As 10 especialidades médicas com mais ações na justiça.

Saiu hoje nos Estados Unidos resultados de pesquisa anual sobre as especialidades com maiores problemas judiciais, em levantamento do site Medscape. Foram 4360 médicos entrevistados em 29 especialidades médicas. Veja abaixo:

1. Cirurgia geral
2. Urologia
3. Otorrinolaringologia
4. Obstetrícia e Ginecologia
5. Cirurgia especializada (neurocirurgia, ortopedia, etc)
6. Radiologia (intervencionista)
7. Medicina de Emergência
8. Cardiologia
9. Gastroenterologia
10. Anestesiologia

De imediato pode-se notar que são especialidades onde os procedimentos intervencionistas são mais praticados e necessários.

Quais os motivos das ações na justiça? Veja a seguir:

– falha no diagnóstico ou sua demora 33%
– complicações de cirurgia ou tratamento 29%
– maus resultados ou progressão de doença 26%
– falha em tratar ou demora no tratamento 18%
– morte por falha médica 16%
– lesão ou injúria anormal 11%
– falha na documentação de instrução e educação do paciente 4%
– erro na administação de remédios 3%
– falha em seguir procedimentos de segurança 2%
– falta de consentimento informado 1%
– outros 11%

Fácil de se observar que a soma está acima dos 100%, ou seja, vários pacientes ou seus familiares entram com ações alegando mais de um tipo de problema. As alegações são as mais variadas, como estas:

“Fiz um procedimento e após 4 semanas retirei a ponta de uma agulha que quebrou e estava no ferimento, o paciente me acionou na justiça”, disse um alergista/imunologista.

“Após a prótese de quadril ficou uma diferença de 0,6 cm no comprimento de uma perna em relação à outra. O paciente entrou com ação indenizatória porque diz ter sido prejudicado na atividade sexual com sua esposa”, afirmou um ortopedista.

Mais da metade dos médicos envolvidos disseram ter sido pegos de surpresa pelas ações judicias (52%), mas 14% não se impressionaram em nada com o acontecido. Outros 34% ficaram “de certa forma surpresos”.

A grande maioria dos médicos achou-se injustiçada (83%) com as queixas dos advogados; 11% não estavam seguros se os processos eram justificáveis e 6% responderam que estava correto terem sido processados. Um médico de família assim justificou seu posicionamento: “As complicações poderiam ter sido completamente evitadas se o paciente tivesse seguido as orientações fornecidas por mim”.

Embora 36% das ações tenham sido concluidas com acordo entre as partes, em quase metade dos casos o ganho foi do profissional médico: 47%. Vários casos permanecem em julgamento.

Por que os processos judiciais ocorrem contra os médicos? A opinião dos profissionais da Medicina é bem interessante:

– 71% acreditam que os pacientes não entendem os riscos envolvidos em procedimentos médicos
– 63% afiraram que os paciente entram na justiça para obter algum ganho e colocar a culpa no profissional
– 25% crêem ser resultado do marketing promovido por advogados
– 23% têm certeza que pacientes querem ganhar dinheiro fácil
– 9% afirmam que os próprios médicos e os hospitais cometem muitos erros.

Pelo menos a metade dos médicos entrevistados acredita que um melhor relacionamento com o paciente e mais tempo dedicado à explanação das condutas e procedimentos teriam evitado o processo judicial.

Será muito diferente no Brasil?

https://www.medscape.com/slideshow/2019-malpractice-report-6012303?src=ban_malpractice2019_desk_mscpmrk_hp

Lúpus: mais remédios para controle dos sintomas ou tratar a cuca antes de mais nada?

As proteinas alteradas no sangue do paciente com lúpus: o pico mais à direita está muito aumentado, refletindo a elevação dos anticorpos dirigidos contra a própria pessoa.

Distúrbios do sono e sintomas depressivos podem ser responsáveis por dor e perda de atenção, memória e concentração no lúpus. O tratamento é com Terapia Cognitivo-Comportamental antes de remédios!

Para saber o que exatamente está envolvido na dor e nas alterações ditas cognitivas (como atenção, memória, orientação) do lúpus eritematoso sistêmico (LES), 115 pacientes foram estudados em Baltimore, EUA.

Como foi feito o estudo?

Todos os pacientes preencheram questionário sobre dor, percepção de estresse, depressão, sono e alteração das funções mentais (chamada disfunção cognitiva). Os autores cuidaram para que as conclusões não fossem alteradas pela presença de fibromialgia, raça do paciente, uso de corticóides (remédios que modificam as funções mentais positiva ou negativamente, conforme o indivíduo), atividade da doença e nível de estresse percebido pelas pessoas.

Resultados

Análises estatísticas sofisticadas (neste caso denominadas análises de mediação) indicaram que os sintomas de dor e de funções mentais alteradas foram mediados por distúrbios do sono e por depressão, ou seja, não vinham diretamente do lúpus. Atividade do lúpus (doença sem bom controle) e nível de estresse também estiveram relacionados com variações das funções mentais.

Conclusões

Os autores concluiram que:

1) este estudo deve ser confirmado em maior grupo de lúpicos, observados ao longo do tempo (num chamado estudo prospectivo)

2) a presença de dor e alterações de funções mentais no lúpus pode ser explicada por distúrbios do sono e sintomas depressivos

3) os achados abrem a perspectiva de tratar alguns sintomas do lúpus através de higiene do sono e melhora da depressão, em intervenções que não necessariamente envolvem remédios imunossupressores

4) especificamente, pacientes com lúpus que apresentam dor e disfunções cognitivas (atenção, memória e orientação alterados) poderiam ser tratados com terapia cognitivo-comportamental, recurso comprovado para reduzir estresse e melhorar vários domínios psicológicos do indivíduo.

Referência

Arthritis Care & Research. 04 May 2018. https://doi.org/10.1002/acr.23593

Estou com depressão? Faça seu diagnóstico em 5 minutos.

Sentir-se triste, com pouca energia e com vontade de desaparecer podem ser sintomas comuns, mas você está se encaminhando para uma depressão verdadeira? Daquelas que necessitam auxílio médico ou psicológico especializado?

Um questionário simples com 9 ítens, denominado PHQ-9 e já traduzido para várias línguas, se propõe a fazer uma triagem de casos de depressão. E não apenas isto, também serve para graduar o problema, dizendo por exemplo se a depressão é leve ou severa. Pode também ser aplicado para verificar a evolução do tratamento, se há resposta aos procedimentos e medicamentos propostos.

A depressão é um dos problemas mais comuns vistos na clínica médica, tanto pelo médico de família quanto por especialistas. Reconhecer sua presença e severidade é, portanto, de suma importância para auxiliar de forma correta os pacientes. Em casos extremos até salvar sua vida, devido ao elevado risco de suicídio. De fato este é um dos diagnósticos mais importantes a ser feito, e não deve ser perdido pelos profissionais que se propõem a exercer sua profissão em elevado nível técnico.

O questionário PHQ-9 tem a vantagem de ser auto-aplicável, você senta e tem o diagnóstico inicial em apenas 3 etapas, a ser confirmado depois pelo médico ou psicólogo:

1. você gradua cada ítem com sua resposta (nunca tenho o sintoma, sinto isto em vários dias, sinto em mais da metade dos dias, ou tenho o sintoma quase todos os dias)

2. você soma os pontos, se o resultado for 10 ou mais você está com depressão, daquelas que necessita auxílio psicológico e médico (em termos técnicos, a maioria dos estudos científicos que utilizaram esta escala fixaram 10 pontos como cut-off para diagnóstico correto de depressão)

3. por último, você pode ainda graduar o problema de acordo com a escala abaixo

  • 0 a 4 pontos = não há depressão
  • 5 a 9 pontos = depressão leve
  • 10 a 14 pontos = depressão moderada
  • 15 a 19 pontos = depressão moderadamente severa
  • 20 a 27 pontos = depressão severa

Acesse o questionário em português aqui (em pdf):

https://www.challiance.org/Resource.ashx?sn=PHQ9BrazilPortuguese

Há muitas escalas tentando fazer o mesmo, esta me pareceu prática e, segundo a literatura, confiável. Sua origem é em Cambridge nos EUA, em Departamento de Psiquiatria associado à escola de Medicina de Harvard.

Se você está com sintomas depressivos, aproveite e responda ao questionário. Ou então encaminhe para quem pode ser útil, com certeza a pessoa e a família lhe agradecerão. Lembre-se que apenas o médico poderá lhe auxiliar e orientar o correto tratamento. Por último, e muito importante: depressão severa carrega consigo elevado risco de suicídio e se constitui numa urgência médica – não deixe para amanhã!

Referência

https://jamanetwork.com/journals/jama/fullarticle/2753532?guestAccessKey=3dad4211-2b6c-412e-a776-0f586eff3682&utm_source=silverchair&utm_medium=email&utm_campaign=article_alert-jama&utm_content=etoc&utm_term=120319

VOCÊ COLABORA COM O CHARLATANISMO MÉDICO?

Responda à lista abaixo e veja se você poderá ser a próxima vítima.

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Utilize a lista abaixo para saber se você é a próxima vítima potencial. É baseada em técnicas clássicas e exemplos do charlatanismo em vários países, que se repetem porque sempre há incautos com dinheiro e esperança.

O profissional chamou sua atenção ou falou a respeito de qualquer um dos seguintes tópicos?

Apenas uma resposta positiva já deve ser considerada um sinal vermelho! Não seja mais uma vítima!

  1. Uso de palavras e expressões apelativas como “espantoso”, “milagroso”, “melhora imediata”, “remédio natural”, “vigor físico”, “corpo perfeito”, “purificar o corpo”, “detoxificar o organismo”, “aumentar o nível de energia”, “incrementar seu sistema imune”.
  2. Testemunho de pessoa que endossa as afirmações, muitas vezes uma modelo, artista, desportista ou outro médico famoso. Os Conselhos de Medicina proibem o uso de pacientes e seus testemunhos como propaganda médica.
  3. O chamado à “teoria da conspiração”: outros profissionais, instituições ou empresas não querem que você saiba de “curas” ou acerca do tratamento proposto porque perderiam dinheiro.
  4. Venda de publicação ou livro próprio que propagandeia os tratamentos oferecidos, em substituição à literatura científica com evidências em dados de pesquisas sérias, conduzidas em centros médicos internacionais de excelência.
  5. Dietas originais, secretas, e spas que aliviam ou curam seus sintomas ou doença, com excesso de exames de laboratório, testes de imagem, além de tratamentos inflacionados por caros suplementos ou métodos alternativos.
  6. Afirmações de cura ou da possibilidade de você cessar seu   tratamento para reumatismos, doenças autoimunes ou câncer.
  7. Anúncio de produto único que irá resolver uma grande variedade de doenças: estes em geral não tratam nenhuma delas de forma eficaz, você deve pagar antecipado, pode-se comprar e levar um bônus ou outro produto grátis, ou então o produto tem estoque limitado.
  8. Consultas longas e minuciosas, com porções generosas de carinho e falsas expectativas para o tratamento, culminando com extensos, caros exames, e enormes receitas de suplementos e vitaminas.
  9. Uso de suplementos ou fórmulas secretas que devem ser ingeridos indefinidamente, com custo elevado e preparo “que só pode ser feito” em local indicado, caso contrário “não funciona”.
  10. Anúncios tipo “garantia de retorno de seu dinheiro”, algo inexistente na Medicina e considerado infração grave do Código de Ética da profissão.
  11. Ostentação e glamourização, com atendimento em clínicas e spas luxuosos frequentadas por famosos, passando imagem de alto sucesso nas midias sociais, TV e jornais.
  12. Ênfase na polarização entre “Medicina tradicional e retrógrada” e a “Medicina nova, moderna e inovadora”, muitas vezes com uso de máquinas luminosas de nomes pomposos e pseudo-científicos.

PRIMEIRA CONSULTA COM O MÉDICO

COMO PROCEDER PARA EXTRAIR O MELHOR DO MÉDICO E FAZER UMA CONSULTA COMO VOCÊ ESPERA

Você tem uma consulta marcada, está nervoso desde já e quer usar o melhor possível seu tempo com o profissional. Recomendo 2 passos:

  1. assista ao vídeo “Como falar com o médico” no canal do YouTube, clique no link https://www.youtube.com/watch?v=zEpl3bLytLE&list=PLNwtw649EU4-xVQZ2Vfbk-IvB8y76Sml4&index=5&t=0s. Enquanto estiver lá, assine o canal para receber atualizações e novos vídeos interessantes
  2. veja o questionário abaixo (clique no link para o pdf ao final). Você pode preenchê-lo, fazer uma cópia e entregar ao médico no início de sua consulta.

Este questionário contém o que os médicos chamam “História de Doenças Passadas” e “Revisão de Sistemas”, ou seja, todas as informações importantes sobre sua saúde, desde que nasceu até o momento da consulta.

São dados indispensáveis para o médico entender melhor o paciente. Além disso, muitas vezes o diagnóstico se encontra nos dados que você irá informar. Por exemplo, você anotou na seção de doenças de pele que tem psoríase há 5 anos e está consultando porque imagina estar com artrite. O médico imediatamente fará a ligação entre os 2 sintomas e irá ponderar a hipótese de artrite psoriásica como diagnóstico final.

Por último, estas duas seções muito importantes da consulta tomam tempo considerável para o médico perguntar, e você pode imaginar desde já que nem todas as informações importantes estarão expostas, portanto, durante a consulta. Você já levando todos os dados de “História de Doenças Passadas” e “Revisão de Sistemas” estará contribuindo sobremaneira com seu médico. E com você mesmo em última instância.

Clique no link abaixo para abrir o questionário e imprimi-lo:

Questionário para sua primeira consulta médica

 

Belimumabe (Benlysta): eficácia se mantém e segurança está garantida após 13 anos de uso no lúpus.

Belimumabe tem indicação para um perfil específico de pacientes lúpicos, como adjuvante após a falha terapêutica dos tratamentos com corticóide, imunossupressores e antimaláricos.

Muito importante o estudo publicado hoje sobre belimumabe para pacientes com lúpus eritematoso sistêmico e que estejam em uso do remédio. O trabalho envolveu vários centros, com 298 pacientes recebendo infusões sequenciais do belimumabe e 1/3 desses completando até 13 anos de acompanhamento.

Resultados

O porcentual de indivíduos que teve efeitos adversos permaneceu estável ou foi caindo com o tempo. O índice de infecções também não se modificou com o passar dos anos e anticorpos protetores (IgG) medidos no sangue não diminuiram. No ano 1 do estudo 33% dos lúpicos atingiram índices clínicos de boas e ótimas respostas, subindo para 76% no ano 12. A dose de corticóides diminuiu para aqueles que utilizavam mais de 7,5 mg de prednisona no início do acompanhamento.

Conclusões

Esta publicação relata o maior tempo já acompanhado de uso do remédio belimumabe em pacientes lúpicos. Houve boa tolerância, sem surgimento de novos ou inesperados efeitos colaterais, e com eficácia se mantendo por 13 anos. Os pacientes que respondem inicialmente bem ao belimumabe podem manter o medicamento a longo prazo, o tratamento continuará a ser efetivo, seguro e com bom controle da doença.

Meus comentários

Este é o primeiro remédio oficialmente aprovado para tratamento do lúpus eritematoso sistêmico em mais de 30 anos. O trabalho tranquiliza médicos e pacientes sobre o uso a longo prazo do belimumabe, embora o número de pacientes efetivamente mantendo o remédio tenha sido bem menor do que gostaríamos: 476 pessoas com lúpus no estudo inicial, dos quais 298 seguiram o acompanhamento a longo prazo, e dos quais apenas 96 permaneceram até o final. Sabemos que muitos lúpicos não respondem ao belimumabe, o efeito benéfico pode se perder ao longo do tempo, ou alguns efeitos secundários comandam sua cessação. Mas é sempre importante termos mais um medicamento no armamentário contra o lúpus, vários pacientes poderão se beneficiar.

Para médicos, um pouco de imunologia

Belimumabe é um anticorpo monoclonal IgG1 cujo alvo é Blys. Blys é uma proteina solúvel indutora de linfócitos B, também tida como fator de sobrevivência para células B. Belimumabe se liga a Blys em circulação e impede sua ligação ao receptor na superfície de linfócitos B, inibindo assim a sobrevivência de células B, incluindo as autoreativas. Com este mecanismo inibitório não há transformação de linfócitos B em plasmócitos e, consequentemente, não há produção de autoanticorpos. As indicações para uso de belimumabe no lúpus são debatíveis, converse com o reumatologista antes de usar em qualquer paciente.

Referências

Consulte a bula aqui: https://consultaremedios.com.br/belimumabe/bula

Artigo original: Daniel J WallaceEllen M GinzlerJoan T MerrillRichard A FurieWilliam StohlW. Winn ChathamArthur WeinsteinJames D McKayW Joseph McCuneMichelle PetriJames FettiplaceDavid A RothBeulah JiAmy Heath.First published: 16 February 2019 https://doi.org/10.1002/art.40861

OBS – esta postagem tem objetivo meramente educativo, não houve recebimento de honorários de qualquer natureza para sua publicação.

Sexo e qualidade de vida em pacientes com espondilite na era dos biológicos.

Mesmo com os remédios mais modernos a vida não é a mesma para quem tem espondilite.

Cientistas da Noruega acabam de publicar na revista canadense Journal of Rheumatology um interessante trabalho feito em homens e mulheres com diagnóstico de espondiloartrite axial. A este grupo de doenças pertence a espondilite anquilosante, a espondilite por psoríase ou por doenças inflamatórias intestinais e a sacroileite indiferenciada, todos reumatismos inflamatórios da coluna e bacia.

Objetivo do trabalho

O objetivo foi explorar as associações entre dados pessoais, variáveis atribuíveis à doença, tipo de tratamento e qualidade de vida sexual em homens e mulheres padecendo de espondiloartrite axial.

Quem foi estudado

Foram incluidos 360 pacientes, 240 homens e 120 mulheres, com idade média de 45,5 anos e espondilite com duração média de 13,9 anos. Desses, 78% eram casados ou residiam com cônjuge, 27% fumavam, 71% estavam empregados, 86% faziam mais de 1 hora de exercícios por semana e 88% tinham o marcador genético HLA-B27, típico de espondilite.

Resultados

Quase a metade (44%) usava anti-inflamatórios sem corticóides, 5% usavam remédios modificadores de doença como o metotrexate e 24% usavam remédios biológicos.

Após análise estatística rigorosa, os escores mais baixos de qualidade de vida sexual ocorreram em mulheres, naquelas com sobrepeso, nos indivíduos com medidas de atividade de doença alteradas (aumento de proteina C reativa ou de índices clínicos similares ao BASDAI – muito conhecido de quem tem a doença) e em uso de tratamento com remédios biológicos.

Conclusão

Pacientes noruegueses com espondilite e doença mal controlada, ainda em processo inflamatório, têm baixa qualidade de vida sexual, mesmo na vigência de tratamento biológico.

Minha mensagem

Sem dúvida outros fatores concorrem para a vida sexual saudável de pacientes com doenças inflamatórias da coluna, principalmente as espondilites, mas é indispensável batalhar pelo controle completo dos sintomas. Isto certamente é possível e parte de uma saudável relação médico-paciente, com confiança nos tratamentos, e na busca incessante pelo melhor remédio biológico para cada pessoa. Não funcionou o primeiro ou o segundo, siga a luta com outro novo recurso terapêutico. Novos biológicos com distintos mecanismos de ação estão lançados a cada momento e raríssimos são os causas sem resposta adequada ou com efeitos colaterais sérios a todos os remédios.

Deixar-se levar pela dor e pela depressão secundária à doença crônica leva à espiral da ansiedade, desvalia, pensamentos negativos e a um buraco sem fundo. Lembre-se que a primeira regra para quem está no buraco é parar de cavar!

Sua qualidade de vida, incluindo a esfera sexual, retornará à normalidade com o controle da espondilite. E transar faz muito bem!

Artigo original

Sexual quality of life in patients with axial spondyloarthritis in the biologic treatment era. Kari Hansen Berg, Gudrun Rohde, Anne Prøven, Esben Esther Pirelli Benestad, Monika Østensen and Glenn Haugeberg. The Journal of Rheumatology February 2019, jrheum.180413; DOI: https://doi.org/10.3899/jrheum.180413.

Rumo à meta dos 120 anos de idade!


Por que não se pensou nisto antes? Estudar o genoma de tartarugas gigantes que vivem muito além dos 100 anos traz grandes novidades na área do envelhecer saudável.

A revista Nature Ecology and Evolution traz os primeiros resultados do genoma de Aldabrachelys gigantea do Oceano Índico e de Lonesome George, último exemplar de Chelonoidis abingdonii das Ilhas Galápagos, falecido há pouco tempo.

Os pesquisadores identificaram 43 gens que sofreram seleção natural positiva na evolução das tartarugas, vários deles implicados na senescência saudável em humanos, regulação do sistema imune e tráfego de vesículas dentro das células.

Outros 3.000 gens foram manualmente selecionados por seu impacto na fisiologia humana e processos de envelhecimento. Claro, vários tiveram que ser descartados, porque diziam respeito à formação do casco das tartarugas, de sua dentição especializada ou aumento corporal – uma tartaruga macho das Galápagos chega facilmente aos 230 Kg de peso. Mas outros gens podem ser muito importantes, como variantes envolvidos na regulação da glicose, proteção imune contra infecções e imunovigilância contra mutações que levam ao câncer.

Além disso, as tartarugas carreiam duplicidade de gens protetores contra câncer, ditos gens supressores de tumores, o que pode pelo menos parcialmente explicar a ausência de tumores nas tartarugas gigantes.

Ao final os autores analisaram 500 gens diretamente relacionados à senescência humana, e descobriram modificações em gens que proporcionam integridade genômica, reparação de falhas no DNA, manutenção de telômeros (extremidades dos cromossomos, com perda progressiva de sua extensão no envelhecimento humano) e função mitocondrial, a par de outros benefícios.

Próximos passos serão identificar as sinalizações dentro das células que farão estes gens funcionarem a favor da longevidade humana, eis que são similares nos humanos e nas tartarugas. E então chegaremos às modificações genéticas positivas que poderão ser introduzidas por vários mecanismos, conferindo aos humanos da segunda metade do século XXI uma vida com mínimo de infecções e quem sabe sem câncer, dentre outros benefícios.

Leia mais em https://www.nature.com/articles/s41559-018-0733-x

As fraudes na área da saúde: como se proteger do charlatanismo disfarçado de medicina alternativa

3a. Parte. Vários exemplos de charlatanismo médico comprovados­ ao longo da história.

Esta é uma lista parcial tomada da Wikipedia e outras fontes com casos famosos de charlatanismo pelo mundo. Muitos foram presos, pagaram indenizações milionárias a suas vítimas e perderam sua licença médica. Outros eram apenas negociantes ou aventureiros, com certeza grandes artistas. Note a persistência de temas como energias curativas estranhas à ciência, megadoses de suplementos  e a onipresença de dietas secretas que curam. Veja também a incrível coincidência com as propostas naturebas de hoje em dia.

  • Thomas Allinson (1858 – 1918, Escócia) – criador da “Naturopatia”, com forte oposição ao uso de vacinas; houve retorno recente desta tese tendo vacinas como causa de autismo – o autor teve que se retratar após processo legal, havia falsificado dados de pesquisa
  • Johanna Brandt (1876 – 1964, África do Sul) – “Cura das uvas” para o câncer
  • John Brinkley (1885 – 1942, EUA) – inventou o transplante de testículos de cabra em homens para cura da impotência, demência, flatulência, pressão alta, doenças mentais e várias outras condições; comprou uma estação de rádio e seu negócio explodiu: chegou a fazer 16.000 cirurgias até sua clínica ser fechada por charlatanismo
  • Hulda Clark (1928 – 2009, EUA) – naturopata, uma das criadoras da chamada medicina alternativa
  • Max Gerson (1881 – 1959, Alemanha e EUA) – “A Dieta de Gerson” para cura de câncer e da maioria das doenças crônico-degenerativas
  • Samuel Hahnemann (1755 – 1843, Alemanha) – fundador da homeopatia, todas as doenças são causadas por “miasmas” definidos como irregularidades na “força vital” do paciente; todas as pesquisas científicas feitas com rigor mostram que a homeopatia tem forte efeito placebo
  • Lawrence Hamlin (1916, EUA) – “Óleo Milagroso” para cura do câncer
  • William J. A. Bailey (EUA) – fundou a Radium Company, cujo carro-chefe de vendas era o “Radithor”, substância radioativa que poderia “invigorar” seus pacientes; o produto era o rádio, descoberto por Marie Curie na França, diluido em água; outros produtos eram o peso de papel e uma fivela para cintos com rádio, para “energia portátil”; não sabemos quantos pacientes morreram de câncer pela radioatividade cumulativa
  • L. Ron Hubbard (1911 – 1986, EUA) – criador da igreja da cientologia e da “dianética”, ideias e práticas metafísicas relacionadas ao corpo e alma e praticadas pela cientologia, Nação do Islã e grupos independentes dianeticistas
  • William Donald Kelley (1925 – 2005, EUA) – criador da “Terapia Metabólica Inespecífica”, dizia que “alimentos incorretos causam crescimento de células malignas, enquanto que alimentos corretos permitem que as defesas naturais do corpo possam atuar”
  • John Harvey Kellog (1852 – 1943, EUA) –considerado o pai do movimento atual para dietas naturais e medicina holística; internava pacientes num Spa carésimo onde os pacientes recebiam dieta vegetariana, exercícios regulares com especial atenção à respiração, sem álcool ou tabaco, preparados com enzimas pancreáticas, 50 vitaminas e suplementos diários (incluindo laetrile ou amigdalina, substância do caroço de algumas frutas que seria a chave para a cura do câncer); era fã dos enemas de limpeza, utilizando uma máquina que injetava litros de água e yogurte no intestino em tratamentos seriados; acreditava que todas as doenças vinham do intestino e pregava abstinência sexual com aplicação de ácido carbólico no clitóris para reduzir o prazer sexual; vegetariano convicto, inventou os flocos de cereais e fundou com seu irmão a fábrica Kellog’s
  • Franz Anton Mesmer (1734 – 1815, Alemanha. Áustria e França) – cura pelo “magnetismo animal” para corrigir imbalanços no fluido universal do corpo; os crédulos eram colocados numa arena com show envolvendo cantos, música, efeitos de luz e cenografia até o clímax do enredo, quando as pessoas tinham uma “crise magnética” e sairiam curadas; esta a origem da palavra “mesmerizado”
  • Theodor Morell (1886 – 1948, Alemanha) – médico pessoal de Hitler, administrava ao ditador 74 substâncias em 28 misturas distintas, incluindo heroina, cocaina, pílulas anti-gás, brometo de potássio, papaverina, testosterona, vitaminas e enzimas animais; Hitler o recomendou a outros líderes nazistas como Himmler e Goebbels, que o descartaram como charlatão
  • Daniel David Palmer (1845 – 1913, EUA) – inventor da quiropraxia, baseada no princípio de que todas as doenças podem ser curadas por correção do desalinhamento da coluna vertebral; a teoria é que o corpo possui um fluido com “inteligência inata” que pode ser liberado a partir da manipulação da coluna e que iria até o órgão doente para curá-lo; também curava por técnica de “mãos magnéticas”; pessoalmente vi pacientes com fratura da coluna após as intempestivas manipulações, uma médica cardiologista inclusive sendo levada de ambulância para descompressão da medula dorsal. Uma vértebra quebrou com o movimento brusco da manipulação e de imediato ficou paralisada da cintura para baixo. Como médica deu-se conta imediata da gravidade da situação, chamou ambulância e avisou o hospital, conseguindo se salvar com neurocirurgia de emergênica – iria ficar em cadeira de rodas o resto de sua vida
  • Linus Pauling (1901 – 1994, EUA) – criador da medicina ortomolecular, com megadoses de vitamina C para cura do câncer e da gripe; faleceu de câncer, embora tomasse até 8 g de vitamina C diariamente; ganhou prêmio Nobel de Medicina por suas contribuições químicas (não pela arte médica)
  • John Henry Pickard (1866 – 1934, EUA) – extrato de herva Sanguinaria, para “cura de pneumonia, tosse, pulmões fracos, asma, problemas de estômago, rins, fígado, bexiga e tônico altamente eficaz para o sangue e nervos”
  • Wilhelm Reich (1897 – 1957, Áustria e EUA) – cura pela “energia cósmica primordial”, que ele chamava “Orgone”, inventor do “Acumulador de Orgônio” para cura do câncer, manipulação do clima e combate a alienígenas do espaço
  • Stanislaw Burzynski (ainda vivo, EUA) – inventor de “antineoplastons” para cura do câncer no Texas; responde a vários processos e é alvo do FDA
  • Ann Louise Gittleman (ainda viva, EUA) – perda de peso por “dietas da moda” de rápido efeito, aliada a “detoxificação” e “radiação eletromagnética”; formada na “Faculdade Clayton de Saúde Natural”, fechada por distribuir diplomas de fachada a pessoas que depois exerciam várias formas de charlatanismo
  • Kevin Trudeau (ainda vivo) – dietas da moda para perda de peso e cura de várias doenças; publicou vários livros com vendas milionárias após propagandas na TV; preso atualmente no estado do Alabama por não pagar sentenças a pacientes que o acionaram na justiça em valores perto de US$ 8 milhões
  • Tullio Simoncini (ainda vivo, Itália) – proclama que o câncer é causado por Candida albicans (gera o popular sapinho na boca de nenês e corrimento vaginal em mulheres adultas), que cresceria dentro dos tumores; promove a “cura através de injeções de bicarbonato de sódio”; condenado em 2006 por morte de paciente devido às injeções
  • Belle Gibson (ainda viva, Austrália) – escreveu sobre a cura de seu câncer no cérebro atavés de terapias alternativas e dietas especiais; condenada por tribunais australianos após se descobrir que nunca esteve doente e que fraudava contribuições a instituições de caridade
  • Bernard Jensen (EUA) – criador da “iridologia”, onde as cores escuras da íris da pessoa (parte colorida do olho) representariam órgãos doentes; em verdade a pessoa nasce e morre sem qualquer alteração na cor de seus olhos ou desenho da íris, razão pela qual é a parte do corpo utilizada hoje nos mais sofisticados sistemas de identificação pessoal; prescrevia dietas da moda e suplementos até hoje vendidos com seu nome; seguidores da família promovem enemas de limpeza e vários outros produtos alternativos em site próprio da Internet
  • Genésio Pacheco da Veiga (Espírito Santo, Brasil) – não poderia faltar um tupiniquim famoso em nossa lista; criador da vacina da brucelose para cura de diversas formas de reumatismo, como artrite reumatoide, lúpus, artrose, esclerodermia, artrite psoriásica, gota e até lesões por esforços repetitivos; sua teoria dava conta que todos os reumatismos são produzidos pela doença bovina brucelose, que raramente infecta seres humanos; as injeções em doses crescentes ainda são vendidas, após propaganda nos classificados de jornais de maior circulação no país, ultimamente pela Internet e em forma de comprimidos. Após criança com artrite juvenil me procurar com deformidades severas, sem poder caminhar, e 2 anos de tratamento com o método alternativo, conseguimos fechar uma clínica de representação das vacinas no sul do país, em ação conjunta com o Conselho Regional de Medicina
  • Jessé Teixeira (Rio de Janeiro, Brasil) – criador e propagador da “autohemoterapia” na década de 1930, para cura de várias doenças; técnica proibida no Brasil pelo Conselho Federal de Medicina, com riscos e sem qualquer comprovação científica; desde que me formei já presenciei três ondas de ressurgimetno da autohemoterapia, a última há poucos anos e com maior intensidade devido à Internet; excelente terapia para estudo do efeito placebo
  • Pierre Delbet (1862 – 1957, França) e Padre Beno José Schorr (falecido em 2005, Brasil)– o francês é inventor da “Magnesioterapia” para cura do câncer, com propriedades disseminadas pelo padre desde a década de 80 no nosso país; tratamento e cura dos reumatismos e várias outras doenças; método barato e de fácil obtenção sem receita médica, boa parte de meus pacientes utilizam o magnésio “porque mal não faz”, mas continuam tendo que consultar; minha observação aqui é que, se magnésio funcionasse para reumatismos, os consultórios de reumatologistas estariam vazios – infelizmente a verdade é o oposto.

As fraudes na área da saúde: como se proteger do charlatanismo disfarçado de medicina alternativa

2a. Parte.  Usando o efeito placebo como prova dos tratamentos

Vejo um grande número de médicos e outros profissionais anunciando nas mídias sociais uma Medicina adjetivada, que passa longe dos princípios mais nobres da profissão. Medicina ortomolecular, Medicina integrativa, Medicina funcional, Medicina holística, Medicina complementar, “Anti-aging” (anti-envelhecimento) e tantos outros termos passam a se integrar a novas promessas de melhora e cura de males crônicos dentro da Odontologia funcional, Nutrição funcional… e adjetive a área do conhecimento que você quiser.

Por trás de uma pseudociência e palavrório difícil, consultas minuciosas com horas de duração, com listas enormes de testes laboratoriais complicados e produtos terapêuticos de nomes mais ainda – e, claro, que só podem ser comprados onde indicado (a maioria das vezes na própria clínica ou pela Internet), esconde-se o interesse pecuniário maior e a confiança de que o efeito placebo existe e funciona.

De fato, nas pesquisas científicas mais sérias comprova-se que em mais de 30% das pessoas há melhora ou desaparecimento de sintomas no grupo que recebeu pílulas de farinha (placebo inerte, sem qualquer função biológica). Por exemplo, quando foram testadas as pílulas de nitrato para angina, mais de 1/3 das pessoas no grupo com placebo tiveram redução da forte dor no peito. Justamente por isso é sempre necessário comparar-se o remédio novo em um grupo que apresenta a doença contra outro grupo com a mesma doença recebendo placebo. E note que os métodos revolucionários propalados pelo charlatanismo nunca sofreram o rigor de tais estudos, não estão publicados. A Medicina tradicional não os entende porque são muito novos e originais, ou a indústria farmacêutica e os médicos tradicionais os escondem porque perderiam seus ganhos – a tradicional e bem difundida teoria da conspiração, que visaria deixar você como sofredor crônico.

“A ciência é a base da medicina e a comprovação científica a base das práticas terapêuticas que devem ser utilizadas. A chamada medicina alternativa foge da ciência, não busca a comprovação experimental e coloca em risco a saúde dos que a utilizam”, Dr. Sergio Ibiapina, presidente do Conselho Federal de Medicina (CFM). O CFM aprovou as resoluções 1.499 e 1.500 proibindo médicos de praticar a chamada medicina alternativa e ortomolecular, trazendo novos adjetivos ao mercado como nomes substitutos (Medicina funcional, Medicina integrativa, medicina holística e outras), burlando assim as resoluções.”

Assim, se você tem um frasco com água colorida vendido com toda a sua arte de persuasão como solução para o problema de várias doenças, estatisticamente você estará auxiliando 30% das pessoas que compram seu produto. Estes por sua vez irão lhe auxiliar a espalhar a boa nova de “cura milagrosa” e trazer uma clientela crescente. No dia em que os outros 70% se derem conta do seu esquema (a fraude), você já estará milionário em outras paragens, já terá inventado um novo placebo, ou já estará no céu.

No caso de doenças autoimunes com dores reumáticas os esquemas fraudulentos até parecem funcionar porque os sintomas costumam ir e vir aleatoriamente, muitas vezes ao sabor das emoções e convicções. Você acha que o novo tratamento está funcionando, quando em verdade é apenas o ir e vir natural dos sintomas da artrite. Na maioria de meus pacientes os sintomas melhoram de forma marcada quando em férias nos melhores hotéis, estações termais e navios de cruzeiro, longe das preocupações do dia-a-dia.

Veja este exemplo de depoimento recebido por Email há poucos dias, dando conta de terapia alternativa da moda no Brasil e típica de efeito placebo, a autohemoterapia, com meus comentários mais adiante.

“Minha história com a Esclerodermia começou em 2004 quando metade do meu corpo tornou-se uma espécie de lixa. Braços, tórax e pernas foram tomados. Manchas esbranquiçadas apareceram principalmente nos braços. Dores articulares nos dedos e punhos. A pedido do Dermatologista fiz biopsia de amostra da pele de um local mais afetado. O resultado foi Esclerodermia ainda localizada.  O médico me informou que não tinha cura e que teríamos que tratar com corticóides. O médico me pediu uns dias para pesquisar a melhor droga a ser utilizada. Neste ínterim recebi de presente um DVD de uma amiga: Conversa com Dr. Luiz Moura sobre Autohemoterapia. Neste DVD ele afirmava que curava pessoas que estavam com a doença somente com este tratamento. Para quem não sabe é a retirada de 10 ml de sangue da veia e a imediata aplicação no músculo uma vez por semana.  De imediato acreditei no assunto e no mesmo dia iniciei as aplicações. Após um mês, ou seja 4 aplicações, a diferença já era visível. A pela melhorou muito e as dores desapareceram. Voltei ao médico, que mesmo vendo o resultado do tratamento, disse que era um risco muito grande já que não havia nenhuma comprovação científica a respeito. Assumi inteira responsabilidade, continuei as aplicações e após mais 4 semanas a pele voltou ao normal. Ou seja, no meu caso, a Autohemoterapia curou a doença em 2 meses. Suspendi as aplicações por 3 meses e não voltou mais. Hoje, após 15 anos, continuo tomando regularmente porque percebi que muitos desconfortos desapareceram. É difícil gripar ou resfriar e quando acontece os sintomas desaparecem rapidamente. Minha pele melhorou, tanto que hoje, 2019, tenho 63 anos e todos afirmam que pareço estar com 50 anos. Claro que não posso afirmar que todos que resolverem se tratar com Autohemoterapia vão se curar, porque depende de outros fatores que não vem ao caso, mas afirmo: vale a pena tentar.”

E meus comentários ao cidadão:

“Prezado Sr., grato pela mensagem e por seu depoimento. Fico feliz que seu problema tenha sido resolvido logo no início. Há 4 dados que necessito lhe passar, importantes para estarmos sempre em benefício da verdade:

substitua “autohemoterapia” na sua mensagem por “garra do diabo”, “terapia detox”, “enemas de purificação” e o resultado positivo seria o mesmo – temos vários depoimentos exatamente como o seu, com cura descrita por esses outros métodos ditos alternativos

o efeito placebo ocorre em até 1/3 das pessoas que utilizam qualquer terapia, tradicional ou alternativa, um número bastante elevado; isto torna indispensável que para cada método de terapêutica se façam estudos científicos com vários pacientes diagnosticados exatamente com a mesma doença, um grupo recebendo a nova droga, remédio ou nova técnica, contra um grupo recebendo placebo

várias doenças autoimunes aparecem e desaparecem naturalmente, ou seja, seguem um curso autolimitado, independente do que a pessoa fizer de tratamento

– por último, e algo de grande importância para seu depoimento, há vários diagnósticos diferenciais de esclerodermia da pele, quando outros órgãos internos não são afetados. Ou seja, a biópsia de pele diagnostica “esclerodermia”, e o trabalho do médico deve ser ato contínuo descobrir qual o tipo exato, através de outros exames subsidiários. Além da forma autoimune, que seu médico diagnosticou e inclusive lhe prescreveu corticóide, há as seguintes formas de esclerodermia, todas podendo ser autolimitadas (ou seja, desaparecem espontaneamente em vários casos): escleredema, escleredema de Buschke, escleromixedema, mucinose papilar, gamopatia monoclonal benigna, amiloidose de cadeias leves, fasciite eosinofílica, mixedema por hipotireoidismo (doença de Hashimoto autolimitada), fibrose sistêmica nefrogênica (após exame de ressonância magnética com contraste), esclerodermia por drogas.

Acredito que seu médico se baseou apenas no exame de anátomo-patologia, a julgar pelo seu depoimento, e não foi adiante na investigação, preferindo lhe passar o curso mais fácil de tratamento – corticóides. Duas linhas de raciocínio no nosso ver equivocadas: diagnóstico incompleto e tratamento apressado.

A autohemoterapia foi inventada na década de 30 do século passado no Rio de Janeiro pelo Dr. Jessé Teixeira, e desde então aparece e desaparece ciclicamente do noticiário. O método é bem simples, como descreves, barato, e funciona em várias pessoas (de acordo com as premissas que escrevi acima). Assim, se de fato resolvesse os diversos casos de doenças crônicas para os quais é proposta, incluindo as doenças autoimunes, teríamos um sem número de pessoas curadas e os consultórios médicos quase vazios. Por exemplo os de reumatologistas. 

Posso lhe assegurar que não é o caso, a maioria dos pacientes que fazem autohemoterapia tiveram que continuar seu tratamento tradicional para esclerose sistêmica, lúpus, artrite reumatoide e tantas outras. Por não ser mais eficaz que o placebo, e por apresentar alguns riscos, o Conselho Federal de Medicina proibiu a técnica no Brasil.

Portanto, em benefício da verdade e de várias outras pessoas desesperadas por cura, no futuro quando der seu corajoso depoimento público, espero que contemple e descreva em sua mensagem os aspectos esclarecedores que tive o cuidado de lhe enumerar. Com cordiais saudações, pedindo excusas por ter lhe tirado de sua zona de conforto”.

As coisas são quase sempre mais complicadas do que o público leigo acredita. Se o primeiro médico não lhe traz confiança, logo lhe prescreve um corticóide sem explicar exatamente seu problema, ou incorre em práticas não ortodoxas como as explicadas aqui, procure de imediato outro profissional.