Nova combinação de tratamentos no lúpus pode salvar vidas.

COMBINANDO MEDICAMENTOS BIOLÓGICOS NO LÚPUS

Publicação de 07 de abril de 2018 a partir de um grupo de reumatologistas de Leiden, na Holanda, confirma muito bons resultados em pacientes com lúpus eritematoso sistêmico grave. O feito foi alcançado através da combinação de dois agentes biológicos.
De fato, combinando rituximabe (alvo são os línfócitos B) e belimumabe (alvo é molécula de comunicação e ativação de glóbulos brancos) de forma sequencial trouxe benefícios a pacientes com falha de vários outros tratamentos e acometimento grave de rins, pulmões e outros órgãos internos.
COMO FUNCIONA?
O mecanismo imunológico que traz racional para a combinação ficou comprovado ao se demonstrar diminuição da quantidade de anticorpos ligados ao lúpus (demonstrável pelo exame chamado FAN, Fator Anti-Nuclear, e também pela concentração de autoanticorpos do lúpus como anti-Sm, anti-SSA, e outros) e redução do nível de complexos imunes circulantes (conjuntos protéicos no sangue contendo antígenos, proteinas-alvo dos autoanticorpos, e anticorpos como anti-DNA; estes complexos podem se depositar em órgãos como os rins e causar perda de proteinas com insuficiência renal).
RESULTADOS
Este estudo foi desenhado para servir de conceito para estudos mais amplos, com maior número de pacientes. A combinação de rituximabe com belimumabe não trouxe efeitos colaterais mais sérios e houve respostas muito significativas: 10 dos 16 pacientes com lúpus grave tiveram melhora clínica, cicatrização progressiva de lesões renais em 11 casos e diminuição do uso de outros remédios imunossupressores em 14 pacientes.
Assim, os autores concluem que seu estudo provê nova maneira efetiva de tratamento de pacientes com lúpus grave, a partir da compreensão dos mecanismos básicos da doença e seu ataque através de remédios biológicos com alvos específicos.
COMENTÁRIOS
Para plena comprovação há, é claro, necessidade de expansão deste estudo para um maior número de casos, com desenho randomizado (sorteio aleatório dos casos para cada braço de tratamento) e duplo-cego (nem o médico nem o paciente sabem em qual braço do estudo o paciente foi alocado pelo sorteio).
Porém, como são remédios existentes no mercado brasileiro, com certeza alguns clínicos e reumatologistas já estão aptos a assumir a responsabilidade e prescrever esta combinação para seus pacientes, quando indicado.
Fonte: Kraaij T et al.  The NET-effect of combining rituximab with belimumab in severe systemic lupus erythematosus. J Autoimmun. 2018 Apr 7. pii: S0896-8411(18)30083-0. doi: 10.1016/j.jaut.2018.03.003. ClinicalTrials.gov NCT02284984.

 

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