ASPECTOS CLÍNICOS DA INTOXICAÇÃO POR VITAMINA D: como começou a onda das megadoses e suas consequências

In Younger Parkinson's Patients, Vitamin D May Help Balance, Study Says


Em 1938 já tínhamos publicação de observações sobre alguns pacientes com artrite reumatoide tratados por alergia respiratória (febre do feno) com megadoses de vitamina D3 (200.000 a 400.000 UI/dia). Outras doenças infecciosas como a tuberculose e inúmeras outras condições crônicas receberam a vitamina D sob o manto da cura. O procedimento foi logo abandonado devido aos efeitos colaterais e ao risco de fatalidades associados à elevação marcada do cálcio no sangue. A chamada hipercalcemia. Além é claro de o efeito benéfico ter sido anedótico (poucos casos) ou auto-limitado, e não ter trazido resultados duradouros.

Recente revisão publicada na revista online Frontiers in Endocrinology mostra os aspectos clínicos e o histórico da intoxicação pela vitamina D3, atualmente um diagnóstico em grande alta nos consultórios médicos devido à retomada do modismo de tratamento de inúmeras doenças com megadoses desta vitamina/hormônio.


O recurso terapêutico da década de 30 do século passado parece ter encontrado inúmeros seguidores, mesmo com a falta absoluta de trabalhos científicos comprovando sua utilidade para as inúmeras doenças em que vem sendo indicado.
Neste sentido podemos traçar paralelo com a auto-hemoterapia, também propalada como cura de várias doenças naquela mesma época e que de quando em quando reaparece como recurso de tratmento.
Veja aqui o sumário da publicação em tradução eletrônica e, ao final, o link para a referência completa em pdf gratuito.


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Sumário

Confusão, apatia, vômitos recorrentes, dor abdominal, poliuria, polidipsia e desidratação são os sintomas clínicos mais frequentemente observados de toxicidade da vitamina D (VDT, também chamado de intoxicação por vitamina D ou hipervitaminose D). VDT e sua manifestação clínica, hipercalcemia grave, estão relacionados à ingestão excessiva a longo prazo de vitamina D, defeitos da via metabólica da vitamina D, ou a existência de doença coincidente que produz a vitamina D ativa metabólito localmente. Embora o VDT seja raro, os efeitos na saúde podem ser graves se não forem prontamente identificados. Existem muitas formas de VDT exógeno (iatrogênico, provocado por prescrição médica) e endógeno. VDT exógeno é geralmente causado pela ingestão inadvertida ou inadequada de doses extremamente altas de preparações farmacológicas de vitamina D e está associado com hipercalcemia. As concentrações de soro da 25-hidroxivitamina D [25(OH)D] superiores a 150 ng/ml (375 nmol/l) são a marca registrada do VDT devido à sobredosagem de vitamina D. O VDT endógeno pode desenvolver-se a partir da produção excessiva de um metabólito ativo de vitamina D – 1,25(OH)2D em doenças granulomatosas e em alguns linfomas ou da redução da degradação desse metabólito na hipercalcemia infantil idiopática. O VDT endógeno também pode desenvolver-se a partir de uma produção excessiva de 25(OH)D e 1,25(OH)2D em distúrbios congênitos, como a síndrome de Williams-Beuren. Testes laboratoriais durante exames clínicos de rotina podem revelar hipercalcemia assintomática causada pela ingestão de vitamina D mesmo em doses recomendadas para a população em geral e consideradas seguras. Esse fenômeno, chamado de hipersensibilidade à vitamina D, reflete o metabolismo de vitamina D desregulado. Pesquisadores propuseram muitos processos para explicar o VDT. Esses processos incluem atividade elevada de 1α-hidroxilase ou atividade inibida de 24-hidroxilase, ambos levando ao aumento da concentração de 1,25(OH)D; aumento do número de receptores de vitamina D; e saturação da capacidade de proteína de ligação de vitamina D. O aumento da conscientização pública sobre os benefícios relacionados à saúde da vitamina D pode aumentar o risco de intoxicação devido à autoadministração da vitamina D em doses maiores do que recomendadas para idade e peso corporal ou até mesmo superior aos valores de ingestão de limite superior estabelecidos. Consequentemente, a incidência de hipercalcemia devido à hipervitaminose D pode aumentar.”


Referênciahttps://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC6158375/

O QUE É UM OXÍMETRO E DEVO COMPRAR UM?

Um oxímetro de pulso é um pequeno dispositivo que mede o nível de saturação de oxigênio em seu sangue e sua pulsação, tipicamente na unhado seu dedo indicador. Os níveis normais de oxigênio variam entre 95 e 100% no nível do mar (mais baixos em altitudes mais altas); qualquer coisa abaixo pode indicar um problema com os pulmões ou o coração, como doença pulmonar obstrutiva crônica ou pneumonia.

Com o Covid-19 afetando comunidades em todo o país e globalmente, alguns especialistas consideram que vale a pena um investimento em um oxímetro de ponta de dedo operado por bateria. Como a doença normalmente ataca os pulmões, um oxímetro pode fornecer uma maneira rápida e barata de monitorar a respiração em casa e ficar à frente de uma situação potencialmente pior. Se os níveis de saturação de oxigênio caírem, um usuário pode compartilhar essas informações com um médico para que uma decisão possa ser tomada sobre se mais cuidados médicos são necessários.

Alguns profissionais de saúde descreveram a pneumonia que ocorre com Covid-19 como silenciosa, na medida em que os pacientes podem não perceber que estão sendo privados de oxigênio até que seus níveis de saturação sejam perigosamente baixos. Nestes casos, dizem, pessoas que suspeitam que estão doentes, mas não estão sentindo falta de ar, podem usar oxímetros de pulso para obter uma melhor imagem do estado de seus pulmões.

Se seus níveis são baixos, procurar atendimento médico antes que a situação se torne realmente terrível — o que, segundo os médicos, pode acontecer rapidamente com o Covid-19. E, embora um modelo doméstico possa não ser 100% preciso, ele pode ser útil no monitoramento do seu nível de oxigênio e se ele está em tendência para baixo do que é normal para você. É melhor usar um oxímetro como ferramenta de monitoramento quando você está doente, não como uma medida de que as coisas estão certas ou erradas com sua saúde.

Se você está no mercado para um oxímetro de pulso, tente encontrar um que seja liberado ou aprovado pela FDA americano. Um estudo de 2016 de seis oxímetros de pulso que não foram licenciados pelo FDA encontrou uma grande variedade de precisão entre os modelos, com a maioria tendo leituras altamente imprecisas.

Os preços variam, normalmente de US$ 25 a US$ 100, mas um modelo básico que mede os níveis de pulso e oxigênio funciona tão bem quanto um modelo caro de ponta. Suas escolhas podem ser limitadas, no entanto, uma vez que a demanda aumentou recentemente. Os oxímetros são normalmente vendidos por lojas de suprimentos de saúde, farmácias, super-mercados como Walmart e pela internet na Amazon e outros. Alguns fabricantes vendem diretamente aos consumidores em seus sites.

Adaptado de artigo que apareceu pela primeira vez na edição de julho de 2020 da UC Berkeley Saúde depois dos 50 anos.

IVERMECTINA: USO E CUIDADOS, COM ÊNFASE NA COVID-19

Esta pretende ser uma postagem objetiva para esclarecer posições a respeito de Ivermectina, este importante medicamento que deu o Prêmio Nobel de Medicina a seus descobridores.

  1. O que é ivermectina?

Ivermectina é classificada dentro dos agentes anti-helmínticos, contra verminoses intestinais principalmente. Estas são as indicações completas de bula:

  • estrongiloidíase
  • oncocercíase
  • pediculose (piolho)
  • demodex (blefarite)
  • filaríase
  • sarna
  • gnatostoma

2. Qual o mecanismo de ação da ivermectina?

O remédio funciona paralizando e matando vermes intestinais. Há indicações in vitro (em tubo de ensaio no laboratório) que também pode ter ação anti-viral.

3. Como tomar a ivermectina?

Recomenda-se usar a dose prescrita por seu médico 1 hora antes de refeição com 1 copo de água.

4. Quais os efeitos indesejáveis (também chamados para-efeitos ou efeitos colaterais) da ivermectina?

Esta medicação pode provocar dor de cabeça, tonturas, dor muscular, náuseas ou diarréia. Na maioria dos casos é muito bem tolerada. São muito raros os casos de alergia ao produto.

Você não deve utilizar ivermectina com álcool ou maconha, você poderá ter tonturas e vertigens severas. Nunca dirigir veículos nestas circunstâncias.

5. Quais os cuidados na gravidez e amamentação?

O medicamento de preferência não deve ser usado em grávidas ou amamentando, ivermectina passa no leite materno. Em caso de uso indispensável, converse antes com o pediatra.

6. Posso tomar ivermectina se estou usando outros remédios?

Há várias interações possíveis da ivermectina com inúmeros medicamentos, em geral aumentando o nível de ivermectina no sangue e trazendo maior potencial tóxico do remédio. Abaixo uma lista parcial dos medicamentos comprovados na literatura médica. Converse com seu médico caso esteja utilizando qualquer dos remédios da lista e tenha que usar ivermectina.

  • erdafitinibe
  • lasmiditan
  • quinidina
  • amiodarona
  • atorvastatina
  • bosutinibe
  • claritromicina
  • clotrimazol
  • ciclosporina
  • dronedarona
  • elagolix
  • eliglustat
  • eritromicina
  • etotoina
  • felodipina
  • fosfenitoina
  • fostamatinibe
  • glecaprevir/pibrentasvir
  • indinavir
  • istradefilina
  • itraconazol
  • ivacaftor
  • cetoconazol
  • lapatinibe
  • lomitapida
  • loratadina
  • lovastatina
  • midazolam
  • nefazodona
  • nicardipina
  • nifedipina
  • nilotinibe
  • fenobarbital
  • fenitoina
  • ponatinibe
  • quercetina
  • ranolazina
  • rifampia
  • ritonavir
  • sareciclina
  • simvastatina
  • sirolimus
  • espironolactona
  • erva de São João
  • estiripentol
  • tacrolimus
  • tolvaptan
  • trazodona
  • tucatinibe
  • verapamil
  • warfarina

7. Ivermectina funciona para a COVID-19?

Há algumas evidências iniciais de observações científicas e casos anedóticos (individuais) que a ivermectina poderia ser utilizada contra o SARS-CoV-2. No momento desta postagem (agosto de 2020) não temos ainda resposta científica definitiva. Há pelo menos 10 estudos randomizados em andamento com o remédio sendo utilizado nas fases mais precoces da COVID-19 ou como profilaxia.

Há uma corrente de médicos propalando a prescrição precoce, nos primeiros sintomas da COVID-19, para evitar agravamento da doença, sob a forma de prescrição por compaixão (alguns chamam de off-label, fora das indicações da bula). As doses recomendadas têm sido as mais variadas, desde 2 a 3 comprimidos por dia, até 1 comprimido cada 15 dias.

Caso deseje fazer uso da ivermectina com esta indicação para a COVID-19, converse com seu médico e siga as instruções.

FDA (EUA) TEM PROIBIÇÃO DE USO DE OZONIOTERAPIA DESDE 2019. ESTADO DO TEXAS PROCESSANDO CLÍNICA DE OZONIOTERAPIA.


Dentro das formas de medicina alternativa, a ozonioterapia parece ter papel de destaque. Frente à celeuma recente de indicação do método para COVID-19 no Brasil por parte de médicos holísticos, homeopatas e outros (entendo que incluindo ortomoleculares), fiz revisão rápida da literatura a respeito.


Descrevo aqui 3 níveis de evidências:

  1. estudo de revisão publicado por autores espanhóis em maio de 2020 promovendo o uso da ozonioterapia, com doses e aplicações na COVID-19, dizem que há extensa literatura a respeito, mas que “não vamos nos ocupar disto nesta revisão” (??!!). Falam de vários efeitos teóricos do método in vitro e extrapolam para uso humano, sem citar referências complementares às afirmações. Trabalho indexado no PubMed.

Referênciahttps://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC7156242/
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2) FDA americano em seu sítio dá conta dos efeitos tóxicos do ozônio e traz considerações sobre as máquinas que o produzem:
“[Código de Regulamentos Federais][Título 21, Volume 8][Revisado a partir de 1º de abril de 2019][CITE: 21CFR801.415]Consulte informações relacionadas sobre o nível máximo aceitável de ozônio. em bancos de dados CDRHTÍTULO 21 – ALIMENTOS E DROGASCAPÍTULO I – ADMINISTRAÇÃO DE ALIMENTOS E DROGASDEPARTAMENTO DE SAÚDE E SERVIÇOS HUMANOSSUBCHAPTER H–DISPOSITIVOS MÉDICOS
Sec. 801.415 Nível máximo aceitável de ozônio.O ozônio é um gás tóxico sem aplicação médica útil conhecida em terapia específica, adjuntiva ou preventiva. Para que o ozônio seja eficaz como um germicídio, ele deve estar presente em uma concentração muito maior do que a que pode ser tolerada com segurança pelo homem e pelos animais.Embora tenham sido relatados efeitos fisiológicos indesejáveis no sistema nervoso central, coração e visão, o efeito fisiológico predominante do ozônio é a irritação primária das membranas mucosas. A inalação de ozônio pode causar irritação suficiente nos pulmões para resultar em edema pulmonar. O aparecimento de edema pulmonar geralmente é adiado por algumas horas após a exposição; assim, a resposta sintomática não é um aviso confiável de exposição a concentrações tóxicas de ozônio. Uma vez que a fadiga olfativa se desenvolve prontamente, o odor do ozônio não é um índice confiável de concentração atmosférica de ozônio.Uma série de dispositivos atualmente no mercado geram ozônio por design ou como subproduto. Uma vez que a exposição ao ozônio acima de uma certa concentração pode ser prejudicial à saúde, qualquer dispositivo será considerado adulterado e/ou mal identificado dentro do significado das seções 501 e 502 do ato, se for usado ou destinado ao uso.”


Referênciahttps://www.accessdata.fda.gov/scripts/cdrh/cfdocs/cfcfr/CFRSearch.cfm?fr=801.415
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3) O Estado Texas está processando clínica que vinha promovendo tratamento da COVID-19 por ozonioterapia. O nome da clínica: Centro do Bem-Estar da Pureza.
“Tribunal proíbe Dallas Wellness Center de fazer ‘Terapia de Ozônio’ como tratamento COVID-1924 de abril de 2020Um tribunal federal entrou com uma liminar permanente impedindo um suposto centro de “terapia de ozônio” em Dallas de oferecer tratamentos não comprovados para o COVID-19, anunciou hoje a procuradora Erin Nealy Cox.Em um processo civil apresentado no Tribunal Distrital dos EUA para o Distrito Norte do Texas, o governo alegou que os réus, Centros de Saúde e Bem-Estar da Pureza e um dos diretores da empresa, Jean Juanita Allen, promoveram fraudulentamente a chamada terapia de ozônio como tratamento para o COVID-19.Os réus concordaram em ser obrigados por uma liminar permanente que os impedia de representar que o ozônio poderia ser usado para tratar ou curar o COVID-19. A ordem foi feita na sexta-feira de manhã pelo juiz distrital dos EUA Sam A. Lindsay.”Este réu se aproveitou do medo público, vendendo tratamentos falsos que não tiveram absolutamente nenhum efeito contra o COVID-19″, disse a procuradora do Distrito Norte do Texas Erin Nealy Cox. “Como dissemos em casos civis covid-19 anteriores: o Departamento de Justiça não permitirá que ninguém explore uma pandemia para ganho pessoal.””O Departamento de Justiça não vai ficar parado e permitir a promoção fraudulenta de supostos tratamentos COVID-19 que não fazem bem e que podem ser prejudiciais”, disse a procuradora-geral assistente Jody Hunt, da Divisão Civil do Departamento de Justiça. “Estamos trabalhando com a polícia e parceiros de agências para impedir aqueles que tentam lucrar vendendo produtos inúteis durante essa pandemia.”De acordo com os arquivos do tribunal, a Sra. Allen disse a um interlocutor se passando por um cliente em potencial que, embora o ozônio pudesse ser perigoso, o tratamento da Pureza era seguro mesmo para crianças, sanitizaria qualquer coisa, e erradicaria infecções virais ou bacterianas.Os arquivos do tribunal alegaram que a Sra. Allen alegou que os tratamentos de ozônio da Pureza – que ela afirmou que aumentariam o oxigênio no sangue, impossibilitando a manifestação dos vírus – eram 95% eficazes até mesmo para alguém que testou positivo para COVID-19. Ela alegou que uma equipe de “médicos” havia recomendado uma “sauna de vapor de ozônio” para alguém com COVID-19.No Instagram, a Purity Health & Wellness afirmou que o ozônio era a “única prevenção” para o COVID-19 e insistiu que o tratamento poderia “erradicar” o vírus. O centro também alegou que o ozônio poderia combater outras doenças mortais, incluindo câncer, SARS e Ebola.”Não permitiremos que ninguém lucre ilegalmente explorando o medo e a ansiedade relacionados à pandemia COVID-19″, disse o agente especial do FBI Dallas, Matthew J. DeSarno. “O FBI e nossos parceiros estão trabalhando juntos todos os dias para prevenir, detectar e desmantelar fraudes COVID-19.””A FDA continuará ajudando a garantir que aqueles que colocam lucros acima da saúde pública durante a pandemia COVID-19 sejam interrompidos”, disse Stacy Amin, conselheira-chefe da Food and Drug Administration. “Estamos totalmente comprometidos em trabalhar com o Departamento de Justiça para tomar as medidas apropriadas contra aqueles que comprometem a saúde dos americanos com tratamentos não comprovados.”A ação de execução foi processada pelo procurador Patrick Runkle, do Ramo de Defesa do Consumidor da Divisão Civil e pelo procurador assistente kenneth Coffin da Procuradoria do Distrito Norte do Texas. O procurador assistente Fabio Leonardi é o Coordenador de Fraudes covid-19 do Distrito Norte do Texas. O caso foi investigado pelo Escritório de Campo do FBI em Dallas e pelo Escritório de Investigações Criminais da Administração de Alimentos e Drogas dos EUA.Para obter informações sobre os esforços do Departamento de Justiça para impedir atividades ilegais relacionadas ao COVID-19, visite http://www.justice.gov/coronavirus ou https://www.justice.gov/usao-ndtx/report-covid-19-fraud.”


Referênciahttps://www.fda.gov/inspections-compliance-enforcement-and-criminal-investigations/press-releases/court-prohibits-dallas-wellness-center-touting-ozone-therapy-covid-19-treatment

Foto por Pixabay em Pexels.com

Detecção de Anticorpos Neutralizantes contra a COVID-19

O FDA (Food and Drug Administration) dos EUA ainda não autorizou o uso de testes de neutralização para SARS-CoV-2. Os testes de neutralização determinam a capacidade funcional dos anticorpos para prevenir a infecção do vírus in vitro. O teste envolve a incubação de soro ou plasma com vírus vivo, seguido de infecção e incubação de células. Os testes exigirão laboratórios de nível biológico BSL-3 ou BSL-2, dependendo da forma do vírus SARS-CoV-2 usada.

Para se ter imunidade futura após infecção pelo SARS-COV-2 é necessário que haja formação de anticorpos do tipo IgG, o que pode ser facilmente testado em laboratórios comerciais. No entanto, o fato de se ter anticorpos IgG não necessariamente significa que eles esteja de fato combatendo e aniquilando o vírus. Outras doenças existem em que há grande formação de anticorpos IgG, porém eles não são protetores, como na tuberculose e na infecção por HIV.

(Atenção: este é um texto técnico).


Dois tipos de testes de neutralização são realizados:

  • Os testes de neutralização de vírus (VNT), como o teste de neutralização para redução de placas (PRNT) e a microneutralização, usam um vírus SARS-CoV-2 de um isolado clínico ou proteínas repórteres que expressam SARS-CoV-2 recombinante. Este teste requer laboratórios BSL-3 e pode levar até 5 dias para ser concluído.
  • Os testes de neutralização de pseudovírus (pVNT) usam pseudovírus recombinantes (como o vírus da estomatite vesicular, VSV) que incorporam a proteína S da SARS-CoV-2. Este teste pode ser realizado em laboratórios BSL-2, dependendo da cepa de VSV usada.

A cinética da resposta do anticorpo, a longevidade dos anticorpos, a capacidade de os anticorpos protegerem contra infecções repetidas, o título protetor do anticorpo neutralizante e a correlação dos títulos de anticorpos de ligação à capacidade de neutralização ainda não foram determinados.

No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) “com base nas informações fornecidas pela Gerência de Produtos para Diagnóstico in vitro (Gevit)”, área técnica afeta ao assunto, informou que não há produtos para diagnóstico in vitro registrados com a finalidade de “testes de neutralização para COVID-19”.

Referências

FDA, CDC e ANVISA. Texto encaminhado pelo Dr. Carlos David Bichara, Laboratório Amaral Costa em Belém do Pará, a quem agradeço.

Idosos com COVID-19 apresentam sintomas incomuns

Confusão, letargia ou tontura podem ser de vírus, dizem médicos.

Os idosos com COVID-19, doença causada pelo coronavírus, apresentam vários sintomas “atípicos”, complicando os esforços para garantir que eles obtenham tratamento oportuno e adequado, segundo os médicos.

O COVID-19 é tipicamente sinalizado por três sintomas: febre, tosse insistente e falta de ar. Mas os idosos – a faixa etária com maior risco de complicações graves ou morte por essa condição – podem não ter nenhuma dessas características.

Em vez disso, os idosos podem parecer “desligados”, não agindo como eles mesmos, logo após serem infectados pelo coronavírus. Eles podem dormir mais do que o normal ou parar de comer. Eles podem parecer extraordinariamente apáticos ou confusos, perdendo a orientação para o seu entorno. Eles podem ficar tontos e cair. Às vezes, os idosos param de falar ou simplesmente entram em colapso.

Com muitas condições médica associadas, os idosos não se apresentam de uma maneira típica, e estamos vendo isso com o COVID-19 também. A razão tem a ver com a forma como o corpo dos mais velhos respondem a doenças e infecções.

Em idades avançadas a resposta imune de alguém pode estar diminuida e sua capacidade de regular a temperatura pode ser alterada. Doenças crônicas subjacentes podem mascarar ou interferir com sinais de infecção. Algumas pessoas mais velhas, seja por alterações relacionadas à idade ou problemas neurológicos anteriores, como um AVC, podem ter alterado os reflexos da tosse. Outros com comprometimento cognitivo podem não ser capazes de comunicar seus sintomas.

Reconhecer sinais de perigo é importante: se os primeiros sinais de COVID-19 forem perdidos, os idosos podem se deteriorar antes de receber os cuidados necessários. E as pessoas podem entrar e sair de suas casas sem medidas de proteção adequadas, arriscando a propagação da infecção.

Aqui o exemplo real de um homem de 80 anos tratado em meados de março de 2020. Durante um período de dias, esse paciente — que tinha doença cardíaca, diabetes e comprometimento cognitivo moderado — parou de andar e ficou incontinente e profundamente letárgico. Mas não tinha febre ou tosse. Seu único sintoma respiratório: espirrar eventualmente.

A esposa idosa do homem ligou duas vezes para o telefone de emergência. Nas duas vezes, os paramédicos verificaram seus sinais vitais e declararam que estava bem. Depois de outra chamada preocupada do cônjuge sobrecarregado, o clínico da família insistiu que o paciente fosse levado para o hospital, onde deu positivo para COVID-19.

“Eu estava bastante preocupado com os paramédicos e assistentes de saúde que estavam na casa e que não tinham usado equipamento de proteção individual”, disse o médico da família. “Foi surpresa o teste vir positivo para o Coronavírus”.

Outros médicos descrevem o tratamento de idosos que inicialmente parecem ser pacientes de trauma, mas são encontrados com COVID-19. “Eles ficam fracos e desidratados”, dizem eles, “e quando estão para andar entram em colapso e se ferem muito.” Há muitos idosos profundamente desorientados e incapazes de falar e que parecem ter sofrido derrames. “Quando os testamos, descobrimos que o que está produzindo essas mudanças é um efeito central do Coronavírus no cérebro ” afrimam os médicos.

Laura Perry, professora assistente de medicina na Universidade da Califórnia em São Francisco, viu um paciente assim há várias semanas. A mulher, na casa dos 80 anos, tinha o que parecia ser um resfriado antes de ficar muito confusa. No hospital, ela não conseguia identificar onde estava ou ficar acordada durante um exame. Perry diagnosticou delírio hipoativo, um estado mental alterado no qual as pessoas ficam inativas e sonolentas. O paciente deu positivo para coronavírus e ainda está na UTI.

Dr. Anthony Perry, professor associado de medicina geriátrica no Rush University Medical Center, em Chicago, conta sobre uma mulher de 81 anos com náuseas, vômitos e diarreia que teve teste positivo para COVID-19 no pronto-socorro. Depois de receber fluidos intravenosos, oxigênio e medicação para sua perturbação intestinal, ela voltou para casa após dois dias e está indo bem.

Outro paciente de 80 anos com sintomas semelhantes – náuseas e vômitos, mas sem tosse, febre ou falta de ar – está na UTI após receber um teste COVID-19 positivo, tendo que ser colocado em um ventilador. A diferença? Este paciente é frágil com “muitas doenças cardiovasculares”, disse Perry. Fora isso, ainda não está claro por que alguns pacientes mais velhos se sairão bem enquanto outros não.

Até agora, relatos de casos como esses foram anedóticos (isolados). Mas alguns médicos estão tentando coletar informações mais sistemáticas.

Na Suíça, o Dr. Sylvain Nguyen, geriatra do Centro Hospitalar da Universidade de Lausanne, montou uma lista de sintomas típicos e atípicos em pacientes mais velhos do COVID-19 para um artigo a ser publicado na Revue Médicale Suisse. Na lista atípica estão alterações no estado habitual do paciente, delírio, quedas, fadiga, letargia, pressão arterial baixa, deglutição dolorosa, desmaio, diarreia, náusea, vômito, dor abdominal e perda de olfato e paladar.

Os dados vêm de hospitais e asilos na Suíça, Itália e França, disse Nguyen em um e-mail.

Na linha de frente, os médicos precisam ter certeza de avaliar cuidadosamente os sintomas de um paciente mais velho. “Embora tenhamos que observar alta suspeição de COVID-19 porque é tão perigoso na população mais velha, há muitas outras coisas a considerar”, dizem os médicos consultados para este artigo. Idosos também podem se sentir mal porque suas rotinas mudaram. Nos asilos e na maioria dos centros de convivência assistidos, as atividades pararam e “os moradores vão ficar mais fracos e mais descondicionados porque não estão caminhando de e para o refeitório”.

Em casa, idosos isolados podem não estar recebendo tanta ajuda com o gerenciamento de medicamentos ou outras necessidades essenciais de familiares que estão mantendo distância, sugeriram outros especialistas. Ou podem ter se tornado apáticos ou deprimidos.

“Eu gostaria de saber: ‘Qual é o potencial que essa pessoa teve de uma exposição (ao coronavírus), especialmente nas últimas duas semanas?’ “, disse um especialista. Eles têm pessoal de saúde domiciliar chegando? Eles se reuniram com outros membros da família? As condições crônicas estão sendo controladas? Há outro diagnóstico que parece mais provável?

Referência

https://enewspaper.sandiegouniontribune.com/desktop/sdut/default.aspx?edid=1a14ecca-da55-465a-b0ac-5938d6a7fa31

MEGADOSE DE VITAMINA D É INEFICAZ EM PACIENTES CRÍTICOS NA UTI: ESTUDO RANDOMIZADO DUPLO-CEGO NO NEW ENGLAND JOURNAL OF MEDICINE

Estudo que encerra a discussão sobre a proposta de utilizar megadoses de vitamina D em pacientes criticamente doentes foi publicado imediatamente antes do início da atual pandemia, em dezembro de 2019.


O trabalho é rigoroso do ponto de vista metodológico:

  1. randomização após no máximo 12 h de entrada na UTI
  2. dose única de 540.000 UI de vitamina D3 por sonda no estômago, ou placebo
  3. duplo-cego (nem médico nem paciente sabem o que está sendo administrado, para garantir não haver eleição de casos piores ou mais leves em qualquer dos grupos)
  4. avaliação de mortalidade geral após 90 dias.

Para um total de 1.360 pacientes internados com deficiência de vitamina D, detectou-se a grande maioria com valores menores que 20 ng/mL.
Após 3 dias da megadose enteral a vitamina D estava em média no valor de

– 47 ng/mL no sangue do grupo que recebeu a megadose de vitamina D3, e

– em 11 ng/mL no grupo placebo.


A mortalidade após 90 dias foi:

– 23% no grupo que recebeu megadose de vitamina D, e

– 21% no grupo placebo.

Não houve diferença clínica entre os grupos quanto a efeitos secundários. A severidade da deficiência de vitamina D no início do estudo não afetou os índices de mortalidade.


O estudo não envolveu pacientes com COVID-19, porém pode-se imaginar uma extensão dos achados a este grupo de casos.


Conclusão

Administração precoce de altas doses de vitamina D3 em pacientes criticamente doentes em UTI não tem vantagem sobre placebo quanto à mortalidade e outras várias situações clínicas após 90 dias de seguimento.

Referência

https://www.nejm.org/doi/10.1056/NEJMoa1911124

TRATAMENTO DE ARTROSE DO QUADRIL E JOELHOS COM FISIOTERAPIA E EXERCÍCIOS

Fisioterapia

O ultrassom terapêutico é um procedimento simples que usa ondas sonoras inaudíveis para aumentar o fluxo sanguíneo, relaxar espasmos musculares e ajudar na cicatrização que leva a alívio mais rápido da dor no quadril e no joelho. O terapeuta aplica gel na pele e move um cabeçote de ultrassom sobre sua pele ao redor da área dolorosa. Em uma técnica especial de ultrassom chamada fonoforese, a medicação (muitas vezes hidrocortisona) é adicionada ao gel.

Em uma pesquisa com fisioterapeutas ortopédicos, mais da metade disse que usaria ultrassom e fonoforese para reduzir a inflamação dos tecidos moles (em tendinite ou bursite, por exemplo). Essas técnicas também são usadas para controlar a dor, curar tecidos e ajudar os músculos a alongar.

A iontoforese usa correntes elétricas para acelerar a entrega de medicamento para o tecido danificado, ou simplesmente para reduzir espasmos musculares e irritação relacionada. Uma quantidade pequena do remédio pastoso é colocada na pele e uma corrente indolor e de baixa intensidade é aplicada por cerca de 10 a 15 minutos. Você pode sentir calor ou formigamento durante o tratamento.

Exercícios terapêuticos

Fortalecer os músculos ao redor de um joelho ou quadril danificado pode ajudar a reduzir o estresse em uma articulação. Por exemplo, seus quadris têm que fazer menos trabalho para suportar seu peso corporal se seus quadríceps, glúteos, isquiotibiais e músculos abdominais são fortes. Quadríceps fortes também podem assumir parte do trabalho absorvente de choque do menisco ou cartilagem nos joelhos. O equilíbrio adequado de força nos músculos pode manter a articulação na posição mais funcional e menos dolorosa. Exercícios de flexibilidade (para esticar e relaxar músculos específicos) também são uma parte importante de um plano de exercícios para melhorar a função articular.

Em um programa com progressão usual, os exercícios são iniciados ainda durante o período de fitsioterapia, e depois mantidos por educador físico acostumado às artroses de quadirl e joelhos. É muito importante saber o que deve ser aplicado ao paciente em termos de cargas e repetições, bem como saber quais os limites de cada pessoa.

Retreinamento de marcha

Problemas no joelho e no quadril podem atrapalhar sua caminhada normal, causando dor, restringindo o movimento articular ou enfraquecendo os músculos. E o padrão normal de uma pessoa de ficar em pé, caminhar ou correr pode trazer problemas articulares. Pode levar muitos anos caminhando com uma marcha anormal antes que ocorra uma lesão articular. Um fisioterapeuta pode analisar sua marcha e ajudá-lo a aprender a se mover de forma mais eficiente. Inicialmente, a marcha “normal” pode parecer estranha. Há necessidade de prática e instrução continuada antes de se tornar confortável, mas eventualmente se tornará natural para você. Fisioterapeutas também podem sugerir uma mudança nos sapatos ou formas de fortalecer os músculos que podem ajudar a restaurar uma marcha mais alinhada.

Modificado de Harvard Bulletin.