Idosos com COVID-19 apresentam sintomas incomuns

Confusão, letargia ou tontura podem ser de vírus, dizem médicos.

Os idosos com COVID-19, doença causada pelo coronavírus, apresentam vários sintomas “atípicos”, complicando os esforços para garantir que eles obtenham tratamento oportuno e adequado, segundo os médicos.

O COVID-19 é tipicamente sinalizado por três sintomas: febre, tosse insistente e falta de ar. Mas os idosos – a faixa etária com maior risco de complicações graves ou morte por essa condição – podem não ter nenhuma dessas características.

Em vez disso, os idosos podem parecer “desligados”, não agindo como eles mesmos, logo após serem infectados pelo coronavírus. Eles podem dormir mais do que o normal ou parar de comer. Eles podem parecer extraordinariamente apáticos ou confusos, perdendo a orientação para o seu entorno. Eles podem ficar tontos e cair. Às vezes, os idosos param de falar ou simplesmente entram em colapso.

Com muitas condições médica associadas, os idosos não se apresentam de uma maneira típica, e estamos vendo isso com o COVID-19 também. A razão tem a ver com a forma como o corpo dos mais velhos respondem a doenças e infecções.

Em idades avançadas a resposta imune de alguém pode estar diminuida e sua capacidade de regular a temperatura pode ser alterada. Doenças crônicas subjacentes podem mascarar ou interferir com sinais de infecção. Algumas pessoas mais velhas, seja por alterações relacionadas à idade ou problemas neurológicos anteriores, como um AVC, podem ter alterado os reflexos da tosse. Outros com comprometimento cognitivo podem não ser capazes de comunicar seus sintomas.

Reconhecer sinais de perigo é importante: se os primeiros sinais de COVID-19 forem perdidos, os idosos podem se deteriorar antes de receber os cuidados necessários. E as pessoas podem entrar e sair de suas casas sem medidas de proteção adequadas, arriscando a propagação da infecção.

Aqui o exemplo real de um homem de 80 anos tratado em meados de março de 2020. Durante um período de dias, esse paciente — que tinha doença cardíaca, diabetes e comprometimento cognitivo moderado — parou de andar e ficou incontinente e profundamente letárgico. Mas não tinha febre ou tosse. Seu único sintoma respiratório: espirrar eventualmente.

A esposa idosa do homem ligou duas vezes para o telefone de emergência. Nas duas vezes, os paramédicos verificaram seus sinais vitais e declararam que estava bem. Depois de outra chamada preocupada do cônjuge sobrecarregado, o clínico da família insistiu que o paciente fosse levado para o hospital, onde deu positivo para COVID-19.

“Eu estava bastante preocupado com os paramédicos e assistentes de saúde que estavam na casa e que não tinham usado equipamento de proteção individual”, disse o médico da família. “Foi surpresa o teste vir positivo para o Coronavírus”.

Outros médicos descrevem o tratamento de idosos que inicialmente parecem ser pacientes de trauma, mas são encontrados com COVID-19. “Eles ficam fracos e desidratados”, dizem eles, “e quando estão para andar entram em colapso e se ferem muito.” Há muitos idosos profundamente desorientados e incapazes de falar e que parecem ter sofrido derrames. “Quando os testamos, descobrimos que o que está produzindo essas mudanças é um efeito central do Coronavírus no cérebro ” afrimam os médicos.

Laura Perry, professora assistente de medicina na Universidade da Califórnia em São Francisco, viu um paciente assim há várias semanas. A mulher, na casa dos 80 anos, tinha o que parecia ser um resfriado antes de ficar muito confusa. No hospital, ela não conseguia identificar onde estava ou ficar acordada durante um exame. Perry diagnosticou delírio hipoativo, um estado mental alterado no qual as pessoas ficam inativas e sonolentas. O paciente deu positivo para coronavírus e ainda está na UTI.

Dr. Anthony Perry, professor associado de medicina geriátrica no Rush University Medical Center, em Chicago, conta sobre uma mulher de 81 anos com náuseas, vômitos e diarreia que teve teste positivo para COVID-19 no pronto-socorro. Depois de receber fluidos intravenosos, oxigênio e medicação para sua perturbação intestinal, ela voltou para casa após dois dias e está indo bem.

Outro paciente de 80 anos com sintomas semelhantes – náuseas e vômitos, mas sem tosse, febre ou falta de ar – está na UTI após receber um teste COVID-19 positivo, tendo que ser colocado em um ventilador. A diferença? Este paciente é frágil com “muitas doenças cardiovasculares”, disse Perry. Fora isso, ainda não está claro por que alguns pacientes mais velhos se sairão bem enquanto outros não.

Até agora, relatos de casos como esses foram anedóticos (isolados). Mas alguns médicos estão tentando coletar informações mais sistemáticas.

Na Suíça, o Dr. Sylvain Nguyen, geriatra do Centro Hospitalar da Universidade de Lausanne, montou uma lista de sintomas típicos e atípicos em pacientes mais velhos do COVID-19 para um artigo a ser publicado na Revue Médicale Suisse. Na lista atípica estão alterações no estado habitual do paciente, delírio, quedas, fadiga, letargia, pressão arterial baixa, deglutição dolorosa, desmaio, diarreia, náusea, vômito, dor abdominal e perda de olfato e paladar.

Os dados vêm de hospitais e asilos na Suíça, Itália e França, disse Nguyen em um e-mail.

Na linha de frente, os médicos precisam ter certeza de avaliar cuidadosamente os sintomas de um paciente mais velho. “Embora tenhamos que observar alta suspeição de COVID-19 porque é tão perigoso na população mais velha, há muitas outras coisas a considerar”, dizem os médicos consultados para este artigo. Idosos também podem se sentir mal porque suas rotinas mudaram. Nos asilos e na maioria dos centros de convivência assistidos, as atividades pararam e “os moradores vão ficar mais fracos e mais descondicionados porque não estão caminhando de e para o refeitório”.

Em casa, idosos isolados podem não estar recebendo tanta ajuda com o gerenciamento de medicamentos ou outras necessidades essenciais de familiares que estão mantendo distância, sugeriram outros especialistas. Ou podem ter se tornado apáticos ou deprimidos.

“Eu gostaria de saber: ‘Qual é o potencial que essa pessoa teve de uma exposição (ao coronavírus), especialmente nas últimas duas semanas?’ “, disse um especialista. Eles têm pessoal de saúde domiciliar chegando? Eles se reuniram com outros membros da família? As condições crônicas estão sendo controladas? Há outro diagnóstico que parece mais provável?

Referência

https://enewspaper.sandiegouniontribune.com/desktop/sdut/default.aspx?edid=1a14ecca-da55-465a-b0ac-5938d6a7fa31

MEGADOSE DE VITAMINA D É INEFICAZ EM PACIENTES CRÍTICOS NA UTI: ESTUDO RANDOMIZADO DUPLO-CEGO NO NEW ENGLAND JOURNAL OF MEDICINE

Estudo que encerra a discussão sobre a proposta de utilizar megadoses de vitamina D em pacientes criticamente doentes foi publicado imediatamente antes do início da atual pandemia, em dezembro de 2019.


O trabalho é rigoroso do ponto de vista metodológico:

  1. randomização após no máximo 12 h de entrada na UTI
  2. dose única de 540.000 UI de vitamina D3 por sonda no estômago, ou placebo
  3. duplo-cego (nem médico nem paciente sabem o que está sendo administrado, para garantir não haver eleição de casos piores ou mais leves em qualquer dos grupos)
  4. avaliação de mortalidade geral após 90 dias.

Para um total de 1.360 pacientes internados com deficiência de vitamina D, detectou-se a grande maioria com valores menores que 20 ng/mL.
Após 3 dias da megadose enteral a vitamina D estava em média no valor de

– 47 ng/mL no sangue do grupo que recebeu a megadose de vitamina D3, e

– em 11 ng/mL no grupo placebo.


A mortalidade após 90 dias foi:

– 23% no grupo que recebeu megadose de vitamina D, e

– 21% no grupo placebo.

Não houve diferença clínica entre os grupos quanto a efeitos secundários. A severidade da deficiência de vitamina D no início do estudo não afetou os índices de mortalidade.


O estudo não envolveu pacientes com COVID-19, porém pode-se imaginar uma extensão dos achados a este grupo de casos.


Conclusão

Administração precoce de altas doses de vitamina D3 em pacientes criticamente doentes em UTI não tem vantagem sobre placebo quanto à mortalidade e outras várias situações clínicas após 90 dias de seguimento.

Referência

https://www.nejm.org/doi/10.1056/NEJMoa1911124

TRATAMENTO DE ARTROSE DO QUADRIL E JOELHOS COM FISIOTERAPIA E EXERCÍCIOS

Fisioterapia

O ultrassom terapêutico é um procedimento simples que usa ondas sonoras inaudíveis para aumentar o fluxo sanguíneo, relaxar espasmos musculares e ajudar na cicatrização que leva a alívio mais rápido da dor no quadril e no joelho. O terapeuta aplica gel na pele e move um cabeçote de ultrassom sobre sua pele ao redor da área dolorosa. Em uma técnica especial de ultrassom chamada fonoforese, a medicação (muitas vezes hidrocortisona) é adicionada ao gel.

Em uma pesquisa com fisioterapeutas ortopédicos, mais da metade disse que usaria ultrassom e fonoforese para reduzir a inflamação dos tecidos moles (em tendinite ou bursite, por exemplo). Essas técnicas também são usadas para controlar a dor, curar tecidos e ajudar os músculos a alongar.

A iontoforese usa correntes elétricas para acelerar a entrega de medicamento para o tecido danificado, ou simplesmente para reduzir espasmos musculares e irritação relacionada. Uma quantidade pequena do remédio pastoso é colocada na pele e uma corrente indolor e de baixa intensidade é aplicada por cerca de 10 a 15 minutos. Você pode sentir calor ou formigamento durante o tratamento.

Exercícios terapêuticos

Fortalecer os músculos ao redor de um joelho ou quadril danificado pode ajudar a reduzir o estresse em uma articulação. Por exemplo, seus quadris têm que fazer menos trabalho para suportar seu peso corporal se seus quadríceps, glúteos, isquiotibiais e músculos abdominais são fortes. Quadríceps fortes também podem assumir parte do trabalho absorvente de choque do menisco ou cartilagem nos joelhos. O equilíbrio adequado de força nos músculos pode manter a articulação na posição mais funcional e menos dolorosa. Exercícios de flexibilidade (para esticar e relaxar músculos específicos) também são uma parte importante de um plano de exercícios para melhorar a função articular.

Em um programa com progressão usual, os exercícios são iniciados ainda durante o período de fitsioterapia, e depois mantidos por educador físico acostumado às artroses de quadirl e joelhos. É muito importante saber o que deve ser aplicado ao paciente em termos de cargas e repetições, bem como saber quais os limites de cada pessoa.

Retreinamento de marcha

Problemas no joelho e no quadril podem atrapalhar sua caminhada normal, causando dor, restringindo o movimento articular ou enfraquecendo os músculos. E o padrão normal de uma pessoa de ficar em pé, caminhar ou correr pode trazer problemas articulares. Pode levar muitos anos caminhando com uma marcha anormal antes que ocorra uma lesão articular. Um fisioterapeuta pode analisar sua marcha e ajudá-lo a aprender a se mover de forma mais eficiente. Inicialmente, a marcha “normal” pode parecer estranha. Há necessidade de prática e instrução continuada antes de se tornar confortável, mas eventualmente se tornará natural para você. Fisioterapeutas também podem sugerir uma mudança nos sapatos ou formas de fortalecer os músculos que podem ajudar a restaurar uma marcha mais alinhada.

Modificado de Harvard Bulletin.

Por que uma vacina contra a COVID-19 está longe de ser realidade?

À medida que o SARS-CoV-2 se espalha, as mortes aumentam e os temores crescem em todo o mundo, empresas de biotecnologia, universidades e agências governamentais lutam – algumas juntas, outras sozinhas – por uma vacina para contê-lo.

No entanto, o processo de aprovação das vacinas é muito mais exigente do que para a maioria dos medicamentos. Mesmo que as amostras passem por testes clínicos sem problemas, a produção de uma vacina de coronavírus utilizável tem um prazo de desenvolvimento de 12 a 18 meses. E o relógio passou a contar a partir de janeiro de 2020.

Isso porque vacinas são dadas a pessoas saudáveis como prevenção e não queremos deixar pessoas saudáveis doentes.

Vacinas preventivas não tratam ou curam doenças – elas preparam seu sistema imunológico para combater uma doença em potencial. Todo esse combate de invasão e defesa acontece em nível celular, envolvendo germes e células muito pequenas para serem vistas com o olho sem ajuda.

Nesta luta dentro do seu corpo os bandidos são germes causadores de doenças, também conhecidos como patógenos, incluindo vírus e bactérias. Os mocinhos são as células de seu sistema inato, chamadas NK (células assassinas naturais, em inglês “natural killer cells”) e também seus glóbulos brancos, especialmente os chamados linfócitos que produzem  anticorpos.

Como as vacinas auxiliam o sistema imunológico

Seu sistema imune mantém você protegido, reconhecendo a diferença entre células saudáveis e prejudiciais.

Um vírus não pode se reproduzir sozinho. Infecta uma célula hospedeira, viaja para o núcleo e sequestra o material genético da célula, forçando-a a fazer mais vírus. Quando patógenos nocivos invadem e começam a se reproduzir, seu sistema imunológico os reconhece por suas formas. Os patógenos têm antígenos, que são proteínas especiais que desencadeiam um ataque do sistema imunológico do seu corpo.

Os sistemas imunológicos não são perfeitos. Em alguns pacientes, eles respondem a infecções com uma reação exagerada que causa inflamação nos pulmões, uma condição conhecida como síndrome do desconforto respiratório agudo. Isso tem sido visto em pacientes com gripe H1N1 e coronavírus, dentre outros.

Você é vacinado ao receber um produto contendo uma variação segura de um patógeno. Isso imita uma infecção. Você não adoece, embora alguns indivíduos possam ter sintomas menores como uma febre leve, mas seus glóbulos brancos produzem anticorpos para combater esse patógeno como uma ameaça real.

Esses anticorpos se ligam a antígenos nos patógenos e impedem que patógenos invadam outras células. Anticorpos sinalizam outros glóbulos brancos, que matam e removem os patógenos.

O problema é que uma forma específica de anticorpo é necessária. O corpo humano tem bilhões de glóbulos brancos, cada um fazendo seu próprio anticorpo em forma especial. Apenas algumas formas de anticorpos serão eficazes contra o patógeno.

Pode levar vários dias para o sistema imunológico produzir anticorpos suficientes para matar os patógenos invasores. Durante esse tempo, um patógeno de ação rápida, que pode replicar bilhões de cópias de si mesmo, é uma ameaça crítica à saúde.

Vacinas aceleram o processo fazendo o sistema imunológico acreditar que está sendo atacado. Depois que uma vacina ativou seu sistema imunológico, um número de glóbulos brancos chamados células de memória estão prontos para fazer anticorpos se os patógenos reais atacarem no futuro. Mesmo anos depois você terá essas células de memória que vão entrar em ação.

Como as vacinas são criadas

Há uma variedade de vacinas, classificadas pela forma como são feitas. A mais comum é a vacina inativada, que usa patógenos que foram mortos ou não podem se reproduzir.

1) Um vírus é injetado em células vivas, como um embrião de galinha, o que permite que ele se reproduza. O vírus é então colocado em um líquido rico em nutrientes.

2) Dentro das células de frango, o vírus modifica seus genes para se reproduzir. Como as células de frango são diferentes das células humanas, o vírus alterado perde sua capacidade de se reproduzir em humanos.

3) O vírus é purificado pela remoção de proteínas de ovos e outros materiais. Um adjuvante, contendo compostos orgânicos ou sais de alumínio que ajudam a desencadear uma resposta imune, é adicionado.

4) O vírus é morto com calor ou formaldeído.

5) A solução é adicionada a um líquido adequado para injeção e os frascos são produzidos na indústria especializada e então a vacina é finalmente distribuida ao consumidor final.

Vacina baseada em RNA

Outros tipos de vacinas usam os ácidos nucleicos DNA e RNA. Usadas apenas em ensaios clínicos até agora, essas vacinas são baseadas em pedaços do código genético do patógeno.

Pesquisadores dizem que as vacinas baseadas em RNA podem ser desenvolvidas mais rapidamente, tratar uma gama mais ampla de doenças e poderia ser muito mais fácil de fabricar do que as vacinas convencionais.

As vacinas de RNA são ótimas se uma vacina tiver que ser construída o mais rápido possível, é uma tecnologia que pode nos dar uma vacina dentro de um ano.

RNA é ácido ribonucleico, uma molécula que regula a atividade celular. Existem diferentes tipos, mas o RNA mensageiro (mRNA) diz às células como fazer proteínas. Proteínas executam quase todas as funções do corpo humano.

A China decodificou a sequência genética do coronavírus SARS-CoV-2 e a tornou pública em 10 de janeiro de 2020. Isso deu início à pesquisa genética em alta velocidade ao redor do mundo, focando nas espículas de proteína do vírus que o circundam como uma coroa. Com a sequência do vírus, uma proteína da espícula pode ser feita sinteticamente em um tubo de ensaio, ou um gene pode ser feito, seja com DNA ou RNA mensageiro.

Na produção de vacinas de DNA ou RNA pode-se pular toda a produção de laboratório. A pessoa é injetada e suas células pegam o RNA e sabem o que fazer. Elas fazem o antígeno (a proteina do vírus) diretamente. E o RNA pode ser sintetizado em grandes quantidades.

Em uma vacina mRNA, o código genético de um antígeno é copiado, e seu RNA é injetado no corpo. O RNA instrui células selecionadas no corpo a produzir o antígeno. O RNA vai expressar fragmentos de proteína de antígeno, o que alerta o sistema imunológico do corpo para começar a produzir anticorpos protetores.

Testes de segurança e eficácia de vacinas levam meses

A Food and Drug Administration dos EUA (e outras agências regulatóriscomo a EMEA na Europa e a ANVISA no Brasil) aprova e licencia uma vacina antes do uso público. As vacinas são desenvolvidas em laboratórios e testadas em animais antes de testes clínicos com voluntários humanos.

Os testes clínicos se concentram na segurança. Vacinas são dadas a adultos saudáveis antes que os pacientes de verdade as recebam.

Os testes são realizados em fases. Em testes pré-clínicos, a vacina é testada em animais para medir toxicidade, eficiência da dosagem e métodos para administrá-la, incluindo via oral, forma por injeção, spray intranasal e outros. Se a vacina protege em modelos animais, ela pode ser feita pura o suficiente para ser testada em humanos.

Os testes de segurança e eficácia normalmente continuam com:

Voluntários adultos e pessoas com a doença ou condição são injetados com a vacina experimental e monitorados para eficácia e efeitos colaterais por vários meses. Número de pessoas envolvidas: 20 a 100.

Os estudos clínicos ampliam para 100 a 300 voluntários com a doença ou condição que têm a mesma idade e saúde física daqueles para os quais a vacina se destina. Estudos podem levar vários meses a dois anos.

A vacina é administrada para 300 a 3.000 voluntários expostos à doença ou condição e testada para segurança e eficácia ao longo de um a quatro anos.

Testes contínuos incluem revisão e aprovação de órgãos de saúde para ter certeza que a vacina é eficaz e segura para uso público. A quarta fase é a vigilância pós-marketing, que monitora os efeitos a longo prazo da vacina. A vacina pode ser retirada do mercado, se necessário.

No caso da COVID-19 os pesquisadores estão acelerando as 3 fases inicias acima para termos vacinas prontas para uso público em 12 a 18 meses.

Esforço internacional de vacinas

Várias empresas de biotecnologia, agências governamentais, universidades e outras organizações fizeram parcerias em todo o mundo em um esforço para encontrar uma vacina contra o coronavírus. Hoje este número está acima de 100 instituições.

Um dos maiores esforços é coordenado pela Coalizão para Inovações em Preparação para Epidemias, uma parceria global que trabalha com empresas, organizações públicas e grupos filantrópicos para acelerar o desenvolvimento de vacinas. Está sediada em Oslo, Noruega.

Fonte: este artigo foi baseado e modificado em publicação do periódico USA Today, de onde as figuras de produção de vacinas foram retirados: https://www.usatoday.com/in-depth/news/2020/03/09/biotech-international-effort-makes-big-push-for-coronavirus-vaccine/4927298002/

ALIMENTOS E COVID-19

Covid-19 é uma doença infecciosa causada pelo novo coronavírus SARS-CoV-2.

Como o Novo Coronavirus é transmitido pelo COVID-19?

O SARS-CoV-2 é transmitido principalmente de pessoa para pessoa através de gotículas respiratórias que entram na boca, nariz ou olhos por mãos contaminadas. Não há evidências atuais de que o SARS-CoV-2 seja transmitido através do consumo alimentar.

Como posso ficar seguro enquanto faço compras?

Para evitar a transmissão, mantenha pelo menos 1,80 m de distância entre você e outros compradores. Evite apertar as mãos, abraços ou outro contato físico. Tente limpar superfícies tocadas com frequência, como carrinhos de supermercado ou alças de cesta com lenços desinfetantes, se disponível. Evite tocar seu rosto. Usar uma máscara de pano na loja pode reduzir o risco de infecção e lembra outras pessoas a participar em distanciamento social. Antes de sair da loja ou enquanto espera na fila do caixa, use desinfetante manual se estiver disponível.

Alguns mercados oferecem luvas descartáveis de borracha para uso enquanto estiver fazendo compras. Lembre que estarão contaminadas, não as leve ao rosto.

Evite fazer compras em público se tiver sintomas como febre ou tosse. Se você é sintomático, usar uma máscara pode ajudar a prevenir a transmissão para outras pessoas. Lavar as mãos com frequência e manter distância entre si e os outros são as melhores maneiras de prevenir doenças respiratórias.

Quais precauções devo tomar ao desempacotar mantimentos?

O tempo está do seu lado. Estudos recentes mostraram que o SARS-CoV-2 pode permanecer infeccioso em superfícies ou objetos por até 72 horas, mas a maioria dos vírus na superfície de materiais comuns torna-se inativa (não infecciosa) após as primeiras 24 horas. Há evidências limitadas de que partículas de vírus nesses produtos transmitem doenças. O vírus na superfície das compras ficará inativado ao longo do tempo depois que as compras forem armazenadas. É improvável que o conteúdo interno dos recipientes lacrados esteja contaminado. Se usar um saco de compras descartável, descarte-o quando estiver em casa. Sacos reutilizáveis podem ser armazenados para uso posterior. Depois de desempacotar suas compras, lave as mãos com água e sabão por pelo menos 20 segundos ou use desinfetante para as mãos que contenha pelo menos 60% de álcool. Limpe superfícies com desinfetantes domésticos ou solução de alvejante de roupas: 5 colheres de sopa em 3 litros de água.

Quais precauções devo tomar ao preparar alimentos?

Se você consumir alimentos logo após desempacotar suas compras, certifique-se de praticar uma boa higiene das mãos antes de comer. Não compartilhe pratos, copos ou talheres com outros. Enxágue bem frutas e legumes com água antes do consumo.

Existem precauções adicionais para idosos?

Adultos com mais de 65 anos e pessoas com condições médicas crônicas são particularmente vulneráveis à doença grave do COVID-19. Se possível, limite as compras em público. Peça a um vizinho ou amigo para pegar as compras e deixá-las fora de sua casa ou trazê-las para dentro de casa, mantendo uma distância de pelo menos 1,80 m. Algumas mercearias oferecem horários especiais pela manhã para os idosos fazerem compras. Tente ligar para sua mercearia local para ver se isso está disponível perto de você. Alguns fornecedores on-line  entregarão    mantimentos  em  sua  casa.

E devo pagar em dinheiro vivo ou com cartão?

Prefira sempre pagar em cartão de débito ou crédito, se disponível. Cédulas de dinheiro e moedas estão comprovadamente contaminadas pelo vírus.

Referência: traduzido e modificado de https://jamanetwork.com/journals/jama/fullarticle/2764560

RETIRAR O TRATAMENTO PARA ESCLEROSE SISTÊMICA (ESCLERODERMIA) DURANTE A COVID-19?

PAINEL DE ESPECIALISTAS OFERECE CONSELHOS SOBRE RISCO AO PACIENTE.

Diante da pandemia de coronavírus em curso, os pacientes com esclerose sistêmica devem continuar imunossupressores para evitar recaídas, mas devem descontinuar se eles ou alguém em sua casa desenvolver sintomas covid-19, de acordo com um painel de especialistas endossado pela World Scleroderma Foundation em uma série de recomendações publicadas na revista científica européia Annals of Rheumatic Diseases.

“Os pacientes infectados pelo SSc SARS-CoV-2 podem estar em risco de um curso de doença grave, seja devido à doença pulmonar intersticial e/ou à imunossupressão”, escreveram Marco Matucci-Cerinic, médico da Universidade de Florença, na Itália, e colegas. “Portanto, sob o guarda-chuva da Fundação Mundial de Esclerodermia (FSM), especialistas mundiais (reumatologia, virologia e imunologia clínica) forneceram respostas às principais questões práticas que médicos e pacientes podem ter ao lidar com a possibilidade/presença da infecção por SARS-CoV-2 (até 14 de abril de 2020).”

1. É possível que pacientes que recebem medicamentos imunossupressores, e/ou aqueles com doença pulmonar intersticial grave (ILD), possam ter um risco aumentado para uma COVID-19 progressiva e em rápida evolução, muito dependendo da gravidade da doença pulmonar da Esclerodermia

2. Embora os provedores devam ponderar cuidadosamente as relações risco-benefício para cada paciente, a imunossupressão deve continuar em pacientes para evitar agudização da Eslcerodermia, devendo qualquer retirada ser considerada com base específica em cada caso

3. No entanto, se o paciente ou um membro de sua família desenvolver sintomas da COVID-19, a imunossupressão deve ser interrompida

4. Diabetes, hipertensão arterial sistêmica, doenças cardiovasculares e outras condições pulmonares crônicas estão associadas a desfechos ruins, e o limiar para recomendar a internação para pacientes com essas comorbidades deve ser baixo

5. Os testes de Coronavírus para todos os pacientes com Esclerodermia não são aconselhados, e os indivíduos que estão em alto risco devem seguir as diretrizes nacionais, estaduais e locais

6. Se um paciente com Esclerodermia apresentar sintomas da COVID-19 um teste diagnóstico deve ser realizado e, enquanto aguarda resultados, deve ser recomendada quarentena para o paciente e seus contatos próximos, com acompanhamentos on-line ou via telefone

7. Drogas antivirais ou tocilizumabe (Actemra) podem ser utilizadas como tratamento de resgate nos casos em que a pneumonia COVID-19 é bilateral e grave, devido à alta possibilidade de uma rápida evolução para a Síndrome de Angústia Respiratória Aguda.

Pacientes com esclerose sistêmica devem continuar imunossupressores para evitar recaídas, mas devem descontinuar se eles ou alguém em sua casa desenvolver sintomas COVID-19, de acordo com o painel de especialistas. “A infecção pelo SARS-CoV-2 é um desafio global e novas iniciativas serão de grande ajuda”, escreveram Matucci-Cerinic e colegas. “O grupo de pesquisa europeu em Esclerodermia EUSTAR lançou um banco de dados dedicado aos pacientes Escleroderma-COVID-19.”

EXAMES DE LABORATÓRIO E COVID-19

Live realizada dia 04 de maio de 2020 junto ao Dr. Carlos David Bichara do Laboratório Amaral Costa em Belém do Pará, agora disponibilizada no YouTube.

Alguns problemas técnicos do Instagram ocorreram, mas o conteúdo está interessante:

  • falsos positivos e falsos negativos nos testes da COVID-19
  • testes sorológicos (anticorpos)
  • exames de laboratório rotineiros e o SARS-CoV-2
  • D-dímeros para que servem
  • LDH
  • VSG e proteina C reativa
Clique para acessar a live sobre exames de laboratório na COVID-19.

NOSSA EPIDEMIA PARTICULAR: BRASIL

Temos vários meses à frente para enfrentamento do SARS-CoV-2, que num país continental não pode ser com políticas uniformes. Veremos inúmeros experimentos sócio-sanitários à frente, distintos em cada região e cidade do país, de acordo com o surgimento de novos focos de casos, de acordo com os recursos locais de saúde e com fatores da população como frequência de idosos e doentes crônicos.

Achatar a curva para se ganhar tempo faz sentido em áreas do país com recursos hospitalares adequados, nosso lado Bélgica. SP aguentou bem a primeira onda dentro dos hospitais de ponta.

Já no lado Índia pode-se tentar achatar a curva o quanto quisermos que de nada ou muito pouco adiantará. Nestas áreas a linha que indica os recursos médico-hospitalares já está ao rés do chão mesmo, sucateada e com o SUS pedindo água há anos. Aqui não adianta querer “ganhar tempo”, porque desvios de recursos permanecem e as instalações são de quinta categoria, quando existem. Manaus e Belém parecem ser os melhores exemplos disto neste momento.

Já temos exemplo claro da falência do sistema com o protocolo sugerido por especialidades médicas para pontuação de candidatos a leito de CTI e respirador: em caso de empate “vale o julgamento da equipe médica”. Sim, veremos subir o número de suicídios dentre os profissionais de saúde também. Médicos não estão normalmente preparados para escolhas de Sofia.

Assim, minha predição é que teremos um pesadelo Darwiniano à frente, com um sem número de casos de seleção natural. Inexorável num país sem ideia de nação, sem união contra um inimigo comum e com grande dificuldade para despolitizar um simples vírus que se mata com água e sabão e se aniquila com distanciamento físico-social.

Vejo com boas razões e como tentativas de acertar as mais variadas postagens nas midias sociais. Abrir ou fechar, contenção horizontal ou vertical, vida ou economia. Os modelos de um ou outro lado nos falham, as ideias brilhantes nos faltam, o desconhecido amedronta e líderes estadistas estão em absoluta falta.

O Brasil é este mosaico e nosso lado Macunaíma nos abençoa e amaldiçoa.

Informações básicas importantes sobre o Coronavírus SARS-COV-2

Um conjunto de casos de pneumonia causada por um novo coronavírus, COVID-19, foi relatado pela primeira vez em Wuhan, na província de Hubei, na China, no final de dezembro de 2019. Desde então, milhares de casos foram relatados na China continental, com a disseminação em mais de duas dezenas de países. Embora muitas comparações com outras epidemias de coronavírus tenham sido feitas, o impacto potencial desse coronavírus é incerto. Buscamos resumir o que se sabe sobre o COVID-19, comparar essa epidemia com surtos anteriores de coronavírus e fornecer uma cartilha sobre novos coronavírus para interessados.

Os coronavírus são difundidos entre mamíferos e aves. As variedades mais amplas de genótipos infectam morcegos, mas 2 subtipos infectam humanos: alfa e beta coronavírus. Coronavírus beta incluem coronavírus de síndrome respiratória aguda grave (SARS-CoV), coronavírus da síndrome respiratória do Oriente Médio (MERS-CoV), e a variante coronavírus COVID-19 descrita pela primeira vez em Wuhan. Em humanos, esses coronavírus têm períodos curtos de incubação, variando de dias para SARS-CoV e semanas para MERS-CoV, com o COVID-19 parecendo cair entre os dois. Embora as informações sobre o COVID-19 sejam emergentes, o SARS-CoV e o MERS-CoV fornecem algum contexto para entender a importância da saúde pública dos coronavírus.

SARS-CoV

SARS-CoV foi notado pela primeira vez na província de Guangdong, na China, em novembro de 2002. O caso inicial foi um médico daquela província que então viajou para Hong Kong e infectou vários outros indivíduos. Posteriormente, o SARS-CoV resultou em mais de 8.000 casos e aproximadamente 750 mortes ocorreram em todo o mundo nos meses seguintes. O surto finalmente terminou em julho de 2003. O Coronavírus da síndrome respiratória aguda grave tipicamente apresentava febre e sintomas de infecção do trato respiratório inferior com evidência radiográfica de pneumonia ou síndrome de angústia respiratória aguda (SDR).

O período de incubação do SARS-CoV é entre 2 e 10 dias. O diagnóstico é baseado no teste de reação em cadeia de polimerase. Os tratamentos tentados incluíram corticosteróides e ribavirina, que não foram considerados benéficos. O cuidado de suporte continua a ser a pedra angular do cuidado para o SARS-CoV, embora estudos in vitro sugiram que os antivirais desenvolvidos na sequência da epidemia do vírus Ebola podem inibir a replicação do SARS-CoV também.

MERS-CoV

MERS-CoV foi notificado pela primeira vez em setembro de 2012. O vírus foi isolado de um homem na Arábia Saudita hospitalizado com infecção do trato respiratório. Desde então, mais de 2.400 casos de MERS-CoV foram reportados à Organização Mundial da Saúde (OMS) dentro e ao redor da Península Arábica. Infecções periódicas e surtos localizados continuaram. Semelhante ao SARS-CoV, a apresentação é tipicamente febre com sintomas de infecção do trato respiratório inferior e evidência radiográfica de pneumonia ou ARDS. Outras manifestações podem incluir insuficiência renal, anorexia, náusea, vômito, diarreia, dor abdominal e coagulação intravascular disseminada. Novamente, os profissionais de saúde foram desproporcionalmente infectados, embora um grande número desses casos tenha sido leve ou assintomático.

O período de incubação do MERS-CoV varia de 1 a 14 dias. O diagnóstico é feito pela identificação do vírus em amostras respiratórias por testes de reação em cadeia de polimerase. O tratamento é amplamente favorável, com foco no manejo de complicações de sepse e ARDS em unidades de terapia intensiva. Os antivirais, como ribavirin e tratamentos à base de interferon, tiveram um benefício questionável, e o papel para esses tratamentos permanece experimental.

COVID-19

Epidemiologia

Mais recentemente, uma nova cepa do coronavírus, COVID-19, foi identificada em Wuhan, uma cidade na província de Hubei, na China. Casos iniciais foram associados a um mercado de frutos do mar que também vendia animais vivos. O mercado de frutos do mar foi fechado e desinfetado para conter o que se pensava ser uma infecção zoonótica, ou seja, uma que é transmitida de animais para humanos. Apesar dessa intervenção, o número relatado de pessoas infectadas aumentou rapidamente e, em 21 de janeiro de 2020, as autoridades sanitárias chinesas relataram pela primeira vez a transmissão de humanos para humanos, incluindo a transmissão para os profissionais de saúde. Desde então, a contagem de casos vem aumentando rapidamente. Houve disseminação de casos internacionalmente para vários países da Ásia, Europa, Américas e Austrália. No momento apenas a Antártica não foi afetada. A transmissão de pessoa para pessoa foi relatada aos familiares, outros contatos próximos e aos profissionais de saúde.

Características Clínicas

Relatórios iniciais sugerem um período de incubação semelhante ao período de incubação de SARS-CoV e MERS-CoV. As características clínicas também são bastante semelhantes a esses vírus: febre, tosse, aperto no peito, dispnéia e dificuldade para respirar. Casos graves com ARDS foram relatados, sendo este um dos principais motivos para a admissão na unidade de terapia intensiva.

Os sintomas gastrointestinais foram relatados em 10% dos casos, proporção maior do que a observada com outros coronavírus. O novo coronavírus também está associado a menos sintomas do trato respiratório superior que outros coronavírus. A febre é um sintoma proeminente, presente em até 98% dos casos.

Entre 20% e 25% necessitam de internação hospitalar por pneumonia e suas complicações. Algo como 5% vão para tratamento em Centro de Terapia Intensiva. Os pacientes internados na UTI apresentaram maior contagem de glóbulos brancos séricos, menor albumina sérica, distúrbios de teste de função hepática e maior concentração de D-dímeros. Significativamente, os casos graves parecem agrupar-se em idosos e, até agora, a doença grave não tem sido amplamente relatada em crianças.

Os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos EUA emitiram orientações provisórias para os profissionais de saúde. Novos coronavírus devem ser suspeitos se os pacientes atenderem aos critérios descritos abaixo. A OMS utiliza critérios semelhantes para identificação de casos.

Critérios de Diagnóstico do COVID-19 para servir de orientação diagnóstica

Febre E sintomas de doença do trato respiratório inferior, incluindo, mas não se limitando a, tosse, dificuldade para respirar →E qualquer um dos seguintes:

a) Nos últimos 14 dias (antes do início dos sintomas), um histórico de viagem da cidade de Wuhan, China

Ou

(b) Nos últimos 14 dias (antes do início dos sintomas), contato próximo com uma pessoa que está sob investigação para COVID-19 enquanto essa pessoa estava doente.

Febre ou sintomas de doença do trato respiratório inferior, incluindo, mas não se limitando a, tosse, dificuldade para respirar →E

Nos últimos 14 dias (antes do início do sintoma), contato próximo com um paciente doente com COVID-19 confirmado laboratorialmente.

O critério de viagem desde a China foi abolido após a epidemia ter se distribuido em todo o mundo, formando uma pandemia.

Abordagem de um Caso Suspeito e Diagnóstico

A abordagem atual inclui diagnóstico e identificação precoce, prevenção de disseminação e gerenciamento de complicações. Cuidados de suporte ideal com isolamento adequado e precauções de controle de infecções são pilares do tratamento. Os profissionais de saúde que encontrarem casos suspeitos devem entrar em contato com o controle local de infecções e escritórios de saúde pública sobre possíveis casos e próximos passos apropriados com base em recursos e protocolos regionais.

Muitas incógnitas permanecem em relação ao COVID-19. O modo exato de transmissão não foi estabelecido. Parece que a maior parte da transmissão ocorre por gotículas espalhadas, ou seja, grandes gotículas que são geradas quando um paciente tosse ou espirra. A transmissão por aerosol após tosse ou falar alto é suportada por várias evidências.

A proteção contra esse tipo de transmissão envolve o uso de máscaras faciais com proteção ocular, luvas, aventais e higiene das mãos. Há uma preocupação de que a transmissão aérea também possa estar desempenhando um papel. Essa possibilidade é mais problemática porque partículas infecciosas transmitidas pelo ar podem permanecer suspensas por longos períodos, a infecção pode ser transmitida para um número maior de pessoas, incluindo aquelas que não estão em contato próximo com o caso inicial, e medidas de proteção incluem o uso de um respirador e a colocação do paciente em salas de pressão de ar negativas que podem não estar disponíveis em todos os centros médicos. Atualmente o CDC recomenda uma combinação de precauções transmitidas pelo ar (colocação do paciente em uma sala de pressão de ar negativa, precauções de contato e uso de proteção ocular para pacientes hospitalizados com suspeita de infecção pelo COVID-19.

Resposta e Impacto na Saúde Pública

Autoridades chinesas fecharam o mercado de peixes inicialmente suspeito como a fonte do vírus em 1º de janeiro de 2020. Em 20 de janeiro, a China confirmou a transmissão humana desse vírus. Em 23 de janeiro o governo chinês suspendeu as viagens aéreas, rodoviárias e ferroviárias na área ao redor de Wuhan, em um esforço para limitar a propagação fora da cidade durante o Ano Novo Chinês, tradicionalmente um momento muito movimentado para viajar. Além disso, reuniões públicas para as festividades de Ano Novo foram proibidas em todo o país. Nos dias seguintes, as ordens de quarentena foram estendidas para cobrir toda a província de Hubei. Apesar dessas medidas rigorosas, a contagem de casos continuou a aumentar dentro da China e vários países, incluindo os Estados Unidos, relataram casos importados.

Em 30 de janeiro a OMS declarou que o surto de COVID-19 era uma emergência de saúde pública de consequência internacional. Em 31 de janeiro os Estados Unidos anunciaram que barrariam a entrada de cidadãos estrangeiros que visitaram a China e que colocariam em quarentena cidadãos americanos que chegassem da China por 14 dias. Simultaneamente, várias grandes companhias aéreas dos Estados Unidos suspenderam vôos para a China continental. Desde então, várias outras nações impuseram proibições semelhantes de viagem. No entanto, no momento desta redação mais de 2,6 milhões de pessoas foram diagnosticadas no mundo e temos perto de 200.000 mortes. Os óbitos parecem estar ocorrendo predominantemente em idosos, com idade mediana de 75 anos em casos notificados, em pessoas com doenças associadas como hipertensão arterial, diabetes e doenças pumonares crônicas, mas ultimamente pacientes mais jovens também vieram a falecer – especialmente homens obesos.

A China foi inicialmente elogiada por seus esforços para controlar o surto, incluindo a construção de uma instalação médica de 1000 leitos em menos de 10 dias. Mais recentemente, a morte de um médico chinês Li Wenlinag, que foi repreendido pelas autoridades chinesas por soar o alarme sobre um grupo de pacientes com pneumonia em dezembro de 2019, reacendeu dúvidas sobre como a China está lidando com a situação.

Conclusão

O COVID-19 resultou em um grande surto de doença respiratória febril originária da China continental. Ainda há muitas incógnitas: modo de transmissão, fatores de risco para infecção e mortalidade, e se há um reservatório não humano que poderia causar surtos adicionais. A China tomou medidas sem precedentes para conter a infecção, com quarentena de grandes cidades, impondo proibições a reuniões em massa e cancelando eventos públicos associados ao Ano Novo Chinês. As proibições de viagens impostas por vários países diminuíram, mas não completamente eliminadas, a propagação fora da China. Além do sofrimento e da perda de vidas, o impacto na cadeia de suprimentos global provavelmente será muito significativo, pois a China como um todo, e Wuhan em particular, são grandes centros fabris.

Estamos em uma pandemia global. Estamos mais preparados hoje do que jamais estivemos no passado para limitar a propagação de infecções em unidades de saúde, porém os recursos são muito variáveis de país para país. Não há características específicas que distinguem essa infecção de outras infecções virais respiratórias. Seguindo as precauções padrão, um conjunto de princípios de controle de infecções que recomendam precauções de bom senso, incluindo fornecer uma máscara a pessoas com tosse em ambientes ambulatoriais, promover a higiene das mãos, não tocar no rosto e pedir aos doentes para manter o distanciamento social, são fundamentais para controlar a propagação rápida do COVID-19 e todas as infecções respiratórias em geral.

Quais são os sintomas do Coronavírus SARS-COV-2?

O Centro para Controle e Prevenção de Doenças dos EUA originalmente listava apenas 3 sintomas de COVID-19: febre, tosse e falta de ar (dispnéia). A organização acaba de expandir esta lista, veja abaixo.

Uma análise prévia da Organização Mundial da Saúde em 56.000 casos da China já havia sido publicada em fevereiro, com os seguintes achados: 

  • Febre (87.9%)
  • Tosse seca (67.7%)
  • Fadiga (38.1%)
  • Produção de escarro (33.4%)
  • Falta de ar (18.6%)
  • Dor de garganta (13.9%)
  • Dor de cabeça (13.6%)
  • Dores musculares (14.8%)
  • Calefrios (11.4%)
  • Náusea ou vômito (5.0%)
  • Congestão nasal (4.8%)
  • Diarréia (3.7%)
  • Tosse com sangue (0.9%)
  • Olhos vermelhos (0.8%)

Um número significativo de casos, talvez perto de 25%, não tem qualquer sintoma, constituindo-se em carreadores assintomáticos que podem espalhar a doença de forma anônima.