Categoria: MEDICINA ALTERNATIVA

Sementes de abóbora na hiperplasia de próstata: funcionam?

Quais são os benefícios das sementes de abóbora para a saúde?

Aqui estão alguns artigos da literatura médica, você pode ler e chegar a suas conclusões. Note que pode haver conflitos de interesse nas publicações, o primeiro artigo é feito por funcionários de empresa da Suíça que vende suplemento com sementes de abóbora. Já o segundo investiga um produto à vendas como cuplemento e os autores dizem não ter interesse comercial, porém a indústria pode ter pago o produto utilizado na pesquisa e também várias outras despesas.

Artigo médico 1

Efeitos de um extrato de semente de abóbora hidroetodólica sem óleo na frequência e gravidade dos sintomas em homens com hiperplasia prostática benigna: um estudo piloto em humanos

A maioria dos homens é afetada pela hiperplasia prostática benigna sintomática (HPB) de uma certa idade. Extratos botânicos são frequentemente utilizados no manejo precoce dos sintomas. Em um estudo piloto monocentro de braço único, foram investigados os efeitos de um extrato proprietário de sementes de abóbora hidroetodólica sem óleo sobre os sintomas da HPB. Um total de 60 homens (62,3 anos [intervalo de confiança de 95%): 60,3-64,3 anos)) com um Escore Internacional de Sintomas da Próstata (IPSS) total de 14,8 (9 IC5%: 13,5-16,1) participou entre janeiro de 2017 e outubro de 2017 no estudo ingerindo o extrato de semente de abóbora hidroetodólica sem óleo uma vez por dia antes de ir para a cama durante 3 meses. Foi avaliada a alteração do IPSS dentro do período de tratamento. A frequência de nocturia foi registrada pelo diário da bexiga, e o volume de urina residual pós-evoide foi determinado através de ultrassom. Entre a linha de base e após 12 semanas de suplementação, foi observada uma redução significativa dos sintomas de uma média de 30,1% (IC95%: 23,1-37,1) para o IPSS total. O alívio dos sintomas teve alto impacto na qualidade de vida (P < 0,0001) e foi significativo após 8 e 12 semanas de intervenção (P < .001). A nocturia diminuiu significativamente ao longo do tempo (P < 0,0001), conforme confirmado pelo questionário IPSS e diário de bexiga. O volume de urina residual pós-evoide foi significativamente reduzido ao final da intervenção (linha de base: 83,67 mL [IC 95%: 58,02-109,3]; após 12 semanas: 63,11 mL [IC 95%: 45,37-80,85]; P = 0,0394). Esses resultados indicam que o extrato de sementes de abóbora hidroetodólica sem óleo parece ser um extrato vegetal muito tolerável e adequado para apoiar benefícios à saúde em um sofrimento coletivo de sintomas relacionados à hipertrofia da próstata sem a necessidade de tratamento médico.

J Med Food . 2019 Jun;22(6):551-559. doi: 10.1089/jmf.2018.0106. Epub 2019 Apr 24. Effects of an Oil-Free Hydroethanolic Pumpkin Seed Extract on Symptom Frequency and Severity in Men with Benign Prostatic Hyperplasia: A Pilot Study in Humans. Martin Leibbrand 1, Simone Siefer 2, Christiane Schön 2, Tania Perrinjaquet-Moccetti 3, Albert Kompek 4, Anca Csernich 4, Franz Bucar 5, Matthias Heinrich Kreuter 3

Artigo médico 2

Prospectivo Multicentro Open-Label One-Arm Trial Investigando uma semente de abóbora, isoflavonóides e mistura de cranberry em sintomas do trato urinário inferior/hiperplasia prostática benigna: um estudo piloto

A fitoterapia para sintomas do trato urinário inferior (LUTSs) devido à hiperplasia benigna da próstata (HPB) é progressivamente exigida pelos pacientes e confiável pelos médicos. O objetivo foi avaliar a eficácia de uma mistura de extrato de sementes de abóbora, isoflavonóides de germe de soja e cranberry (Novex®) no manejo de LUTS leves a moderados em pacientes com HPB. Foram recrutados pacientes do sexo masculino com idade ≥ 40 anos, que tinham LUTS leves a moderados durante >6 meses na triagem, sem terapia prévia ou que ainda são sintomáticos apesar do uso atual de bloqueadores alfa. Os critérios de exclusão foram um IPSS >19 e uma idade > 80 anos. O composto misto foi administrado oralmente, diariamente, por 3 meses. Os pacientes foram avaliados por meio de IPSS, índice urológico de qualidade de vida (uQoL) e Índice Internacional de Função Erétil (IIEF-5) em 3 consultas: linha de base (visita 1), 30 dias (visita 2) e 90 dias após o tratamento (visita 3). Dos 163 pacientes triados, foram recrutados 128 pacientes (61,8 ± 9,9 anos). O IPSS melhorou de 15 (Q1 : 12-Q3 : 17) na visita 1, para 11 (Q1 : 8-Q3 : 14) na visita 2, e para 9 (Q1 : 6-Q3 : 12) na visita 3 (p < 0,001). uQoL melhorou de 4 (3-4) na visita 1, para 3 (2-3) na visita 2, e para 2 (1-2) na visita 3 (p < 0,001). Os pacientes tiveram um escore IIEF-5 de 15 (12-18,7) na visita 1, 15 (12-18) na visita 2, e 17 (13-19) em visita 3 (p=0,99 visitas 1 vs. 2, p=0,004 visitas 2 vs. 3, e p=0,001 visitas 1 vs. 3). Tratar pacientes leves a moderados de LUTS/BPH com Novex® pode, portanto, aliviar os sintomas, melhorar a qualidade de vida e ter um leve efeito benéfico na função erétil.

Adv Urol . 2020 Jan 13;2020:6325490. doi: 10.1155/2020/6325490. eCollection 2020. Prospective Multicenter Open-Label One-Arm Trial Investigating a Pumpkin Seed, Isoflavonoids, and Cranberry Mix in Lower Urinary Tract Symptoms/Benign Prostatic Hyperplasia: A Pilot Study. Elie Nemr 1, Elie El Helou 1, Georges Mjaess 1, Albert Semaan 1, Josselin Abi Chebel 1

Artigo médico 3

O papel da Cucurbita pepo no manejo de pacientes afetados por sintomas do trato urinário inferior devido à hiperplasia prostática benigna: Uma revisão narrativa

Objetivo: Os compostos fitoterápicos são amplamente utilizados no tratamento de sintomas do trato urinário mais baixo (LUTS) relacionados à hiperplasia prostática benigna (BPH) devido a baixos perfis e custos de efeito colateral, alto nível de aceitação pelos pacientes e baixa taxa de abandono. Aqui, buscamos analisar todas as evidências disponíveis sobre o papel de Cucurbita pepo no tratamento do LUTS-BPH.

Material e métodos: Em maio de 2016 foi realizada uma busca sistemática na Biblioteca Nacional de Medicina Pubmed, banco de dados Scopus e no site oficial da Isi Web of Knowledge, a fim de identificar todos os estudos publicados sobre Cucurbita pepo e BPH. Foram utilizadas as seguintes cordas de pesquisa: “Cucurbita pepo” OU “semente de abóbora” e “próstata”; “Cucurbita pepo” E “antiandrogen” ou “antiproliferativo” OU “anti-inflamatório” OU “atividades antioxidantes”; “cucurbita pepo” OU “semente de abóbora” E “LUTS” E “melhora dos sintomas” OU “qualidade de vida”. Consideramos para a presente análise apenas estudos relacionados ao LUTS-BPH.

Resultados: Dentre todos os 670 selecionados, 16 foram relacionados ao LUTSBPH e finalmente analisados. Entre todos, dez deles foram realizados em “ambiente in vitro” mostrando efeito anti-inflamatório e antiandrógeno, e redução no crescimento da próstata e atividade destrusor, enquanto seis foram estudos clínicos. Em todos os estudos foi relatada uma melhoria no Escore Internacional de Sintomas Prostáticos (IPSS) e nos parâmetros de urofluxometria. Em 4 estudos foi relatada uma melhora na qualidade de vida.

Conclusão: Com base em nossa revisão narrativa, o uso de Cucurbita pepo na gestão de pacientes afetados pelo LUTS-BPH parece ser útil para melhorar os sintomas e a qualidade de vida. No entanto, futuros ensaios clínicos devem ser realizados para confirmar esses resultados promissores.

Arch Ital Urol Androl. 2016 Jul 4;88(2):136-43. doi: 10.4081/aiua.2016.2.136.The role of Cucurbita pepo in the management of patients affected by lower urinary tract symptoms due to benign prostatic hyperplasia: A narrative review. Rocco Damiano 1, Tommaso Cai, Paolo Fornara, Corrado Antonio Franzese, Rosario Leonardi, Vincenzo Mirone

Artigo médico 4

Efeitos da semente de abóbora em homens com sintomas do trato urinário inferior devido à hiperplasia prostática benigna no estudo GRANU de um ano, randomizado e controlado por placebo

Introdução: O estudo German Research Activities on Natural Urologicals (GRANU) foi um estudo randomizado, parcialmente cego, controlado por placebo, em grupo paralelo que investigou a eficácia da semente de abóbora em homens com sintomas do trato urinário inferior sugestivos de hiperplasia prostática benigna (BPH/LUTS).

Sujeitos e métodos: Um total de 1.431 homens (50-80 anos) com BPH/LUTS foram aleatoriamente atribuídos a sementes de abóbora (5 g b.i.d.), cápsulas com extrato de sementes de abóbora (500 mg b.i.d.) ou placebo correspondente. O critério de resposta primária foi a diminuição do Escore Internacional de Sintomas da Próstata (IPSS) de ≥5 pontos da linha de base após 12 meses. As medidas de desfecho secundário incluíram qualidade de vida relacionada ao IPSS, itens únicos IPSS e nocturia registrada por diário.

Resultados: Após 12 meses, a taxa de resposta (abordagem de intenção de tratar/última observação-levada à frente) não difere entre extrato de sementes de abóbora e placebo. No caso da semente de abóbora (respondentes: 58,5%), a diferença em relação ao placebo (respondentes: 47,3%) foi descritivamente significativo. Os produtos do estudo foram bem tolerados. No geral, em homens com BPH, 12 meses de tratamento com sementes de abóbora levaram a uma redução clinicamente relevante no IPSS em comparação com o placebo.

Conclusão: Para justificar plenamente uma recomendação para o uso de sementes de abóbora para tratar LUTS moderados, esses achados precisam ser comprovados em estudo confirmatório ou revisão sistemática.

2015;94(3):286-95. doi: 10.1159/000362903. Epub 2014 Sep 5. Effects of pumpkin seed in men with lower urinary tract symptoms due to benign prostatic hyperplasia in the one-year, randomized, placebo-controlled GRANU study. Winfried Vahlensieck 1, Christoph Theurer, Edith Pfitzer, Brigitte Patz, Norbert Banik, Udo Engelmann

ASPECTOS CLÍNICOS DA INTOXICAÇÃO POR VITAMINA D: como começou a onda das megadoses e suas consequências

In Younger Parkinson's Patients, Vitamin D May Help Balance, Study Says


Em 1938 já tínhamos publicação de observações sobre alguns pacientes com artrite reumatoide tratados por alergia respiratória (febre do feno) com megadoses de vitamina D3 (200.000 a 400.000 UI/dia). Outras doenças infecciosas como a tuberculose e inúmeras outras condições crônicas receberam a vitamina D sob o manto da cura. O procedimento foi logo abandonado devido aos efeitos colaterais e ao risco de fatalidades associados à elevação marcada do cálcio no sangue. A chamada hipercalcemia. Além é claro de o efeito benéfico ter sido anedótico (poucos casos) ou auto-limitado, e não ter trazido resultados duradouros.

Recente revisão publicada na revista online Frontiers in Endocrinology mostra os aspectos clínicos e o histórico da intoxicação pela vitamina D3, atualmente um diagnóstico em grande alta nos consultórios médicos devido à retomada do modismo de tratamento de inúmeras doenças com megadoses desta vitamina/hormônio.


O recurso terapêutico da década de 30 do século passado parece ter encontrado inúmeros seguidores, mesmo com a falta absoluta de trabalhos científicos comprovando sua utilidade para as inúmeras doenças em que vem sendo indicado.
Neste sentido podemos traçar paralelo com a auto-hemoterapia, também propalada como cura de várias doenças naquela mesma época e que de quando em quando reaparece como recurso de tratmento.
Veja aqui o sumário da publicação em tradução eletrônica e, ao final, o link para a referência completa em pdf gratuito.


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Sumário

Confusão, apatia, vômitos recorrentes, dor abdominal, poliuria, polidipsia e desidratação são os sintomas clínicos mais frequentemente observados de toxicidade da vitamina D (VDT, também chamado de intoxicação por vitamina D ou hipervitaminose D). VDT e sua manifestação clínica, hipercalcemia grave, estão relacionados à ingestão excessiva a longo prazo de vitamina D, defeitos da via metabólica da vitamina D, ou a existência de doença coincidente que produz a vitamina D ativa metabólito localmente. Embora o VDT seja raro, os efeitos na saúde podem ser graves se não forem prontamente identificados. Existem muitas formas de VDT exógeno (iatrogênico, provocado por prescrição médica) e endógeno. VDT exógeno é geralmente causado pela ingestão inadvertida ou inadequada de doses extremamente altas de preparações farmacológicas de vitamina D e está associado com hipercalcemia. As concentrações de soro da 25-hidroxivitamina D [25(OH)D] superiores a 150 ng/ml (375 nmol/l) são a marca registrada do VDT devido à sobredosagem de vitamina D. O VDT endógeno pode desenvolver-se a partir da produção excessiva de um metabólito ativo de vitamina D – 1,25(OH)2D em doenças granulomatosas e em alguns linfomas ou da redução da degradação desse metabólito na hipercalcemia infantil idiopática. O VDT endógeno também pode desenvolver-se a partir de uma produção excessiva de 25(OH)D e 1,25(OH)2D em distúrbios congênitos, como a síndrome de Williams-Beuren. Testes laboratoriais durante exames clínicos de rotina podem revelar hipercalcemia assintomática causada pela ingestão de vitamina D mesmo em doses recomendadas para a população em geral e consideradas seguras. Esse fenômeno, chamado de hipersensibilidade à vitamina D, reflete o metabolismo de vitamina D desregulado. Pesquisadores propuseram muitos processos para explicar o VDT. Esses processos incluem atividade elevada de 1α-hidroxilase ou atividade inibida de 24-hidroxilase, ambos levando ao aumento da concentração de 1,25(OH)D; aumento do número de receptores de vitamina D; e saturação da capacidade de proteína de ligação de vitamina D. O aumento da conscientização pública sobre os benefícios relacionados à saúde da vitamina D pode aumentar o risco de intoxicação devido à autoadministração da vitamina D em doses maiores do que recomendadas para idade e peso corporal ou até mesmo superior aos valores de ingestão de limite superior estabelecidos. Consequentemente, a incidência de hipercalcemia devido à hipervitaminose D pode aumentar.”


Referênciahttps://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC6158375/

FDA (EUA) TEM PROIBIÇÃO DE USO DE OZONIOTERAPIA DESDE 2019. ESTADO DO TEXAS PROCESSANDO CLÍNICA DE OZONIOTERAPIA.


Dentro das formas de medicina alternativa, a ozonioterapia parece ter papel de destaque. Frente à celeuma recente de indicação do método para COVID-19 no Brasil por parte de médicos holísticos, homeopatas e outros (entendo que incluindo ortomoleculares), fiz revisão rápida da literatura a respeito.


Descrevo aqui 3 níveis de evidências:

  1. estudo de revisão publicado por autores espanhóis em maio de 2020 promovendo o uso da ozonioterapia, com doses e aplicações na COVID-19, dizem que há extensa literatura a respeito, mas que “não vamos nos ocupar disto nesta revisão” (??!!). Falam de vários efeitos teóricos do método in vitro e extrapolam para uso humano, sem citar referências complementares às afirmações. Trabalho indexado no PubMed.

Referênciahttps://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC7156242/
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2) FDA americano em seu sítio dá conta dos efeitos tóxicos do ozônio e traz considerações sobre as máquinas que o produzem:
“[Código de Regulamentos Federais][Título 21, Volume 8][Revisado a partir de 1º de abril de 2019][CITE: 21CFR801.415]Consulte informações relacionadas sobre o nível máximo aceitável de ozônio. em bancos de dados CDRHTÍTULO 21 – ALIMENTOS E DROGASCAPÍTULO I – ADMINISTRAÇÃO DE ALIMENTOS E DROGASDEPARTAMENTO DE SAÚDE E SERVIÇOS HUMANOSSUBCHAPTER H–DISPOSITIVOS MÉDICOS
Sec. 801.415 Nível máximo aceitável de ozônio.O ozônio é um gás tóxico sem aplicação médica útil conhecida em terapia específica, adjuntiva ou preventiva. Para que o ozônio seja eficaz como um germicídio, ele deve estar presente em uma concentração muito maior do que a que pode ser tolerada com segurança pelo homem e pelos animais.Embora tenham sido relatados efeitos fisiológicos indesejáveis no sistema nervoso central, coração e visão, o efeito fisiológico predominante do ozônio é a irritação primária das membranas mucosas. A inalação de ozônio pode causar irritação suficiente nos pulmões para resultar em edema pulmonar. O aparecimento de edema pulmonar geralmente é adiado por algumas horas após a exposição; assim, a resposta sintomática não é um aviso confiável de exposição a concentrações tóxicas de ozônio. Uma vez que a fadiga olfativa se desenvolve prontamente, o odor do ozônio não é um índice confiável de concentração atmosférica de ozônio.Uma série de dispositivos atualmente no mercado geram ozônio por design ou como subproduto. Uma vez que a exposição ao ozônio acima de uma certa concentração pode ser prejudicial à saúde, qualquer dispositivo será considerado adulterado e/ou mal identificado dentro do significado das seções 501 e 502 do ato, se for usado ou destinado ao uso.”


Referênciahttps://www.accessdata.fda.gov/scripts/cdrh/cfdocs/cfcfr/CFRSearch.cfm?fr=801.415
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3) O Estado Texas está processando clínica que vinha promovendo tratamento da COVID-19 por ozonioterapia. O nome da clínica: Centro do Bem-Estar da Pureza.
“Tribunal proíbe Dallas Wellness Center de fazer ‘Terapia de Ozônio’ como tratamento COVID-1924 de abril de 2020Um tribunal federal entrou com uma liminar permanente impedindo um suposto centro de “terapia de ozônio” em Dallas de oferecer tratamentos não comprovados para o COVID-19, anunciou hoje a procuradora Erin Nealy Cox.Em um processo civil apresentado no Tribunal Distrital dos EUA para o Distrito Norte do Texas, o governo alegou que os réus, Centros de Saúde e Bem-Estar da Pureza e um dos diretores da empresa, Jean Juanita Allen, promoveram fraudulentamente a chamada terapia de ozônio como tratamento para o COVID-19.Os réus concordaram em ser obrigados por uma liminar permanente que os impedia de representar que o ozônio poderia ser usado para tratar ou curar o COVID-19. A ordem foi feita na sexta-feira de manhã pelo juiz distrital dos EUA Sam A. Lindsay.”Este réu se aproveitou do medo público, vendendo tratamentos falsos que não tiveram absolutamente nenhum efeito contra o COVID-19″, disse a procuradora do Distrito Norte do Texas Erin Nealy Cox. “Como dissemos em casos civis covid-19 anteriores: o Departamento de Justiça não permitirá que ninguém explore uma pandemia para ganho pessoal.””O Departamento de Justiça não vai ficar parado e permitir a promoção fraudulenta de supostos tratamentos COVID-19 que não fazem bem e que podem ser prejudiciais”, disse a procuradora-geral assistente Jody Hunt, da Divisão Civil do Departamento de Justiça. “Estamos trabalhando com a polícia e parceiros de agências para impedir aqueles que tentam lucrar vendendo produtos inúteis durante essa pandemia.”De acordo com os arquivos do tribunal, a Sra. Allen disse a um interlocutor se passando por um cliente em potencial que, embora o ozônio pudesse ser perigoso, o tratamento da Pureza era seguro mesmo para crianças, sanitizaria qualquer coisa, e erradicaria infecções virais ou bacterianas.Os arquivos do tribunal alegaram que a Sra. Allen alegou que os tratamentos de ozônio da Pureza – que ela afirmou que aumentariam o oxigênio no sangue, impossibilitando a manifestação dos vírus – eram 95% eficazes até mesmo para alguém que testou positivo para COVID-19. Ela alegou que uma equipe de “médicos” havia recomendado uma “sauna de vapor de ozônio” para alguém com COVID-19.No Instagram, a Purity Health & Wellness afirmou que o ozônio era a “única prevenção” para o COVID-19 e insistiu que o tratamento poderia “erradicar” o vírus. O centro também alegou que o ozônio poderia combater outras doenças mortais, incluindo câncer, SARS e Ebola.”Não permitiremos que ninguém lucre ilegalmente explorando o medo e a ansiedade relacionados à pandemia COVID-19″, disse o agente especial do FBI Dallas, Matthew J. DeSarno. “O FBI e nossos parceiros estão trabalhando juntos todos os dias para prevenir, detectar e desmantelar fraudes COVID-19.””A FDA continuará ajudando a garantir que aqueles que colocam lucros acima da saúde pública durante a pandemia COVID-19 sejam interrompidos”, disse Stacy Amin, conselheira-chefe da Food and Drug Administration. “Estamos totalmente comprometidos em trabalhar com o Departamento de Justiça para tomar as medidas apropriadas contra aqueles que comprometem a saúde dos americanos com tratamentos não comprovados.”A ação de execução foi processada pelo procurador Patrick Runkle, do Ramo de Defesa do Consumidor da Divisão Civil e pelo procurador assistente kenneth Coffin da Procuradoria do Distrito Norte do Texas. O procurador assistente Fabio Leonardi é o Coordenador de Fraudes covid-19 do Distrito Norte do Texas. O caso foi investigado pelo Escritório de Campo do FBI em Dallas e pelo Escritório de Investigações Criminais da Administração de Alimentos e Drogas dos EUA.Para obter informações sobre os esforços do Departamento de Justiça para impedir atividades ilegais relacionadas ao COVID-19, visite http://www.justice.gov/coronavirus ou https://www.justice.gov/usao-ndtx/report-covid-19-fraud.&#8221;


Referênciahttps://www.fda.gov/inspections-compliance-enforcement-and-criminal-investigations/press-releases/court-prohibits-dallas-wellness-center-touting-ozone-therapy-covid-19-treatment

Foto por Pixabay em Pexels.com

VOCÊ COLABORA COM O CHARLATANISMO MÉDICO?

Responda à lista abaixo e veja se você poderá ser a próxima vítima.

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Utilize a lista abaixo para saber se você é a próxima vítima potencial. É baseada em técnicas clássicas e exemplos do charlatanismo em vários países, que se repetem porque sempre há incautos com dinheiro e esperança.

O profissional chamou sua atenção ou falou a respeito de qualquer um dos seguintes tópicos?

Apenas uma resposta positiva já deve ser considerada um sinal vermelho! Não seja mais uma vítima!

  1. Uso de palavras e expressões apelativas como “espantoso”, “milagroso”, “melhora imediata”, “remédio natural”, “vigor físico”, “corpo perfeito”, “purificar o corpo”, “detoxificar o organismo”, “aumentar o nível de energia”, “incrementar seu sistema imune”.
  2. Testemunho de pessoa que endossa as afirmações, muitas vezes uma modelo, artista, desportista ou outro médico famoso. Os Conselhos de Medicina proibem o uso de pacientes e seus testemunhos como propaganda médica.
  3. O chamado à “teoria da conspiração”: outros profissionais, instituições ou empresas não querem que você saiba de “curas” ou acerca do tratamento proposto porque perderiam dinheiro.
  4. Venda de publicação ou livro próprio que propagandeia os tratamentos oferecidos, em substituição à literatura científica com evidências em dados de pesquisas sérias, conduzidas em centros médicos internacionais de excelência.
  5. Dietas originais, secretas, e spas que aliviam ou curam seus sintomas ou doença, com excesso de exames de laboratório, testes de imagem, além de tratamentos inflacionados por caros suplementos ou métodos alternativos.
  6. Afirmações de cura ou da possibilidade de você cessar seu   tratamento para reumatismos, doenças autoimunes ou câncer.
  7. Anúncio de produto único que irá resolver uma grande variedade de doenças: estes em geral não tratam nenhuma delas de forma eficaz, você deve pagar antecipado, pode-se comprar e levar um bônus ou outro produto grátis, ou então o produto tem estoque limitado.
  8. Consultas longas e minuciosas, com porções generosas de carinho e falsas expectativas para o tratamento, culminando com extensos, caros exames, e enormes receitas de suplementos e vitaminas.
  9. Uso de suplementos ou fórmulas secretas que devem ser ingeridos indefinidamente, com custo elevado e preparo “que só pode ser feito” em local indicado, caso contrário “não funciona”.
  10. Anúncios tipo “garantia de retorno de seu dinheiro”, algo inexistente na Medicina e considerado infração grave do Código de Ética da profissão.
  11. Ostentação e glamourização, com atendimento em clínicas e spas luxuosos frequentadas por famosos, passando imagem de alto sucesso nas midias sociais, TV e jornais.
  12. Ênfase na polarização entre “Medicina tradicional e retrógrada” e a “Medicina nova, moderna e inovadora”, muitas vezes com uso de máquinas luminosas de nomes pomposos e pseudo-científicos.

As fraudes na área da saúde: como se proteger do charlatanismo disfarçado de medicina alternativa, 3a. parte.

Vários exemplos de charlatanismo médico comprovados­ ao longo da história.

Esta é uma lista parcial tomada da Wikipedia e outras fontes com casos famosos de charlatanismo pelo mundo. Muitos foram presos, pagaram indenizações milionárias a suas vítimas e perderam sua licença médica. Outros eram apenas negociantes ou aventureiros, com certeza grandes artistas. Note a persistência de temas como energias curativas estranhas à ciência, megadoses de suplementos  e a onipresença de dietas secretas que curam. Veja também a incrível coincidência com as propostas naturebas de hoje em dia.

  • Thomas Allinson (1858 – 1918, Escócia) – criador da “Naturopatia”, com forte oposição ao uso de vacinas; houve retorno recente desta tese tendo vacinas como causa de autismo – o autor teve que se retratar após processo legal, havia falsificado dados de pesquisa
  • Johanna Brandt (1876 – 1964, África do Sul) – “Cura das uvas” para o câncer
  • John Brinkley (1885 – 1942, EUA) – inventou o transplante de testículos de cabra em homens para cura da impotência, demência, flatulência, pressão alta, doenças mentais e várias outras condições; comprou uma estação de rádio e seu negócio explodiu: chegou a fazer 16.000 cirurgias até sua clínica ser fechada por charlatanismo
  • Hulda Clark (1928 – 2009, EUA) – naturopata, uma das criadoras da chamada medicina alternativa
  • Max Gerson (1881 – 1959, Alemanha e EUA) – “A Dieta de Gerson” para cura de câncer e da maioria das doenças crônico-degenerativas
  • Samuel Hahnemann (1755 – 1843, Alemanha) – fundador da homeopatia, todas as doenças são causadas por “miasmas” definidos como irregularidades na “força vital” do paciente; todas as pesquisas científicas feitas com rigor mostram que a homeopatia tem forte efeito placebo
  • Lawrence Hamlin (1916, EUA) – “Óleo Milagroso” para cura do câncer
  • William J. A. Bailey (EUA) – fundou a Radium Company, cujo carro-chefe de vendas era o “Radithor”, substância radioativa que poderia “invigorar” seus pacientes; o produto era o rádio, descoberto por Marie Curie na França, diluido em água; outros produtos eram o peso de papel e uma fivela para cintos com rádio, para “energia portátil”; não sabemos quantos pacientes morreram de câncer pela radioatividade cumulativa
  • L. Ron Hubbard (1911 – 1986, EUA) – criador da igreja da cientologia e da “dianética”, ideias e práticas metafísicas relacionadas ao corpo e alma e praticadas pela cientologia, Nação do Islã e grupos independentes dianeticistas
  • William Donald Kelley (1925 – 2005, EUA) – criador da “Terapia Metabólica Inespecífica”, dizia que “alimentos incorretos causam crescimento de células malignas, enquanto que alimentos corretos permitem que as defesas naturais do corpo possam atuar”
  • John Harvey Kellog (1852 – 1943, EUA) –considerado o pai do movimento atual para dietas naturais e medicina holística; internava pacientes num Spa carésimo onde os pacientes recebiam dieta vegetariana, exercícios regulares com especial atenção à respiração, sem álcool ou tabaco, preparados com enzimas pancreáticas, 50 vitaminas e suplementos diários (incluindo laetrile ou amigdalina, substância do caroço de algumas frutas que seria a chave para a cura do câncer); era fã dos enemas de limpeza, utilizando uma máquina que injetava litros de água e yogurte no intestino em tratamentos seriados; acreditava que todas as doenças vinham do intestino e pregava abstinência sexual com aplicação de ácido carbólico no clitóris para reduzir o prazer sexual; vegetariano convicto, inventou os flocos de cereais e fundou com seu irmão a fábrica Kellog’s
  • Franz Anton Mesmer (1734 – 1815, Alemanha. Áustria e França) – cura pelo “magnetismo animal” para corrigir imbalanços no fluido universal do corpo; os crédulos eram colocados numa arena com show envolvendo cantos, música, efeitos de luz e cenografia até o clímax do enredo, quando as pessoas tinham uma “crise magnética” e sairiam curadas; esta a origem da palavra “mesmerizado”
  • Theodor Morell (1886 – 1948, Alemanha) – médico pessoal de Hitler, administrava ao ditador 74 substâncias em 28 misturas distintas, incluindo heroina, cocaina, pílulas anti-gás, brometo de potássio, papaverina, testosterona, vitaminas e enzimas animais; Hitler o recomendou a outros líderes nazistas como Himmler e Goebbels, que o descartaram como charlatão
  • Daniel David Palmer (1845 – 1913, EUA) – inventor da quiropraxia, baseada no princípio de que todas as doenças podem ser curadas por correção do desalinhamento da coluna vertebral; a teoria é que o corpo possui um fluido com “inteligência inata” que pode ser liberado a partir da manipulação da coluna e que iria até o órgão doente para curá-lo; também curava por técnica de “mãos magnéticas”; pessoalmente vi pacientes com fratura da coluna após as intempestivas manipulações, uma médica cardiologista inclusive sendo levada de ambulância para descompressão da medula dorsal. Uma vértebra quebrou com o movimento brusco da manipulação e de imediato ficou paralisada da cintura para baixo. Como médica deu-se conta imediata da gravidade da situação, chamou ambulância e avisou o hospital, conseguindo se salvar com neurocirurgia de emergênica – iria ficar em cadeira de rodas o resto de sua vida
  • Linus Pauling (1901 – 1994, EUA) – criador da medicina ortomolecular, com megadoses de vitamina C para cura do câncer e da gripe; faleceu de câncer, embora tomasse até 8 g de vitamina C diariamente; ganhou prêmio Nobel de Medicina por suas contribuições químicas (não pela arte médica)
  • John Henry Pickard (1866 – 1934, EUA) – extrato de herva Sanguinaria, para “cura de pneumonia, tosse, pulmões fracos, asma, problemas de estômago, rins, fígado, bexiga e tônico altamente eficaz para o sangue e nervos”
  • Wilhelm Reich (1897 – 1957, Áustria e EUA) – cura pela “energia cósmica primordial”, que ele chamava “Orgone”, inventor do “Acumulador de Orgônio” para cura do câncer, manipulação do clima e combate a alienígenas do espaço
  • Stanislaw Burzynski (ainda vivo, EUA) – inventor de “antineoplastons” para cura do câncer no Texas; responde a vários processos e é alvo do FDA
  • Ann Louise Gittleman (ainda viva, EUA) – perda de peso por “dietas da moda” de rápido efeito, aliada a “detoxificação” e “radiação eletromagnética”; formada na “Faculdade Clayton de Saúde Natural”, fechada por distribuir diplomas de fachada a pessoas que depois exerciam várias formas de charlatanismo
  • Kevin Trudeau (ainda vivo) – dietas da moda para perda de peso e cura de várias doenças; publicou vários livros com vendas milionárias após propagandas na TV; preso atualmente no estado do Alabama por não pagar sentenças a pacientes que o acionaram na justiça em valores perto de US$ 8 milhões
  • Tullio Simoncini (ainda vivo, Itália) – proclama que o câncer é causado por Candida albicans (gera o popular sapinho na boca de nenês e corrimento vaginal em mulheres adultas), que cresceria dentro dos tumores; promove a “cura através de injeções de bicarbonato de sódio”; condenado em 2006 por morte de paciente devido às injeções
  • Belle Gibson (ainda viva, Austrália) – escreveu sobre a cura de seu câncer no cérebro atavés de terapias alternativas e dietas especiais; condenada por tribunais australianos após se descobrir que nunca esteve doente e que fraudava contribuições a instituições de caridade
  • Bernard Jensen (EUA) – criador da “iridologia”, onde as cores escuras da íris da pessoa (parte colorida do olho) representariam órgãos doentes; em verdade a pessoa nasce e morre sem qualquer alteração na cor de seus olhos ou desenho da íris, razão pela qual é a parte do corpo utilizada hoje nos mais sofisticados sistemas de identificação pessoal; prescrevia dietas da moda e suplementos até hoje vendidos com seu nome; seguidores da família promovem enemas de limpeza e vários outros produtos alternativos em site próprio da Internet
  • Genésio Pacheco da Veiga (Espírito Santo, Brasil) – não poderia faltar um tupiniquim famoso em nossa lista; criador da vacina da brucelose para cura de diversas formas de reumatismo, como artrite reumatoide, lúpus, artrose, esclerodermia, artrite psoriásica, gota e até lesões por esforços repetitivos; sua teoria dava conta que todos os reumatismos são produzidos pela doença bovina brucelose, que raramente infecta seres humanos; as injeções em doses crescentes ainda são vendidas, após propaganda nos classificados de jornais de maior circulação no país, ultimamente pela Internet e em forma de comprimidos. Após criança com artrite juvenil me procurar com deformidades severas, sem poder caminhar, e 2 anos de tratamento com o método alternativo, conseguimos fechar uma clínica de representação das vacinas no sul do país, em ação conjunta com o Conselho Regional de Medicina
  • Jessé Teixeira (Rio de Janeiro, Brasil) – criador e propagador da “autohemoterapia” na década de 1930, para cura de várias doenças; técnica proibida no Brasil pelo Conselho Federal de Medicina, com riscos e sem qualquer comprovação científica; desde que me formei já presenciei três ondas de ressurgimetno da autohemoterapia, a última há poucos anos e com maior intensidade devido à Internet; excelente terapia para estudo do efeito placebo
  • Pierre Delbet (1862 – 1957, França) e Padre Beno José Schorr (falecido em 2005, Brasil)– o francês é inventor da “Magnesioterapia” para cura do câncer, com propriedades disseminadas pelo padre desde a década de 80 no nosso país; tratamento e cura dos reumatismos e várias outras doenças; método barato e de fácil obtenção sem receita médica, boa parte de meus pacientes utilizam o magnésio “porque mal não faz”, mas continuam tendo que consultar; minha observação aqui é que, se magnésio funcionasse para reumatismos, os consultórios de reumatologistas estariam vazios – infelizmente a verdade é o oposto.

As fraudes na área da saúde: como se proteger do charlatanismo disfarçado de medicina alternativa, 2a. parte.

Usando o efeito placebo como prova dos tratamentos

Vejo um grande número de médicos e outros profissionais anunciando nas mídias sociais uma Medicina adjetivada, que passa longe dos princípios mais nobres da profissão. Medicina ortomolecular, Medicina integrativa, Medicina funcional, Medicina holística, Medicina complementar, “Anti-aging” (anti-envelhecimento) e tantos outros termos passam a se integrar a novas promessas de melhora e cura de males crônicos dentro da Odontologia funcional, Nutrição funcional… e adjetive a área do conhecimento que você quiser.

Por trás de uma pseudociência e palavrório difícil, consultas minuciosas com horas de duração, com listas enormes de testes laboratoriais complicados e produtos terapêuticos de nomes mais ainda – e, claro, que só podem ser comprados onde indicado (a maioria das vezes na própria clínica ou pela Internet), esconde-se o interesse pecuniário maior e a confiança de que o efeito placebo existe e funciona.

De fato, nas pesquisas científicas mais sérias comprova-se que em mais de 30% das pessoas há melhora ou desaparecimento de sintomas no grupo que recebeu pílulas de farinha (placebo inerte, sem qualquer função biológica). Por exemplo, quando foram testadas as pílulas de nitrato para angina, mais de 1/3 das pessoas no grupo com placebo tiveram redução da forte dor no peito. Justamente por isso é sempre necessário comparar-se o remédio novo em um grupo que apresenta a doença contra outro grupo com a mesma doença recebendo placebo. E note que os métodos revolucionários propalados pelo charlatanismo nunca sofreram o rigor de tais estudos, não estão publicados. A Medicina tradicional não os entende porque são muito novos e originais, ou a indústria farmacêutica e os médicos tradicionais os escondem porque perderiam seus ganhos – a tradicional e bem difundida teoria da conspiração, que visaria deixar você como sofredor crônico.

“A ciência é a base da medicina e a comprovação científica a base das práticas terapêuticas que devem ser utilizadas. A chamada medicina alternativa foge da ciência, não busca a comprovação experimental e coloca em risco a saúde dos que a utilizam”, Dr. Sergio Ibiapina, presidente do Conselho Federal de Medicina (CFM). O CFM aprovou as resoluções 1.499 e 1.500 proibindo médicos de praticar a chamada medicina alternativa e ortomolecular, trazendo novos adjetivos ao mercado como nomes substitutos (Medicina funcional, Medicina integrativa, medicina holística e outras), burlando assim as resoluções.”

Assim, se você tem um frasco com água colorida vendido com toda a sua arte de persuasão como solução para o problema de várias doenças, estatisticamente você estará auxiliando 30% das pessoas que compram seu produto. Estes por sua vez irão lhe auxiliar a espalhar a boa nova de “cura milagrosa” e trazer uma clientela crescente. No dia em que os outros 70% se derem conta do seu esquema (a fraude), você já estará milionário em outras paragens, já terá inventado um novo placebo, ou já estará no céu.

No caso de doenças autoimunes com dores reumáticas os esquemas fraudulentos até parecem funcionar porque os sintomas costumam ir e vir aleatoriamente, muitas vezes ao sabor das emoções e convicções. Você acha que o novo tratamento está funcionando, quando em verdade é apenas o ir e vir natural dos sintomas da artrite. Na maioria de meus pacientes os sintomas melhoram de forma marcada quando em férias nos melhores hotéis, estações termais e navios de cruzeiro, longe das preocupações do dia-a-dia.

Veja este exemplo de depoimento recebido por Email há poucos dias, dando conta de terapia alternativa da moda no Brasil e típica de efeito placebo, a autohemoterapia, com meus comentários mais adiante.

“Minha história com a Esclerodermia começou em 2004 quando metade do meu corpo tornou-se uma espécie de lixa. Braços, tórax e pernas foram tomados. Manchas esbranquiçadas apareceram principalmente nos braços. Dores articulares nos dedos e punhos. A pedido do Dermatologista fiz biopsia de amostra da pele de um local mais afetado. O resultado foi Esclerodermia ainda localizada.  O médico me informou que não tinha cura e que teríamos que tratar com corticóides. O médico me pediu uns dias para pesquisar a melhor droga a ser utilizada. Neste ínterim recebi de presente um DVD de uma amiga: Conversa com Dr. Luiz Moura sobre Autohemoterapia. Neste DVD ele afirmava que curava pessoas que estavam com a doença somente com este tratamento. Para quem não sabe é a retirada de 10 ml de sangue da veia e a imediata aplicação no músculo uma vez por semana.  De imediato acreditei no assunto e no mesmo dia iniciei as aplicações. Após um mês, ou seja 4 aplicações, a diferença já era visível. A pela melhorou muito e as dores desapareceram. Voltei ao médico, que mesmo vendo o resultado do tratamento, disse que era um risco muito grande já que não havia nenhuma comprovação científica a respeito. Assumi inteira responsabilidade, continuei as aplicações e após mais 4 semanas a pele voltou ao normal. Ou seja, no meu caso, a Autohemoterapia curou a doença em 2 meses. Suspendi as aplicações por 3 meses e não voltou mais. Hoje, após 15 anos, continuo tomando regularmente porque percebi que muitos desconfortos desapareceram. É difícil gripar ou resfriar e quando acontece os sintomas desaparecem rapidamente. Minha pele melhorou, tanto que hoje, 2019, tenho 63 anos e todos afirmam que pareço estar com 50 anos. Claro que não posso afirmar que todos que resolverem se tratar com Autohemoterapia vão se curar, porque depende de outros fatores que não vem ao caso, mas afirmo: vale a pena tentar.”

E meus comentários ao cidadão:

“Prezado Sr., grato pela mensagem e por seu depoimento. Fico feliz que seu problema tenha sido resolvido logo no início. Há 4 dados que necessito lhe passar, importantes para estarmos sempre em benefício da verdade:

substitua “autohemoterapia” na sua mensagem por “garra do diabo”, “terapia detox”, “enemas de purificação” e o resultado positivo seria o mesmo – temos vários depoimentos exatamente como o seu, com cura descrita por esses outros métodos ditos alternativos

o efeito placebo ocorre em até 1/3 das pessoas que utilizam qualquer terapia, tradicional ou alternativa, um número bastante elevado; isto torna indispensável que para cada método de terapêutica se façam estudos científicos com vários pacientes diagnosticados exatamente com a mesma doença, um grupo recebendo a nova droga, remédio ou nova técnica, contra um grupo recebendo placebo

várias doenças autoimunes aparecem e desaparecem naturalmente, ou seja, seguem um curso autolimitado, independente do que a pessoa fizer de tratamento

– por último, e algo de grande importância para seu depoimento, há vários diagnósticos diferenciais de esclerodermia da pele, quando outros órgãos internos não são afetados. Ou seja, a biópsia de pele diagnostica “esclerodermia”, e o trabalho do médico deve ser ato contínuo descobrir qual o tipo exato, através de outros exames subsidiários. Além da forma autoimune, que seu médico diagnosticou e inclusive lhe prescreveu corticóide, há as seguintes formas de esclerodermia, todas podendo ser autolimitadas (ou seja, desaparecem espontaneamente em vários casos): escleredema, escleredema de Buschke, escleromixedema, mucinose papilar, gamopatia monoclonal benigna, amiloidose de cadeias leves, fasciite eosinofílica, mixedema por hipotireoidismo (doença de Hashimoto autolimitada), fibrose sistêmica nefrogênica (após exame de ressonância magnética com contraste), esclerodermia por drogas.

Acredito que seu médico se baseou apenas no exame de anátomo-patologia, a julgar pelo seu depoimento, e não foi adiante na investigação, preferindo lhe passar o curso mais fácil de tratamento – corticóides. Duas linhas de raciocínio no nosso ver equivocadas: diagnóstico incompleto e tratamento apressado.

A autohemoterapia foi inventada na década de 30 do século passado no Rio de Janeiro pelo Dr. Jessé Teixeira, e desde então aparece e desaparece ciclicamente do noticiário. O método é bem simples, como descreves, barato, e funciona em várias pessoas (de acordo com as premissas que escrevi acima). Assim, se de fato resolvesse os diversos casos de doenças crônicas para os quais é proposta, incluindo as doenças autoimunes, teríamos um sem número de pessoas curadas e os consultórios médicos quase vazios. Por exemplo os de reumatologistas. 

Posso lhe assegurar que não é o caso, a maioria dos pacientes que fazem autohemoterapia tiveram que continuar seu tratamento tradicional para esclerose sistêmica, lúpus, artrite reumatoide e tantas outras. Por não ser mais eficaz que o placebo, e por apresentar alguns riscos, o Conselho Federal de Medicina proibiu a técnica no Brasil.

Portanto, em benefício da verdade e de várias outras pessoas desesperadas por cura, no futuro quando der seu corajoso depoimento público, espero que contemple e descreva em sua mensagem os aspectos esclarecedores que tive o cuidado de lhe enumerar. Com cordiais saudações, pedindo excusas por ter lhe tirado de sua zona de conforto”.

As coisas são quase sempre mais complicadas do que o público leigo acredita. Se o primeiro médico não lhe traz confiança, logo lhe prescreve um corticóide sem explicar exatamente seu problema, ou incorre em práticas não ortodoxas como as explicadas aqui, procure de imediato outro profissional.

As fraudes na área da saúde: como se proteger do charlatanismo disfarçado de medicina alternativa, 1a. parte.

A farsa que aproveita a vulnerabilidade do paciente

O charlatanismo médico se refere a práticas de saúde ou remédios que não têm bases científicas para sua indicação. Está baseado em pretensas teorias que misturam conhecimentos de ciências básicas como imunologia, bioquímica, genética e fisiologia, de forma fragmentada, ininteligível e claramente manipulativa para bons conhecedores, porém que impressionam a potencial vítima.

“Charlatanismo. Ação, comportamento, dito ou prática de charlatão: charlatanice. Exploração da credulidade pública através da venda de produtos e/ou serviços incapazes de curar doenças”. http://www.dicio.com.br

Alguns fatos médicos mais recentes são aproveitados para criar teorias abrangentes que explicariam todos os males, com oferta de produtos pelo próprio profissional ou por seu grupo: extensas consultas, dietas da moda, suplementos infindáveis, cursos para leigos e para outros profissionais, livros e até spas de imersão por vários dias. E a preços muitas vezes exorbitantes, por incríveis séries de tratamento com promessa de curas ou de cessação de todos os remédios.

Assim já ocorreu historicamente com os radicais livres e as extensas fórmulas ortomoleculares, abrindo espaço para os ditos quelódromos – espaços compartilhados em clínicas de infusão endovenosa com múltiplas substâncias quelantes de toxinas e metais. Depois com as chamadas “intoxicações crônicas” vistas no cabelo e suas curas detox. A teoria do “foco infeccioso” na boca, com extrações dentárias múltiplas, retorna após várias décadas até via Netflix, com fortunas sendo gastas em uma assim chamada odontologia holística que exige extrações e implantes a peso de ouro. E, ultimamente, implicando o intestino como criminoso da vez, trazendo uma chamada “remissão das doenças autoimunes” (são mais de 200 distintas!) pelas medicina e  nutrição funcionais.

A trama se aproveita de um paciente que sofre, em estado vulnerável ou terminal. Pessoas desesperadas são aqui a melhor presa. E o princípio de Hipócrates primum non nocere (acima de tudo não lesar o paciente), jurado pelo médico no dia de sua formatura, é esquecido atrás de um livro no consultório.

Pior que a fortuna gasta pelos brasileiros em terapias alternativas e sem embasamento científico sólido é o dano à sua própria saúde, por serem conduzidos para longe de atendimento médico idôneo. Além dos efeitos secundários muitas vezes letais dos tratamentos alternativos. Uma médica gastroenterologista me comentou recentemente sobre o crescente número de casos graves de pancreatite aguda e de perfuração intestinal por altas doses de magnésio e outros produtos em “curas” de doenças autoimunes após megadoses de suplementos, também de vitamina D. Apenas um exemplo de vários que estão surgindo a todo momento.

“É hora de a comunidade científica parar de dar passe livre à medicina alternativa. Não pode haver dois tipos de medicina – a convencional e a alternativa. Há apenas a medicina que foi adequadamente testada, e não a que não o foi”. Marcia Angell & Jerome Kassirer, New England Journal of Medicine, 1998.

Médicos e cientistas dedicam suas vidas  para encontrar tratamentos, seja para cura ou para controle de doenças crônicas como as autoimunes e câncer, com causas ainda desconhecidas.

Ofertas de tratamentos miraculosos para solucionar estas doenças respaldadas em narrativas de que toda a comunidade científica está ‘desatualizada’ ou ‘de má-vontade’  e que só ‘aquele médico, clínica ou nutricionista’ SABE COMO TRATAR e CURAR uma doença reumática, por exemplo, seria negar completamente qualquer racionalidade à abordagem da questão e atirar-se a uma prática reeditada e já condenada ao longo da história.

Praticamente todos os médicos que fazem jus a este nome, empresas, entidades e órgãos envolvidos com diagnóstico e tratamento dessas doenças estão isentos de qualquer interesse em deixar de oferecer o melhor tratamento, ou a própria cura se houver. Nos meios médicos este não é um assunto que seja sequer ventilado entre colegas ou em congressos científicos de Medicina, qualquer que seja a especialidade.

Nesta breve série vamos desvendar de forma objetiva o charlatanismo na Medicina, desde suas bases históricas até mostrar maneiras de como você deve se proteger. As referências da literatura com links para os sites da Internet você encontrará ao final. Esperamos que você possa repassar para o maior número de pessoas.