Categoria: TRATAMENTOS

Cannabis em pílulas: o posicionamento médico ético ao raiar de 2020.

John Doe mora no sul da Califórnia, atravessa a rua e entra numa farmácia/super-mercado. Vai buscar sua encomenda feita pela Internet há poucas horas. Mas não pela Amazon, seu código empresarial ainda não permite.

O rótulo diz CBD. Canabidiol, um dos mais de 100 compostos químicos identificados no cânhamo, a planta mais conhecida como maconha. CBD não leva John a ficar numa boa, tetrahidrocanabinol (THC) sim, o componente halucinógeno.

O americano John usa CBD para reduzir dores, dormir melhor e diminuir sua ansiedade no trabalho.

O mercado

Há muito dinheiro a ser feito com CBD, com produtos pipocando a todo momento por toda a Califórnia e em vários Estados americanos. Grandes outdoors ao lado das freeways são onipresentes, não apenas dos cigarros de maconha.

O mercado explodiu, com produtos variando de sais de banho, café, chá a biscoitos para cachorros. O Conselho Botânico Americano atestou que em 2018 CBD foi o suplemento derivado de plantas que mais vendeu nos EUA a partir de locais monitorados por seus conselheiros, suplantando o campeão de vários anos, o “turmeric” (açafrão). O total de vendas do CBD chegou a mais de US$ 52 milhões, mais que o triplo de 2017.

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A visão médica

Com os Johns americanos comprando CBD livremente, pesquisadores sérios passaram a ter preocupações. Quais seriam?

  1. vários produtos no mercado dizem CBD no rótulo, mas em verdade nada contêm da substância (CBD não é regulado pelo FDA em Washington)
  2. outros frascos podem não ter a substância CBD pura, ou então não na concentração oferecida no rótulo – há vários casos relatados na imprensa leiga de intoxicação e morte por óleo de CBD nos EUA, Europa e Austrália
  3. CBD é efetivo? em quais situações médicas? é seguro? é um suplemento – tal qual uma vitamina, ou um remédio?
  4. quais os efeitos colaterais já comprovados na literatura médica?
Foto de anúncio extraido da Internet, billboard na Nova Zelândia.

Foi em meados de 2018 que o FDA aprovou um derivado da Cannabis com CBD como ingrediente ativo, porém apenas para tratamento de 2 formas incuráveis de epilepsia, não responsivas a outros medicamentos tradicionais. Os efeitos secundários anotados naquela oportunidade foram diarréia, aumento das enzimas do fígado, sonolência e menor apetite. A empresa britânica GW Pharma está obrigada a seguir de perto este possível efeito sobre o fígado e a relatar se algo mais grave ocorrer. A vantagem do uso do Epidiolex, nome comercial nos EUA, está justamente na garantia de ser um produto com fórmula sob rígido controle de qualidade, uma vez que é aprovada pelo FDA.

Uma história clínica e um aviso

Paul tem 8 anos e sofre de epilepsia. Seus pais resolveram adotar o CBD como remédio, sem delongas encomendaram via Internet óleo de CBD de um fornecedor no estado do Colorado. Os primeiros 9 dias com CBD foram excelentes, sem qualqur convulsão e o retorno de Paul a uma vida plena de criança, agora energizada e com melhor aproveitamento na escola. No décimo dia de CBD Paul sofre uma convulsão generalizada, a pior que já teve na vida, em pleno colégio. Na emergência médica conseguem controlar o episódio de grande mal epilético após fortes medicamentos intravenosos e outros recursos de sustentação da vida. Após poucos dias os pais de Paul receberam as análises de pureza do produto que compraram: continha um canabinóide sintético cujo efeito secundário é justamente provocar convulsões com as da crise do menino.

Em uma análise independente de 20 produtos mais populares no mercado contendo óleo de CBD, os resultados impressionam:

  1. apenas 3 de fato continham o que a etiqueta dizia
  2. oito produtos continham menos de 20% da concentração de CBD anunciada
  3. altos níveis de solventes e gases em alguns frascos
  4. duas formulações possuiam 0% de CBD!

Assim, a recomendação hoje é a seguinte: a) que os americanos comprem o óleo de CBD vindo da Europa, onde há mais regulação na produção industrial e a contaminação por tetrahidrocanabinol é em torno de 0,2% a 0,3% apenas, b) comprar produtos com rótulos contendo a palavra “orgânico”, certificados pelo Departamento de Agricultura dos EUA como tendo sido testados para herbicidas e pesticidas, e c) adquirir CBD fabricado em empresas certificadas em “Boas Práticas de Manufatura” pelo governo americano.

Estudos científicos

Recentes editoriais de prestigiosas revistas científicas apontam para a legítima falta de estudos científicos criteriosos comprovando os efeitos clínicos propostos para o CBD. “O mercado está anos-luz à frente da ciência”, afirmou um cientista da área.

A maior parte do conhecimento científico se baseia por hora em estudos pré-clínicos. Afora os estudos randomizados em convulsões, outros são observações em poucos pacientes e de rigor metodológico muitas vezes questionável. De fato um trabalho que analisou outras 81 pesquisas, das quais 40 randomizadas, em várias indicações de CBD (em método chamado meta-análise), os autores concluiram por falta de evidências sólidas de efetividade.

No momento há 16 estudos em andamento para examinar a efetividade do CBD em psicoses. Mas depressão, ansiedade e desordem do déficit de atenção não foram objeto de qualquer estudo sério até agora. O Instituto Nacional de Saúde em Washington concedeu US$ 3 milhões para estudos do CBD em casos de dor, com resultados que virão no futuro.

Conclusões

1. Você quer usar CBD para algum sintoma em especial? Tente antes os recursos tradicionais. Principalmente a longo prazo não sabemos ainda os efeitos secundários. Procure não ser cobaia.

2. Use produtos de origem orgânica com procedência européia, pesquise na Internet antes da compra.

3. Crianças, mulheres grávidas e pessoas utilizando múltiplos remédios não devem tomar CBD de forma alguma: o risco é muito grande. Não sabemos o suficiente nessas situações.

4. Caso estiver usando CBD, monitore de perto a função do fígado. Seu médico saberá solicitar os exames adequados de laboratório.

5. Não confie em propaganda de produtos ou comentários dizendo que CBD cura ou alivia doença de Alzheimer, déficit de atenção, dor crônica, mal de Parkinson e ansiedade.

6. Aguarde os resultados de estudos sérios para utilizar CBD, principalmente a longo prazo.

7. Lembre-se que a única indicação precisa hoje dos derivados da Cannabis é em crianças com formas especiais de epilepsia não responsivas a tratamentos tradicionais.

Referência

Este texto é baseado em editorial do JAMA:

Cannabidiol Products Are Everywhere, but Should People Be Using Them? Rita Rubin, MA JAMA. 2019;322(22):2156-2158. doi:10.1001/jama.2019.17361

Lúpus: mais remédios para controle dos sintomas ou tratar a cuca antes de mais nada?

As proteinas alteradas no sangue do paciente com lúpus: o pico mais à direita está muito aumentado, refletindo a elevação dos anticorpos dirigidos contra a própria pessoa.

Distúrbios do sono e sintomas depressivos podem ser responsáveis por dor e perda de atenção, memória e concentração no lúpus. O tratamento é com Terapia Cognitivo-Comportamental antes de remédios!

Para saber o que exatamente está envolvido na dor e nas alterações ditas cognitivas (como atenção, memória, orientação) do lúpus eritematoso sistêmico (LES), 115 pacientes foram estudados em Baltimore, EUA.

Como foi feito o estudo?

Todos os pacientes preencheram questionário sobre dor, percepção de estresse, depressão, sono e alteração das funções mentais (chamada disfunção cognitiva). Os autores cuidaram para que as conclusões não fossem alteradas pela presença de fibromialgia, raça do paciente, uso de corticóides (remédios que modificam as funções mentais positiva ou negativamente, conforme o indivíduo), atividade da doença e nível de estresse percebido pelas pessoas.

Resultados

Análises estatísticas sofisticadas (neste caso denominadas análises de mediação) indicaram que os sintomas de dor e de funções mentais alteradas foram mediados por distúrbios do sono e por depressão, ou seja, não vinham diretamente do lúpus. Atividade do lúpus (doença sem bom controle) e nível de estresse também estiveram relacionados com variações das funções mentais.

Conclusões

Os autores concluiram que:

1) este estudo deve ser confirmado em maior grupo de lúpicos, observados ao longo do tempo (num chamado estudo prospectivo)

2) a presença de dor e alterações de funções mentais no lúpus pode ser explicada por distúrbios do sono e sintomas depressivos

3) os achados abrem a perspectiva de tratar alguns sintomas do lúpus através de higiene do sono e melhora da depressão, em intervenções que não necessariamente envolvem remédios imunossupressores

4) especificamente, pacientes com lúpus que apresentam dor e disfunções cognitivas (atenção, memória e orientação alterados) poderiam ser tratados com terapia cognitivo-comportamental, recurso comprovado para reduzir estresse e melhorar vários domínios psicológicos do indivíduo.

Referência

Arthritis Care & Research. 04 May 2018. https://doi.org/10.1002/acr.23593

VOCÊ COLABORA COM O CHARLATANISMO MÉDICO?

Responda à lista abaixo e veja se você poderá ser a próxima vítima.

A black and white photo of a person

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Utilize a lista abaixo para saber se você é a próxima vítima potencial. É baseada em técnicas clássicas e exemplos do charlatanismo em vários países, que se repetem porque sempre há incautos com dinheiro e esperança.

O profissional chamou sua atenção ou falou a respeito de qualquer um dos seguintes tópicos?

Apenas uma resposta positiva já deve ser considerada um sinal vermelho! Não seja mais uma vítima!

  1. Uso de palavras e expressões apelativas como “espantoso”, “milagroso”, “melhora imediata”, “remédio natural”, “vigor físico”, “corpo perfeito”, “purificar o corpo”, “detoxificar o organismo”, “aumentar o nível de energia”, “incrementar seu sistema imune”.
  2. Testemunho de pessoa que endossa as afirmações, muitas vezes uma modelo, artista, desportista ou outro médico famoso. Os Conselhos de Medicina proibem o uso de pacientes e seus testemunhos como propaganda médica.
  3. O chamado à “teoria da conspiração”: outros profissionais, instituições ou empresas não querem que você saiba de “curas” ou acerca do tratamento proposto porque perderiam dinheiro.
  4. Venda de publicação ou livro próprio que propagandeia os tratamentos oferecidos, em substituição à literatura científica com evidências em dados de pesquisas sérias, conduzidas em centros médicos internacionais de excelência.
  5. Dietas originais, secretas, e spas que aliviam ou curam seus sintomas ou doença, com excesso de exames de laboratório, testes de imagem, além de tratamentos inflacionados por caros suplementos ou métodos alternativos.
  6. Afirmações de cura ou da possibilidade de você cessar seu   tratamento para reumatismos, doenças autoimunes ou câncer.
  7. Anúncio de produto único que irá resolver uma grande variedade de doenças: estes em geral não tratam nenhuma delas de forma eficaz, você deve pagar antecipado, pode-se comprar e levar um bônus ou outro produto grátis, ou então o produto tem estoque limitado.
  8. Consultas longas e minuciosas, com porções generosas de carinho e falsas expectativas para o tratamento, culminando com extensos, caros exames, e enormes receitas de suplementos e vitaminas.
  9. Uso de suplementos ou fórmulas secretas que devem ser ingeridos indefinidamente, com custo elevado e preparo “que só pode ser feito” em local indicado, caso contrário “não funciona”.
  10. Anúncios tipo “garantia de retorno de seu dinheiro”, algo inexistente na Medicina e considerado infração grave do Código de Ética da profissão.
  11. Ostentação e glamourização, com atendimento em clínicas e spas luxuosos frequentadas por famosos, passando imagem de alto sucesso nas midias sociais, TV e jornais.
  12. Ênfase na polarização entre “Medicina tradicional e retrógrada” e a “Medicina nova, moderna e inovadora”, muitas vezes com uso de máquinas luminosas de nomes pomposos e pseudo-científicos.

Sexo e qualidade de vida em pacientes com espondilite na era dos biológicos.

Mesmo com os remédios mais modernos a vida não é a mesma para quem tem espondilite.

Cientistas da Noruega acabam de publicar na revista canadense Journal of Rheumatology um interessante trabalho feito em homens e mulheres com diagnóstico de espondiloartrite axial. A este grupo de doenças pertence a espondilite anquilosante, a espondilite por psoríase ou por doenças inflamatórias intestinais e a sacroileite indiferenciada, todos reumatismos inflamatórios da coluna e bacia.

Objetivo do trabalho

O objetivo foi explorar as associações entre dados pessoais, variáveis atribuíveis à doença, tipo de tratamento e qualidade de vida sexual em homens e mulheres padecendo de espondiloartrite axial.

Quem foi estudado

Foram incluidos 360 pacientes, 240 homens e 120 mulheres, com idade média de 45,5 anos e espondilite com duração média de 13,9 anos. Desses, 78% eram casados ou residiam com cônjuge, 27% fumavam, 71% estavam empregados, 86% faziam mais de 1 hora de exercícios por semana e 88% tinham o marcador genético HLA-B27, típico de espondilite.

Resultados

Quase a metade (44%) usava anti-inflamatórios sem corticóides, 5% usavam remédios modificadores de doença como o metotrexate e 24% usavam remédios biológicos.

Após análise estatística rigorosa, os escores mais baixos de qualidade de vida sexual ocorreram em mulheres, naquelas com sobrepeso, nos indivíduos com medidas de atividade de doença alteradas (aumento de proteina C reativa ou de índices clínicos similares ao BASDAI – muito conhecido de quem tem a doença) e em uso de tratamento com remédios biológicos.

Conclusão

Pacientes noruegueses com espondilite e doença mal controlada, ainda em processo inflamatório, têm baixa qualidade de vida sexual, mesmo na vigência de tratamento biológico.

Minha mensagem

Sem dúvida outros fatores concorrem para a vida sexual saudável de pacientes com doenças inflamatórias da coluna, principalmente as espondilites, mas é indispensável batalhar pelo controle completo dos sintomas. Isto certamente é possível e parte de uma saudável relação médico-paciente, com confiança nos tratamentos, e na busca incessante pelo melhor remédio biológico para cada pessoa. Não funcionou o primeiro ou o segundo, siga a luta com outro novo recurso terapêutico. Novos biológicos com distintos mecanismos de ação estão lançados a cada momento e raríssimos são os causas sem resposta adequada ou com efeitos colaterais sérios a todos os remédios.

Deixar-se levar pela dor e pela depressão secundária à doença crônica leva à espiral da ansiedade, desvalia, pensamentos negativos e a um buraco sem fundo. Lembre-se que a primeira regra para quem está no buraco é parar de cavar!

Sua qualidade de vida, incluindo a esfera sexual, retornará à normalidade com o controle da espondilite. E transar faz muito bem!

Artigo original

Sexual quality of life in patients with axial spondyloarthritis in the biologic treatment era. Kari Hansen Berg, Gudrun Rohde, Anne Prøven, Esben Esther Pirelli Benestad, Monika Østensen and Glenn Haugeberg. The Journal of Rheumatology February 2019, jrheum.180413; DOI: https://doi.org/10.3899/jrheum.180413.

As fraudes na área da saúde: como se proteger do charlatanismo disfarçado de medicina alternativa, 3a. parte.

Vários exemplos de charlatanismo médico comprovados­ ao longo da história.

Esta é uma lista parcial tomada da Wikipedia e outras fontes com casos famosos de charlatanismo pelo mundo. Muitos foram presos, pagaram indenizações milionárias a suas vítimas e perderam sua licença médica. Outros eram apenas negociantes ou aventureiros, com certeza grandes artistas. Note a persistência de temas como energias curativas estranhas à ciência, megadoses de suplementos  e a onipresença de dietas secretas que curam. Veja também a incrível coincidência com as propostas naturebas de hoje em dia.

  • Thomas Allinson (1858 – 1918, Escócia) – criador da “Naturopatia”, com forte oposição ao uso de vacinas; houve retorno recente desta tese tendo vacinas como causa de autismo – o autor teve que se retratar após processo legal, havia falsificado dados de pesquisa
  • Johanna Brandt (1876 – 1964, África do Sul) – “Cura das uvas” para o câncer
  • John Brinkley (1885 – 1942, EUA) – inventou o transplante de testículos de cabra em homens para cura da impotência, demência, flatulência, pressão alta, doenças mentais e várias outras condições; comprou uma estação de rádio e seu negócio explodiu: chegou a fazer 16.000 cirurgias até sua clínica ser fechada por charlatanismo
  • Hulda Clark (1928 – 2009, EUA) – naturopata, uma das criadoras da chamada medicina alternativa
  • Max Gerson (1881 – 1959, Alemanha e EUA) – “A Dieta de Gerson” para cura de câncer e da maioria das doenças crônico-degenerativas
  • Samuel Hahnemann (1755 – 1843, Alemanha) – fundador da homeopatia, todas as doenças são causadas por “miasmas” definidos como irregularidades na “força vital” do paciente; todas as pesquisas científicas feitas com rigor mostram que a homeopatia tem forte efeito placebo
  • Lawrence Hamlin (1916, EUA) – “Óleo Milagroso” para cura do câncer
  • William J. A. Bailey (EUA) – fundou a Radium Company, cujo carro-chefe de vendas era o “Radithor”, substância radioativa que poderia “invigorar” seus pacientes; o produto era o rádio, descoberto por Marie Curie na França, diluido em água; outros produtos eram o peso de papel e uma fivela para cintos com rádio, para “energia portátil”; não sabemos quantos pacientes morreram de câncer pela radioatividade cumulativa
  • L. Ron Hubbard (1911 – 1986, EUA) – criador da igreja da cientologia e da “dianética”, ideias e práticas metafísicas relacionadas ao corpo e alma e praticadas pela cientologia, Nação do Islã e grupos independentes dianeticistas
  • William Donald Kelley (1925 – 2005, EUA) – criador da “Terapia Metabólica Inespecífica”, dizia que “alimentos incorretos causam crescimento de células malignas, enquanto que alimentos corretos permitem que as defesas naturais do corpo possam atuar”
  • John Harvey Kellog (1852 – 1943, EUA) –considerado o pai do movimento atual para dietas naturais e medicina holística; internava pacientes num Spa carésimo onde os pacientes recebiam dieta vegetariana, exercícios regulares com especial atenção à respiração, sem álcool ou tabaco, preparados com enzimas pancreáticas, 50 vitaminas e suplementos diários (incluindo laetrile ou amigdalina, substância do caroço de algumas frutas que seria a chave para a cura do câncer); era fã dos enemas de limpeza, utilizando uma máquina que injetava litros de água e yogurte no intestino em tratamentos seriados; acreditava que todas as doenças vinham do intestino e pregava abstinência sexual com aplicação de ácido carbólico no clitóris para reduzir o prazer sexual; vegetariano convicto, inventou os flocos de cereais e fundou com seu irmão a fábrica Kellog’s
  • Franz Anton Mesmer (1734 – 1815, Alemanha. Áustria e França) – cura pelo “magnetismo animal” para corrigir imbalanços no fluido universal do corpo; os crédulos eram colocados numa arena com show envolvendo cantos, música, efeitos de luz e cenografia até o clímax do enredo, quando as pessoas tinham uma “crise magnética” e sairiam curadas; esta a origem da palavra “mesmerizado”
  • Theodor Morell (1886 – 1948, Alemanha) – médico pessoal de Hitler, administrava ao ditador 74 substâncias em 28 misturas distintas, incluindo heroina, cocaina, pílulas anti-gás, brometo de potássio, papaverina, testosterona, vitaminas e enzimas animais; Hitler o recomendou a outros líderes nazistas como Himmler e Goebbels, que o descartaram como charlatão
  • Daniel David Palmer (1845 – 1913, EUA) – inventor da quiropraxia, baseada no princípio de que todas as doenças podem ser curadas por correção do desalinhamento da coluna vertebral; a teoria é que o corpo possui um fluido com “inteligência inata” que pode ser liberado a partir da manipulação da coluna e que iria até o órgão doente para curá-lo; também curava por técnica de “mãos magnéticas”; pessoalmente vi pacientes com fratura da coluna após as intempestivas manipulações, uma médica cardiologista inclusive sendo levada de ambulância para descompressão da medula dorsal. Uma vértebra quebrou com o movimento brusco da manipulação e de imediato ficou paralisada da cintura para baixo. Como médica deu-se conta imediata da gravidade da situação, chamou ambulância e avisou o hospital, conseguindo se salvar com neurocirurgia de emergênica – iria ficar em cadeira de rodas o resto de sua vida
  • Linus Pauling (1901 – 1994, EUA) – criador da medicina ortomolecular, com megadoses de vitamina C para cura do câncer e da gripe; faleceu de câncer, embora tomasse até 8 g de vitamina C diariamente; ganhou prêmio Nobel de Medicina por suas contribuições químicas (não pela arte médica)
  • John Henry Pickard (1866 – 1934, EUA) – extrato de herva Sanguinaria, para “cura de pneumonia, tosse, pulmões fracos, asma, problemas de estômago, rins, fígado, bexiga e tônico altamente eficaz para o sangue e nervos”
  • Wilhelm Reich (1897 – 1957, Áustria e EUA) – cura pela “energia cósmica primordial”, que ele chamava “Orgone”, inventor do “Acumulador de Orgônio” para cura do câncer, manipulação do clima e combate a alienígenas do espaço
  • Stanislaw Burzynski (ainda vivo, EUA) – inventor de “antineoplastons” para cura do câncer no Texas; responde a vários processos e é alvo do FDA
  • Ann Louise Gittleman (ainda viva, EUA) – perda de peso por “dietas da moda” de rápido efeito, aliada a “detoxificação” e “radiação eletromagnética”; formada na “Faculdade Clayton de Saúde Natural”, fechada por distribuir diplomas de fachada a pessoas que depois exerciam várias formas de charlatanismo
  • Kevin Trudeau (ainda vivo) – dietas da moda para perda de peso e cura de várias doenças; publicou vários livros com vendas milionárias após propagandas na TV; preso atualmente no estado do Alabama por não pagar sentenças a pacientes que o acionaram na justiça em valores perto de US$ 8 milhões
  • Tullio Simoncini (ainda vivo, Itália) – proclama que o câncer é causado por Candida albicans (gera o popular sapinho na boca de nenês e corrimento vaginal em mulheres adultas), que cresceria dentro dos tumores; promove a “cura através de injeções de bicarbonato de sódio”; condenado em 2006 por morte de paciente devido às injeções
  • Belle Gibson (ainda viva, Austrália) – escreveu sobre a cura de seu câncer no cérebro atavés de terapias alternativas e dietas especiais; condenada por tribunais australianos após se descobrir que nunca esteve doente e que fraudava contribuições a instituições de caridade
  • Bernard Jensen (EUA) – criador da “iridologia”, onde as cores escuras da íris da pessoa (parte colorida do olho) representariam órgãos doentes; em verdade a pessoa nasce e morre sem qualquer alteração na cor de seus olhos ou desenho da íris, razão pela qual é a parte do corpo utilizada hoje nos mais sofisticados sistemas de identificação pessoal; prescrevia dietas da moda e suplementos até hoje vendidos com seu nome; seguidores da família promovem enemas de limpeza e vários outros produtos alternativos em site próprio da Internet
  • Genésio Pacheco da Veiga (Espírito Santo, Brasil) – não poderia faltar um tupiniquim famoso em nossa lista; criador da vacina da brucelose para cura de diversas formas de reumatismo, como artrite reumatoide, lúpus, artrose, esclerodermia, artrite psoriásica, gota e até lesões por esforços repetitivos; sua teoria dava conta que todos os reumatismos são produzidos pela doença bovina brucelose, que raramente infecta seres humanos; as injeções em doses crescentes ainda são vendidas, após propaganda nos classificados de jornais de maior circulação no país, ultimamente pela Internet e em forma de comprimidos. Após criança com artrite juvenil me procurar com deformidades severas, sem poder caminhar, e 2 anos de tratamento com o método alternativo, conseguimos fechar uma clínica de representação das vacinas no sul do país, em ação conjunta com o Conselho Regional de Medicina
  • Jessé Teixeira (Rio de Janeiro, Brasil) – criador e propagador da “autohemoterapia” na década de 1930, para cura de várias doenças; técnica proibida no Brasil pelo Conselho Federal de Medicina, com riscos e sem qualquer comprovação científica; desde que me formei já presenciei três ondas de ressurgimetno da autohemoterapia, a última há poucos anos e com maior intensidade devido à Internet; excelente terapia para estudo do efeito placebo
  • Pierre Delbet (1862 – 1957, França) e Padre Beno José Schorr (falecido em 2005, Brasil)– o francês é inventor da “Magnesioterapia” para cura do câncer, com propriedades disseminadas pelo padre desde a década de 80 no nosso país; tratamento e cura dos reumatismos e várias outras doenças; método barato e de fácil obtenção sem receita médica, boa parte de meus pacientes utilizam o magnésio “porque mal não faz”, mas continuam tendo que consultar; minha observação aqui é que, se magnésio funcionasse para reumatismos, os consultórios de reumatologistas estariam vazios – infelizmente a verdade é o oposto.

As fraudes na área da saúde: como se proteger do charlatanismo disfarçado de medicina alternativa, 2a. parte.

Usando o efeito placebo como prova dos tratamentos

Vejo um grande número de médicos e outros profissionais anunciando nas mídias sociais uma Medicina adjetivada, que passa longe dos princípios mais nobres da profissão. Medicina ortomolecular, Medicina integrativa, Medicina funcional, Medicina holística, Medicina complementar, “Anti-aging” (anti-envelhecimento) e tantos outros termos passam a se integrar a novas promessas de melhora e cura de males crônicos dentro da Odontologia funcional, Nutrição funcional… e adjetive a área do conhecimento que você quiser.

Por trás de uma pseudociência e palavrório difícil, consultas minuciosas com horas de duração, com listas enormes de testes laboratoriais complicados e produtos terapêuticos de nomes mais ainda – e, claro, que só podem ser comprados onde indicado (a maioria das vezes na própria clínica ou pela Internet), esconde-se o interesse pecuniário maior e a confiança de que o efeito placebo existe e funciona.

De fato, nas pesquisas científicas mais sérias comprova-se que em mais de 30% das pessoas há melhora ou desaparecimento de sintomas no grupo que recebeu pílulas de farinha (placebo inerte, sem qualquer função biológica). Por exemplo, quando foram testadas as pílulas de nitrato para angina, mais de 1/3 das pessoas no grupo com placebo tiveram redução da forte dor no peito. Justamente por isso é sempre necessário comparar-se o remédio novo em um grupo que apresenta a doença contra outro grupo com a mesma doença recebendo placebo. E note que os métodos revolucionários propalados pelo charlatanismo nunca sofreram o rigor de tais estudos, não estão publicados. A Medicina tradicional não os entende porque são muito novos e originais, ou a indústria farmacêutica e os médicos tradicionais os escondem porque perderiam seus ganhos – a tradicional e bem difundida teoria da conspiração, que visaria deixar você como sofredor crônico.

“A ciência é a base da medicina e a comprovação científica a base das práticas terapêuticas que devem ser utilizadas. A chamada medicina alternativa foge da ciência, não busca a comprovação experimental e coloca em risco a saúde dos que a utilizam”, Dr. Sergio Ibiapina, presidente do Conselho Federal de Medicina (CFM). O CFM aprovou as resoluções 1.499 e 1.500 proibindo médicos de praticar a chamada medicina alternativa e ortomolecular, trazendo novos adjetivos ao mercado como nomes substitutos (Medicina funcional, Medicina integrativa, medicina holística e outras), burlando assim as resoluções.”

Assim, se você tem um frasco com água colorida vendido com toda a sua arte de persuasão como solução para o problema de várias doenças, estatisticamente você estará auxiliando 30% das pessoas que compram seu produto. Estes por sua vez irão lhe auxiliar a espalhar a boa nova de “cura milagrosa” e trazer uma clientela crescente. No dia em que os outros 70% se derem conta do seu esquema (a fraude), você já estará milionário em outras paragens, já terá inventado um novo placebo, ou já estará no céu.

No caso de doenças autoimunes com dores reumáticas os esquemas fraudulentos até parecem funcionar porque os sintomas costumam ir e vir aleatoriamente, muitas vezes ao sabor das emoções e convicções. Você acha que o novo tratamento está funcionando, quando em verdade é apenas o ir e vir natural dos sintomas da artrite. Na maioria de meus pacientes os sintomas melhoram de forma marcada quando em férias nos melhores hotéis, estações termais e navios de cruzeiro, longe das preocupações do dia-a-dia.

Veja este exemplo de depoimento recebido por Email há poucos dias, dando conta de terapia alternativa da moda no Brasil e típica de efeito placebo, a autohemoterapia, com meus comentários mais adiante.

“Minha história com a Esclerodermia começou em 2004 quando metade do meu corpo tornou-se uma espécie de lixa. Braços, tórax e pernas foram tomados. Manchas esbranquiçadas apareceram principalmente nos braços. Dores articulares nos dedos e punhos. A pedido do Dermatologista fiz biopsia de amostra da pele de um local mais afetado. O resultado foi Esclerodermia ainda localizada.  O médico me informou que não tinha cura e que teríamos que tratar com corticóides. O médico me pediu uns dias para pesquisar a melhor droga a ser utilizada. Neste ínterim recebi de presente um DVD de uma amiga: Conversa com Dr. Luiz Moura sobre Autohemoterapia. Neste DVD ele afirmava que curava pessoas que estavam com a doença somente com este tratamento. Para quem não sabe é a retirada de 10 ml de sangue da veia e a imediata aplicação no músculo uma vez por semana.  De imediato acreditei no assunto e no mesmo dia iniciei as aplicações. Após um mês, ou seja 4 aplicações, a diferença já era visível. A pela melhorou muito e as dores desapareceram. Voltei ao médico, que mesmo vendo o resultado do tratamento, disse que era um risco muito grande já que não havia nenhuma comprovação científica a respeito. Assumi inteira responsabilidade, continuei as aplicações e após mais 4 semanas a pele voltou ao normal. Ou seja, no meu caso, a Autohemoterapia curou a doença em 2 meses. Suspendi as aplicações por 3 meses e não voltou mais. Hoje, após 15 anos, continuo tomando regularmente porque percebi que muitos desconfortos desapareceram. É difícil gripar ou resfriar e quando acontece os sintomas desaparecem rapidamente. Minha pele melhorou, tanto que hoje, 2019, tenho 63 anos e todos afirmam que pareço estar com 50 anos. Claro que não posso afirmar que todos que resolverem se tratar com Autohemoterapia vão se curar, porque depende de outros fatores que não vem ao caso, mas afirmo: vale a pena tentar.”

E meus comentários ao cidadão:

“Prezado Sr., grato pela mensagem e por seu depoimento. Fico feliz que seu problema tenha sido resolvido logo no início. Há 4 dados que necessito lhe passar, importantes para estarmos sempre em benefício da verdade:

substitua “autohemoterapia” na sua mensagem por “garra do diabo”, “terapia detox”, “enemas de purificação” e o resultado positivo seria o mesmo – temos vários depoimentos exatamente como o seu, com cura descrita por esses outros métodos ditos alternativos

o efeito placebo ocorre em até 1/3 das pessoas que utilizam qualquer terapia, tradicional ou alternativa, um número bastante elevado; isto torna indispensável que para cada método de terapêutica se façam estudos científicos com vários pacientes diagnosticados exatamente com a mesma doença, um grupo recebendo a nova droga, remédio ou nova técnica, contra um grupo recebendo placebo

várias doenças autoimunes aparecem e desaparecem naturalmente, ou seja, seguem um curso autolimitado, independente do que a pessoa fizer de tratamento

– por último, e algo de grande importância para seu depoimento, há vários diagnósticos diferenciais de esclerodermia da pele, quando outros órgãos internos não são afetados. Ou seja, a biópsia de pele diagnostica “esclerodermia”, e o trabalho do médico deve ser ato contínuo descobrir qual o tipo exato, através de outros exames subsidiários. Além da forma autoimune, que seu médico diagnosticou e inclusive lhe prescreveu corticóide, há as seguintes formas de esclerodermia, todas podendo ser autolimitadas (ou seja, desaparecem espontaneamente em vários casos): escleredema, escleredema de Buschke, escleromixedema, mucinose papilar, gamopatia monoclonal benigna, amiloidose de cadeias leves, fasciite eosinofílica, mixedema por hipotireoidismo (doença de Hashimoto autolimitada), fibrose sistêmica nefrogênica (após exame de ressonância magnética com contraste), esclerodermia por drogas.

Acredito que seu médico se baseou apenas no exame de anátomo-patologia, a julgar pelo seu depoimento, e não foi adiante na investigação, preferindo lhe passar o curso mais fácil de tratamento – corticóides. Duas linhas de raciocínio no nosso ver equivocadas: diagnóstico incompleto e tratamento apressado.

A autohemoterapia foi inventada na década de 30 do século passado no Rio de Janeiro pelo Dr. Jessé Teixeira, e desde então aparece e desaparece ciclicamente do noticiário. O método é bem simples, como descreves, barato, e funciona em várias pessoas (de acordo com as premissas que escrevi acima). Assim, se de fato resolvesse os diversos casos de doenças crônicas para os quais é proposta, incluindo as doenças autoimunes, teríamos um sem número de pessoas curadas e os consultórios médicos quase vazios. Por exemplo os de reumatologistas. 

Posso lhe assegurar que não é o caso, a maioria dos pacientes que fazem autohemoterapia tiveram que continuar seu tratamento tradicional para esclerose sistêmica, lúpus, artrite reumatoide e tantas outras. Por não ser mais eficaz que o placebo, e por apresentar alguns riscos, o Conselho Federal de Medicina proibiu a técnica no Brasil.

Portanto, em benefício da verdade e de várias outras pessoas desesperadas por cura, no futuro quando der seu corajoso depoimento público, espero que contemple e descreva em sua mensagem os aspectos esclarecedores que tive o cuidado de lhe enumerar. Com cordiais saudações, pedindo excusas por ter lhe tirado de sua zona de conforto”.

As coisas são quase sempre mais complicadas do que o público leigo acredita. Se o primeiro médico não lhe traz confiança, logo lhe prescreve um corticóide sem explicar exatamente seu problema, ou incorre em práticas não ortodoxas como as explicadas aqui, procure de imediato outro profissional.

As fraudes na área da saúde: como se proteger do charlatanismo disfarçado de medicina alternativa, 1a. parte.

A farsa que aproveita a vulnerabilidade do paciente

O charlatanismo médico se refere a práticas de saúde ou remédios que não têm bases científicas para sua indicação. Está baseado em pretensas teorias que misturam conhecimentos de ciências básicas como imunologia, bioquímica, genética e fisiologia, de forma fragmentada, ininteligível e claramente manipulativa para bons conhecedores, porém que impressionam a potencial vítima.

“Charlatanismo. Ação, comportamento, dito ou prática de charlatão: charlatanice. Exploração da credulidade pública através da venda de produtos e/ou serviços incapazes de curar doenças”. http://www.dicio.com.br

Alguns fatos médicos mais recentes são aproveitados para criar teorias abrangentes que explicariam todos os males, com oferta de produtos pelo próprio profissional ou por seu grupo: extensas consultas, dietas da moda, suplementos infindáveis, cursos para leigos e para outros profissionais, livros e até spas de imersão por vários dias. E a preços muitas vezes exorbitantes, por incríveis séries de tratamento com promessa de curas ou de cessação de todos os remédios.

Assim já ocorreu historicamente com os radicais livres e as extensas fórmulas ortomoleculares, abrindo espaço para os ditos quelódromos – espaços compartilhados em clínicas de infusão endovenosa com múltiplas substâncias quelantes de toxinas e metais. Depois com as chamadas “intoxicações crônicas” vistas no cabelo e suas curas detox. A teoria do “foco infeccioso” na boca, com extrações dentárias múltiplas, retorna após várias décadas até via Netflix, com fortunas sendo gastas em uma assim chamada odontologia holística que exige extrações e implantes a peso de ouro. E, ultimamente, implicando o intestino como criminoso da vez, trazendo uma chamada “remissão das doenças autoimunes” (são mais de 200 distintas!) pelas medicina e  nutrição funcionais.

A trama se aproveita de um paciente que sofre, em estado vulnerável ou terminal. Pessoas desesperadas são aqui a melhor presa. E o princípio de Hipócrates primum non nocere (acima de tudo não lesar o paciente), jurado pelo médico no dia de sua formatura, é esquecido atrás de um livro no consultório.

Pior que a fortuna gasta pelos brasileiros em terapias alternativas e sem embasamento científico sólido é o dano à sua própria saúde, por serem conduzidos para longe de atendimento médico idôneo. Além dos efeitos secundários muitas vezes letais dos tratamentos alternativos. Uma médica gastroenterologista me comentou recentemente sobre o crescente número de casos graves de pancreatite aguda e de perfuração intestinal por altas doses de magnésio e outros produtos em “curas” de doenças autoimunes após megadoses de suplementos, também de vitamina D. Apenas um exemplo de vários que estão surgindo a todo momento.

“É hora de a comunidade científica parar de dar passe livre à medicina alternativa. Não pode haver dois tipos de medicina – a convencional e a alternativa. Há apenas a medicina que foi adequadamente testada, e não a que não o foi”. Marcia Angell & Jerome Kassirer, New England Journal of Medicine, 1998.

Médicos e cientistas dedicam suas vidas  para encontrar tratamentos, seja para cura ou para controle de doenças crônicas como as autoimunes e câncer, com causas ainda desconhecidas.

Ofertas de tratamentos miraculosos para solucionar estas doenças respaldadas em narrativas de que toda a comunidade científica está ‘desatualizada’ ou ‘de má-vontade’  e que só ‘aquele médico, clínica ou nutricionista’ SABE COMO TRATAR e CURAR uma doença reumática, por exemplo, seria negar completamente qualquer racionalidade à abordagem da questão e atirar-se a uma prática reeditada e já condenada ao longo da história.

Praticamente todos os médicos que fazem jus a este nome, empresas, entidades e órgãos envolvidos com diagnóstico e tratamento dessas doenças estão isentos de qualquer interesse em deixar de oferecer o melhor tratamento, ou a própria cura se houver. Nos meios médicos este não é um assunto que seja sequer ventilado entre colegas ou em congressos científicos de Medicina, qualquer que seja a especialidade.

Nesta breve série vamos desvendar de forma objetiva o charlatanismo na Medicina, desde suas bases históricas até mostrar maneiras de como você deve se proteger. As referências da literatura com links para os sites da Internet você encontrará ao final. Esperamos que você possa repassar para o maior número de pessoas.

QUAIS OS FATORES DE RISCO, COMO RECONHECER E COMO TRATAR A OVERDOSE POR OPIÁCEOS

Quais são os fatores de risco para overdose de opiáceos?

Estes são os fatores de risco mais importantes, veja se você se enquadra e tome medidas imediatas:

– combinação de opiáceos entre si ou com outras classes de remédios, como anti-depressivos

– tomar doses elevadas dos opiáceos prescritos

– tomar doses maiores que aquelas prescritas

– usar opiáceos ilegais (heroína) ou comprados sem prescrição legal, as formulações podem conter outras substâncias deletérias à saúde

– idade acima de 65 anos

– apresentar doenças crônicas dos rins ou fígado.

Como reconhecer uma overdose de opiáceos?

E este é o conhecimento básico para pessoas que podem estar presenciando uma crise de overdose.

– pupilas pequenas, contraídas

– perda de consciência

– respiração superficial e lenta

– engasgos ou sons tipo gargarejo

– pele pálida, azulada e fria

– corpo imóvel.

Como salvar a vida de uma pessoa em overdose de opiáceos?

Agora você poderá salvar efetivamente uma vida. Haja rápido, você terá poucos minutos.

– na dúvida, chame por ajuda: pessoa da casa, vizinho, polícia, bombeiros, SAMU

– tente manter a pessoa desperta e respirando

– mova a pessoa para a posição deitada e de lado para prevenir aspiração para os pulmões

– permaneça com a pessoa até que venha auxílio

– administrar o antídoto naloxona tão breve quanto possível: injetável no músculo, subcutâneo ou na veia, em spray nasal se tiver – o mais eficaz em situação aguda e de efeito mais rápido é na veia.

Novas orientações de autoridades no assunto recomendam com ênfase a prescrição de naloxona para quem recebe opiáceos por dor crônica e que estejam em risco de overdose. Isto inclui pacientes com prescrição de doses mais elevadas de opiáceos, co-prescrição de drogas que possam piorar os efeitos colaterais de opiáceos (benzodiazepínicos tipo Valium, Lorax e Lexotan; ou anti-depressivos), ou aqueles com doenças crônicas de pulmões (bronquite e enfisema, por exemplo), dos rins e fígado. O objetivo é de reverter a epidemia de mortes por overdose, já que se consegue salvar um episódio letal com a administração rápida de naloxona.

No Brasil há formas injetáveis da naloxona para uso endovenoso, intramuscular ou subcutâneo: algumas apresentações de cloridrato  de naloxona e hicrocloreto de naloxona (Narcan e Naloxona como nomes comerciais). Peça receita ao clínico que prescreveu opiáceos e esteja atento. Avise familiar, acompanhante ou amigos sobre o recurso e onde encontrar a naloxona em sua casa. E não viaje sem o remédio salvador.

MAIS DE 50.000 MORTOS POR REMÉDIOS PARA A DOR. COMO NÃO SER MAIS UM NÚMERO NA EPIDEMIA DOS OPIÁCEOS? (esta postagem é para você, no desespero da dor)

Há poucos dias recebi o impressionante relato de uma querida paciente, preocupada com o número crescente de pessoas, inclusive jovens, padecendo de reumatismos crônicos e vindo a falecer por complicações de uso de opiáceos (oxicodona, hidrocodona, morfina ou fentanil e derivados) muitas vezes combinados a outras drogas de modulação da dor como anti-depressivos. De fato, apenas nos EUA foram quase 50.000 pessoas falecidas por overdose de opiáceos em 2017.

Minhas reflexões e sugestões para os que estão em situação similar de dor vão adiante, nesta e em postagens seguintes, não deixe de ler e salve vidas. Vamos auxiliar estas pessoas desesperadas que se atiram em clínicas da dor, recebem associações de remédios perigosos e tratamentos alternativos sem chegar ao cerne da questão – tratar corretamente a dor, os reumatismos inflamatórios sistêmicos e as doenças autoimunes com base nos conhecimentos científicos sérios.

Ao relato:

“As redes sociais tornaram a informação mais acessível aos pacientes portadores de reumatismos e doenças da autoimunidade, aproximando pessoas para troca de informações. Estas também trazem más notícias, como quando perdemos amigos de luta contra a mesma doença que temos, no meu caso a Espondilite Anquilosante.

“Entre o final de 2017 e início de 2019 somaram-se os casos em que pacientes em tratamento para a minha doença foram a óbito por motivos medicamentosos.  Ou seja, complicações advindas do uso, prescrito ou não, de medicamentos sobrepostos, ou em quantidades maiores do que as recomendadas. Tudo motivado em primeira análise por desespero ou pânico frente às crises de dor que não cedem. A Carmen foi uma que perdemos para as complicações da espondilite e foi uma morte muito rápida. Ela tinha 27 anos,  era estudante de Biomedicina, diagnosticada com espondilite em 2017,  mas sofria de dores sem diagnóstico desde 2013. Estava em tratamento com infliximabe, metotrexate, morfina endovenosa e antidepressivos, pois as dores eram muito severas, insuportáveis. Ia todos os dias na emergência do hospital tentar alívio com analgesia, o pé entortava, ela não conseguia caminhar. A mãe era enfermeira no hospital, então tinha facilidade no atendimento. Com um ano de uso deste coquetel de remédios sentiu sintomas de gripe e dor na garganta, piorou, foi para o hospital, baixou em UTI, fez SARA (nota minha – SARA se refere a uma síndrome de insuficiência respiratória aguda)  por conta de uma hepatite medicamentosa e em 15 dias de hospital saiu sem vida em novembro de 2017. Claro que o metotrexate e o infliximabe podem ter contribuido para a hepatite, mas até onde o excesso de opióides também ajudou?

“Outro caso foi da minha amiga Geovana, empresária de 44 anos, casada e com um filho de 15 anos. Teve hipotermia severa, levada ao hospital dia 6 de janeiro de 2019 às pressas, com lábios e extremidades roxas. Fez parada cardiorespiratória na mesma madrugada e veio a falecer em 24 horas no hospital. Como era minha amiga e conversávamos muito sobre tratamentos e médicos e medos e remédios, eu sabia que ela fazia uso do imunobiológico Cosentyx para a Espondilite, que não a ajudava muito, pois tinha crises e era muito frágil para dor, entrava em pânico nas crises. Contou no grupo da Internet que queria comprar CDB (tintura de canabidiol) para ajudar na dor, mas usava Tylex, Tramal, fitoterápicos tidos como anti-inflamatórios – cloreto de magnésio e sucupira em cápsulas – e antidepressivos, não sabemos o que mais poderá ter usado junto… tentamos dissuadi-la de adquirir o CDB por conta própria alegando que era produto ilegal, acreditamos que ela nunca chegou a receber, se comprou… enfim, acreditamos que ela superdosou os opióides naqueles dias, pois estava com dores insuportáveis e ia na emergência aplicar morfina na veia.

“Em 1 ano foram quatro os casos de uso de opiáceos e morte só do meu conhecimento, nos grupos de midia que participo. Eu passo mal com os opiáceos, não me vai bem nunca. Prefiro ficar longe. Aliás, analgesia para mim era sempre deprimente, porque meu cérebro entendia que eu estava me enganando… a dor ia voltar, então eu precisava fazê-la não voltar e o caminho não era só atacando a dor…

Porto Alegre, verão de 2019″.

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Em um país com mais de 300 milhões de habitantes como os Estados Unidos chegou-se a perto de 60.000 mortes por overdose de opiáceos em 2018. O Brasil com mais de 200 milhões de habitantes pode estar com números também elevados, mas que não aparecem claramente nos atestados de óbito. Nosso país, é sabido, tem falhas gritantes na parte estatística, ainda mais nas questões de saúde.

O número de mortes por overdose em mulheres entre os 30 e 64 anos de idade cresceu de forma dramática entre 1999 e 2017 nos EUA:

– opióides sintéticos, aumento de 1.643%

– heroína 915%

– benzodiazepínicos 830%

– opióides com prescrição médica 485%

– cocaína 280%

– anti-depressivos 176%.

E por que é tão fácil chegar-se a uma overdose de opiáceos? Pelo fenômeno dito “taquifilaxia”, ou seja, o termo significa que para um mesmo efeito analgésico as doses devem ser cada vez maiores da droga. Em linguajar leigo, o corpo “vai se acostumando” a cada novo patamar de dose, e mais remédio é necessário, em menores intervalos de tempo, para obter-se o efeito inicial em doses pequenas. E então vem o para-efeito letal, a pessoa simplesmente pára de respirar.

De fato, a morte por overdose de opiáceos ocorre por inibição das funções que comandam o ato de respirar no cérebro. A pessoa simplesmente pára de respirar e não sente. O gás carbônico se acumula, o oxigênio se reduz no cérebro e a pessoa “apaga”. Até o coração cessar de bater é questão de minutos.

Conclusões

  1. A epidemia de overdose e mortes por opiáceos é real, você poderá ser a próxima vítima
  2. Converse com seu médico sobre alternativas aos opiáceos, encontre um médico em quem confiar
  3. Verifique se você está sendo tratado pelo especialista médico em sua doença, e não apenas por clínicos da dor ou charlatões prometendo tratamentos alternativos; no caso de doenças reumáticas e autoimunes seu especialista deve ser o reumatologista; troque de médicos se necessário
  4. Não entre em pânico com a dor, evite a automedicação e procure auxílio imediato; aumentar a dose de seus opiáceos por conta própria é um convite ao suicídio indesejado

Veja nas postagens seguintes quais os fatores de risco, como reconhecer e como tratar a crise aguda de overdose por opiáceos.

Referências

https://www.jwatch.org/fw114959/2019/01/11/drug-overdose-deaths-nearly-quadruple-among-women

https://www.jwatch.org/fw114907/2018/12/20/hhs-recommends-coprescribing-naloxone-with-opioids-high

https://www.reuters.com/article/us-usa-opioids-naloxone/fda-panel-votes-for-prescribing-naloxone-with-opioids-idUSKBN1OH2CA

https://www.cdc.gov/mmwr/volumes/68/wr/mm6801a1.htm?s_cid=mm6801a1_w

Initiating Opioid Agonist Treatment for Opioid Use Disorder in the Inpatient Setting. A. Raheemullah, A. Lembke. JAMA Intern Med, 2019. doi:10.1001/jamainternmed.2018.6749

https://www.drugabuse.gov/related-topics/trends-statistics/overdose-death-rates

JÁ TOMOU SUAS VITAMINAS E SUPLEMENTOS HOJE? (USOS E ABUSOS DE VITAMINAS E SUPLEMENTOS NA SOCIEDADE MODERNA)

Alguém já disse que a urina do americano médio é a mais rica do mundo. Pudera, com 68% dos adultos nos Estados Unidos utilizando suplementos regularmente, a maioria desnecessária, não absorvida pela mucosa do intestino ou simplesmente eliminados pelos rins, vão-se pelo ralo alguns bilhões de dólares anualmente.

Tipos de suplementos

Há quatro categorias de suplementos à venda no mundo ocidental:

1. Vitaminas e minerais (97% das pessoas nos EUA os usam)

2. Suplementos especiais (ômega-3/ácidos graxos)

3. Ervas e derivados botânicos (chá verde, garra do diabo)

4. Nutrição esportiva e controle de peso (20% das pessoas nos EUA).

Suplementos mais vendidos

E estes são os suplementos mais consumidos nos EUA nos últimos anos, segundo a agência independente Consumer Lab (www.consumerlab.org):

Óleo de peixe – reposição de ômega-3 se mostrou recentemente ineficaz para prevenir doenças do coração, mas compostos dentro destas cápsulas com ácidos graxos essenciais como DHA parecem proteger contra alguns tipos de câncer.

Multivitamínicos – milhares de pessoas foram seguidas por 5 a 10 anos nos EUA e Europa em estudos científicos rigorosos. Infelizmente nenhum grupo de doenças como do coração (hipertensão, infarto, derrame), diabetes, reumatismos, doenças autoimunes e câncer foi prevenido nos indivíduos que usaram complexos multivatimínicos como Centrum e outros, contra o grupo que usou placebo. A prevalência de todas as doenças foi a mesma nos dois grupos de estudo.

CoQ10 – o efeito de proteção cardiovascular parece ser mínimo com este produto, e nem mesmo o grupo de pessoas com problemas musculares como dores e cãimbras devido ao uso de estatinas tem melhoras dos sintomas com altas doses deste suplemento à base de coenzima Q10.

Vitaminas B, C, D – estas estão presentes na alimentação balanceada do dia-a-dia ou na exposição solar saudável

Magnésio – famoso composto em algumas partes do mundo para tratar reumatismos, se funcionasse os reumatologistas estariam com seus consultórios vazios. O contrário é observado. Há melhor absorção de cálcio em tratamentos para osteoporose se o magnésio é ingerido conjuntamente, mas o efeito é discreto

Cálcio – tomado de forma isolado não melhora a saúde dos ossos e nem trata osteoporose.

Probióticos – estes estão na moda, e de fato funcionam para evitar disbiose do microbioma intestinal, ou seja, mantêm a flora bacteriana em funcionamento normal dentro dos intestinos. As pesquisas estão em andamento, e pouco ainda se pode dizer com toda certeza da miríade de interações entre microbioma e doenças como obesidade, depressão, quadros inflamatórios intestinais auto-imunes e tantas outras.

Segundo pesquisa publicada pelo periódico médico JAMA em 2013, os americanos consomem suplementos para melhorar (45%) ou manter (33%) a saúde. Apenas 23% dos produtos utilizados estavam baseados em recomendação do médico ou profissional de saúde. Adultos em uso de suplementos também eram os que reportaram estar com excelente saúde, ter seguro saúde privado, usar álcool de forma moderada, não fumar e exercitar-se com frequência. Portanto, justamente as pessoas que mais usavam suplementos eram as que de fato não necessitavam deles! E este fato pode trazer conclusões equivocadas em qualquer estudo de causa e efeito, muitas vezes algo explorado em promoções inidôneas na Internet ou por profissionais da saúde com interesses financeiros excusos. As pessoas da pesquisa certamente tinham melhor saúde porque toda a sua vida estava orientada para hábitos os mais saudáveis possíveis, e não porque tomavam vitaminas e suplementos.

De fato, existe uma percepção entre a população mais esclarecida que, ao tomar uma vitamina ou suplemento, está se cumprindo o objetivo de repor nutrientes essenciais e assim melhorar a saúde. Baseados em inúmeras pesquisas sérias, experts honestos na área da nutrição concordam que não há evidência alguma que isto seja verdadeiro. De acordo com a Academia Americana de Médicos de Família, há indicações muito limitadas para se repor vitaminas: vegetarianos ou veganos em falta de vitamina B12 (a carne vermelha é a única fonte consistente desta vitamina), gravidez e lactação, e alguma outras situações raras de doenças.

É inequívoco: uma dieta saudável é a melhor alternativa para se obter nutrientes, e não o uso de suplementos na forma de pílulas.

O abuso dos esteróides

Esteróides anabolizantes são variantes do hormônio masculino testosterona produzidos por síntese industrial. O Instituto Nacional de Abuso de Drogas nos EUA estima que mais de meio milhão de estudantes da 8ª à 10ª série de ensino estejam utilizando esteróides em academias. Pelo menos 10% de estudantes no segundo grau relatam uso ilegal de esteróides. Estas drogas estão no chamado Schedule III da lei de controle de Esteróides Anabolizantes desde 1990, aquelas que “têm potencial moderado a baixo de levar a uma dependência psicológica ou física”. Mesmo assim o pré-hormônio DHEA é considerado oficialmente como suplemento alimentar e vendido livremente nas gôndolas de super-mercados como pílula da juventude.

Efeitos colaterais do uso de esteróide são variados, como puberdade precoce, lesões no fígado, acne difusa, perda de cabelo, doença dos rins, infarto do coração, irritablidade, conduta agressiva ou depressão e rico de suicídio.

Controle de peso

A projeção é que 42% da população adulta americana será obesa ou extremamente obesa em 2030, gerando um aumento dos gastos com saúde da ordem de 150% por indivíduo afetado (fonte: J Health Economics 31:219, 2012). A indústria das dietas nos EUA é multibilionária, a maior parte do dinheiro sendo gasto com produtos ineficazes. E por que suplementos para obesidade podem ser vendidos livremente? Porque não há necessidade de um suplemento ou vitamina passar por pesquisas clínicas rigorosas nem publicações científicas de relevância. Ou seja, não há necessidade do famoso “FDA-aprovado” como selo de qualidade. E basta acrescentar a seguinte frase na etiqueta do frasco para que o produto chegue à farmácia sem receita ou ao super-mercado: “Este produto não foi avaliado pelo FDA e não tem intento de diagnosticar, tratar, curar ou prevenir qualquer doença”. Mas na frente o rótulo pode conter qualquer coisa tipo “Para a saúde da próstata” ou “Apoio à saúde do coração”.  E quem é responsável pela segurança do produto? Apenas o fabricante, não o governo ou seus órgãos de controle e fiscalização. É claro que a batalha ente grupos de consumidores organizados e as indústrias de suplementos foi ganha pelos últimos.

O resultado disto é que aos 20 anos de idade, 20% das meninas americanas terão usado pílulas para emagrecimento. Com consequências muitas vezes trágicas, como após a epidemia de uso dos famosos compostos fen-fen. Estes, de forma insuspeita, levaram a lesões nas válvulas cardíacas de meninas, com insuficiência e progressão para morte inexorável – um efeito colateral até então desconhecido daquela classe de fármacos.

Esta é a frase original em inglês que você vê por lei nos rótulos de vitaminas e suplementos alimentares americanos:

“This statement has not been evaluated by the Food and Drug Administration. This product is not intended to diagnose, treat, cure, or prevent any disease.”

Quer ler mais sobre pílulas e dietas? Veja em http://www.obesityaction.org/educational-resources/resource-articles-2/general-articles/magic-pills-the-marketing-of-dietary-supplements-for-weight-loss.

Mas o que fazer?

No caso de pessoas normais, sem doenças crônicas, recomendamos o uso de:

– probióticos como lactobacilos nas suas diversas formas (leites fermentados, kefir, yogurtes)

– vitamina D com moderação apenas para os que estão pouco ao ar livre, apresentam fotossensibilidade ou vivem em maiores latitudes com invernos prolongados. Na dúvida peça para seu clínico dosar o composto 25-OH-vitamina D3 no sangue

– o componente DHA dos compostos com ômega-3, ácido graxo essencial que tem se mostrado protetor do surgimento de células cancerígenas; boa indicação também na gravidez junto com o ácido fólico, ajuda no desenvolvimento normal do feto e evita parto prematuro; e há melhora modesta de sintomas como perda de memória

– dieta balanceada com pratos multicoloridos, atividades físicas continuadas e convívio social com muitas alegrias.

Estamos atentos para este ramo do conhecimento médico e estaremos postando novidades quando importantes. Votos de vida longa sem custos maiores para seu bolso e sem sobrecarregar sua urina com multicompostos químicos.

Seus rins agradecem!