Categoria: ESPONDILITE

Guia do Colégio Americano de Reumatologia para pacientes reumáticos frente à pandemia do Coronavírus

As declarações e diretrizes da minuta do Colégio Americano de Reumatologia incluem as seguintes recomendações gerais para pacientes com doença reumática:

Pacientes com doença reumática parecem estar em risco de desfechos ruins do COVID-19, principalmente devido a fatores de risco gerais, como idade e comorbidade.

Além de seguir todas as medidas preventivas gerais do COVID-19, os pacientes com doença reumática e seus prestadores devem discutir formas de reduzir o número de encontros de cuidados de saúde e a exposição potencial ao coronavírus, incluindo o monitoramento dos exames com menos frequência, o uso da telemedicina e o aumento do tempo entre doses de medicamentos intravenosos.

Para o tratamento contínuo de pacientes estáveis sem exposição ou infecção por coronavírus, hidroxicloroquina ou cloroquina, sulfasalazina, metotrexato, leflunomida, imunossupressores — como tacrolimus, ciclosporina, micofenolato e azatioprina — biológicos, inibidores JAK e anti-inflamatórios simples podem ser continuados.

Pacientes estáveis sem exposição ou infecção COVID-19 ainda podem receber denosumabe para osteoporose, mas o tempo entre as doses pode ser estendido para até 8 meses, a fim de minimizar os encontros de cuidados de saúde e, se necessário, devido ao acesso limitado às injeções.

Pacientes com doença estável que foram expostos ao coronavírus mas não têm uma infecção conhecida podem continuar com hidroxicloroquina, sulfasalazina e NSAIDs, mas imunossupressores, biológicos não IL-6 e inibidores JAK devem ser descontinuados temporariamente, aguardando um resultado negativo do teste COVID-19 ou após 2 semanas sem sintomas de infecção.

Os inibidores il-6 também podem ser continuados, em circunstâncias selecionadas, entre pacientes com doença reumática estável que foram expostos ao coronavírus, mas ainda não testaram positivo para COVID-19.

Referência: COVID-19 Clinical Guidance for Adult Patients with Rheumatic Diseases. 11 de abril de 2020 – home page ACR.

Sexo e qualidade de vida em pacientes com espondilite na era dos biológicos.

Mesmo com os remédios mais modernos a vida não é a mesma para quem tem espondilite.

Cientistas da Noruega acabam de publicar na revista canadense Journal of Rheumatology um interessante trabalho feito em homens e mulheres com diagnóstico de espondiloartrite axial. A este grupo de doenças pertence a espondilite anquilosante, a espondilite por psoríase ou por doenças inflamatórias intestinais e a sacroileite indiferenciada, todos reumatismos inflamatórios da coluna e bacia.

Objetivo do trabalho

O objetivo foi explorar as associações entre dados pessoais, variáveis atribuíveis à doença, tipo de tratamento e qualidade de vida sexual em homens e mulheres padecendo de espondiloartrite axial.

Quem foi estudado

Foram incluidos 360 pacientes, 240 homens e 120 mulheres, com idade média de 45,5 anos e espondilite com duração média de 13,9 anos. Desses, 78% eram casados ou residiam com cônjuge, 27% fumavam, 71% estavam empregados, 86% faziam mais de 1 hora de exercícios por semana e 88% tinham o marcador genético HLA-B27, típico de espondilite.

Resultados

Quase a metade (44%) usava anti-inflamatórios sem corticóides, 5% usavam remédios modificadores de doença como o metotrexate e 24% usavam remédios biológicos.

Após análise estatística rigorosa, os escores mais baixos de qualidade de vida sexual ocorreram em mulheres, naquelas com sobrepeso, nos indivíduos com medidas de atividade de doença alteradas (aumento de proteina C reativa ou de índices clínicos similares ao BASDAI – muito conhecido de quem tem a doença) e em uso de tratamento com remédios biológicos.

Conclusão

Pacientes noruegueses com espondilite e doença mal controlada, ainda em processo inflamatório, têm baixa qualidade de vida sexual, mesmo na vigência de tratamento biológico.

Minha mensagem

Sem dúvida outros fatores concorrem para a vida sexual saudável de pacientes com doenças inflamatórias da coluna, principalmente as espondilites, mas é indispensável batalhar pelo controle completo dos sintomas. Isto certamente é possível e parte de uma saudável relação médico-paciente, com confiança nos tratamentos, e na busca incessante pelo melhor remédio biológico para cada pessoa. Não funcionou o primeiro ou o segundo, siga a luta com outro novo recurso terapêutico. Novos biológicos com distintos mecanismos de ação estão lançados a cada momento e raríssimos são os causas sem resposta adequada ou com efeitos colaterais sérios a todos os remédios.

Deixar-se levar pela dor e pela depressão secundária à doença crônica leva à espiral da ansiedade, desvalia, pensamentos negativos e a um buraco sem fundo. Lembre-se que a primeira regra para quem está no buraco é parar de cavar!

Sua qualidade de vida, incluindo a esfera sexual, retornará à normalidade com o controle da espondilite. E transar faz muito bem!

Artigo original

Sexual quality of life in patients with axial spondyloarthritis in the biologic treatment era. Kari Hansen Berg, Gudrun Rohde, Anne Prøven, Esben Esther Pirelli Benestad, Monika Østensen and Glenn Haugeberg. The Journal of Rheumatology February 2019, jrheum.180413; DOI: https://doi.org/10.3899/jrheum.180413.