO E FAZER UMA CONSULTA COMO VOCÊ ESPERA

Você tem uma consulta marcada, está nervoso desde já e quer usar o melhor possível seu tempo com o profissional. Recomendo 2 passos:

  1. assista ao vídeo “Como falar com o médico” no canal do YouTube, clique no link https://www.youtube.com/watch?v=zEpl3bLytLE&list=PLNwtw649EU4-xVQZ2Vfbk-IvB8y76Sml4&index=5&t=0s. Enquanto estiver lá, assine o canal para receber atualizações e novos vídeos interessantes
  2. veja o questionário abaixo (clique no link para o pdf ao final). Você pode preenchê-lo, fazer uma cópia e entregar ao médico no início de sua consulta.

Este questionário contém o que os médicos chamam “História de Doenças Passadas” e “Revisão de Sistemas”, ou seja, todas as informações importantes sobre sua saúde, desde que nasceu até o momento da consulta.

São dados indispensáveis para o médico entender melhor o paciente. Além disso, muitas vezes o diagnóstico se encontra nos dados que você irá informar. Por exemplo, você anotou na seção de doenças de pele que tem psoríase há 5 anos e está consultando porque imagina estar com artrite. O médico imediatamente fará a ligação entre os 2 sintomas e irá ponderar a hipótese de artrite psoriásica como diagnóstico final.

Por último, estas duas seções muito importantes da consulta tomam tempo considerável para o médico perguntar, e você pode imaginar desde já que nem todas as informações importantes estarão expostas, portanto, durante a consulta. Você já levando todos os dados de “História de Doenças Passadas” e “Revisão de Sistemas” estará contribuindo sobremaneira com seu médico. E com você mesmo em última instância.

Clique no link abaixo para abrir o questionário e imprimi-lo:

Questionário para sua primeira consulta médica