Eficácia e segurança de agentes biológicos na policondrite recidivante: um estudo francês multicêntrico.

O Estudo

Este trabalho científico retrospectivo envolveu 41 pacientes com policondrite recidivante que tiveram falha no tratamento tradicional, evoluindo para uso subsequente de agentes biológicos. No total foram 105 as instâncias de uso desses medicamentos mais modernos:

  • rituximabe = 7
  • anakinra = 15
  • anti-TNF (adalimumabe, etanercepte, outros) = 60
  • tocilizumabe = 17
  • abatacepte = 6.

O índice de boa resposta clínica foi de 63% após 6 meses, porém apenas 19% dos casos tiveram remissão completa da doença. A redução da dose de corticóide foi variável nos casos estudados. Cerca de 75% dos pacientes cessaram o agente biológico pelos seguintes motivos:

  • eficácia insuficiente = 34% (com variação desde 23% para o tocilizumabe até 73% para o etanercepte)
  • perda de eficácia = 18%, e
  • eventos adversos = 21% (principalmente com anakinra, 47% dos casos).

A possibilidade de manutenção do uso de qualquer dos agentes biológicos não variou entre os diversos produtos. Dentre os agentes anti-TNF, adalimumabe foi o que pode ser usado de forma mais prolongada.

As piores respostas foram vistas em pessoas com complicações, como mielodisplasia (problema autoimune na medula óssea). As melhores respostas clínicas foram vistas em pacientes com condrite nasal e auricular, nas articulações do esterno e com uso concomitante de medicamentos imunomoduladores tradicionais (metotrexate, azatioprina, etc).

Conclusões

Os autores concluem que agentes biológicos podem ser utilizados em casos de policondrite recidivante com doença refratária ao tratamento convencional. No entanto, o número de pessoas com boa resposta foi baixo e houve preocupações com o surgimento de efeitos adversos, principalmente infecções.

Comentário

Por se tratar de doença muito rara, a policondrite recidivante não terá tratamento preferencial em pesquisas terapêuticas. Desta forma, relatos como os do grupo francês acima se revestem de particular importância para orientar-se terapêutica de exceção em casos mais difíceis. O dado de que 1 em cada 5 pacientes entrou em remissão completa me parece muito alvissareiro, em doença tida hoje como incurável e com grande potencial de complicações sistêmicas.

 

Referência

Efficacy and safety of biologics in relapsing polychondritis: a French national multicentre study. Moulis et al. Ann Rheum Dis http://dx.doi.org/10.1136/annrheumdis-2017-212705.

 

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