Riscos dos alimentos ultraprocessados: o que você deve saber mas o dono do supermercado não quer lhe dizer

Novas diretrizes alimentares do governo dos EUA, divulgadas em janeiro de 2026, recomendam pela primeira vez reduzir o consumo de alimentos ultraprocessados — além das orientações tradicionais sobre grupos alimentares e nutrientes. Isso reflete a preocupação crescente com o quanto esses alimentos estão presentes no dia a dia e sua ligação com diversas doenças crônicas.

O que dizem os estudos recentes:

  • Uma pesquisa acompanhando cerca de 48 mil adultos por 20 anos mostrou que o consumo de ultraprocessados está associado a maior risco cardiometabólico (como aumento do IMC e síndrome metabólica) e a maior mortalidade geral. Parte desse risco diminuiu quando os pesquisadores levaram em conta a qualidade nutricional geral da dieta — ou seja, comer mal em termos nutricionais também explica parte do problema.
  • Outro estudo, com 15 mil adultos ao longo de 10 anos, comparou a qualidade nutricional geral da dieta com a quantidade de ultraprocessados consumidos. A qualidade geral da alimentação mostrou relação mais consistente com a saúde cardiometabólica do que o grau de processamento em si.
  • Um terceiro estudo, acompanhando 5 mil pessoas com mais de 50 anos por 8 anos, encontrou maior risco de declínio cognitivo (com ou sem demência) entre quem consumia mais ultraprocessados.

Mas afinal, o que é um alimento ultraprocessado?

Nem todo alimento que passa por algum processamento industrial é necessariamente ruim — e “processado” não é sinônimo de “ultraprocessado”.

Cozinhar, congelar, pasteurizar, fermentar ou colocar um alimento em uma lata também são formas de processamento. Leite pasteurizado, legumes congelados, café torrado, aveia, queijo, pão artesanal e feijão enlatado, por exemplo, podem fazer parte de uma alimentação saudável.

A ideia de separar os ultraprocessados dos demais alimentos surgiu com pesquisadores brasileiros da Universidade de São Paulo e deu origem ao sistema de classificação conhecido como NOVA, desenvolvido a partir do final dos anos 2000. Em vez de olhar apenas para a quantidade de gordura, açúcar ou vitaminas de um produto, a NOVA propôs observar também como e para que aquele alimento foi produzido industrialmente.

Os ultraprocessados são, em geral, formulações industriais feitas a partir de vários ingredientes, frequentemente contendo substâncias extraídas ou modificadas dos alimentos e aditivos destinados a melhorar sabor, textura, aparência, duração ou facilidade de consumo.

Alguns exemplos comuns

Entre os produtos frequentemente classificados como ultraprocessados estão:

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