
Bryan Johnson, empresário de tecnologia e uma das figuras mais conhecidas do movimento da longevidade, investe milhões de dólares em exames, suplementos e intervenções destinadas a retardar o envelhecimento. Aos 48 anos, ele afirma ser uma das pessoas mais monitoradas do mundo e tornou célebre o lema “Don’t Die” — “Não morra”.
Apesar de toda essa vigilância, Johnson revelou ter recebido o diagnóstico de gastrite autoimune, doença na qual o sistema imunológico ataca células do estômago responsáveis pela produção de ácido e pela absorção adequada de nutrientes.
A condição pode provocar deficiência de ferro e de vitamina B12, além de anemia, cansaço, alterações neurológicas e, em alguns pacientes, maior risco de câncer gástrico. O diagnóstico exige acompanhamento médico, exames periódicos e reposição dos nutrientes deficientes quando necessário.
Johnson afirmou ter ficado surpreso porque mantém alimentação controlada, pratica exercícios diariamente e evita hábitos considerados prejudiciais. No entanto, uma doença autoimune não representa uma punição por um estilo de vida inadequado. Alimentar-se bem e fazer exercícios reduzem diversos riscos, mas não oferecem imunidade contra enfermidades determinadas por fatores genéticos, imunológicos e ambientais.
O empresário também apresenta hipotireoidismo desde os 21 anos. A associação levantada por ele é biologicamente plausível, pois doenças autoimunes da tireoide e gastrite autoimune podem ocorrer na mesma pessoa. Isso, contudo, não permite determinar com certeza a origem de seu problema. Também não há evidências apresentadas na matéria de que a doença tenha sido causada pelo seu programa de longevidade.
A obsessão por medir a saúde
Johnson já chegou a consumir mais de 100 suplementos por dia e realizou experiências controversas, como receber plasma sanguíneo de seu filho adolescente. Ele registra inúmeros indicadores do funcionamento do corpo, desde exames de sangue e gordura visceral até frequência cardíaca e qualidade do sono.
A descoberta da gastrite autoimune expõe um dos limites desse projeto: é possível medir uma enorme quantidade de variáveis e ainda assim não controlar completamente a biologia humana.
O acompanhamento intensivo pode identificar alterações precocemente, mas também pode revelar achados de significado incerto, provocar ansiedade e estimular exames ou tratamentos que nem sempre melhoram a saúde. Medir mais não significa necessariamente viver mais — e muito menos viver melhor.
Viver mais, mas com qual propósito?
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