NOSSA EPIDEMIA PARTICULAR: BRASIL

Temos vários meses à frente para enfrentamento do SARS-CoV-2, que num país continental não pode ser com políticas uniformes. Veremos inúmeros experimentos sócio-sanitários à frente, distintos em cada região e cidade do país, de acordo com o surgimento de novos focos de casos, de acordo com os recursos locais de saúde e com fatores da população como frequência de idosos e doentes crônicos.

Achatar a curva para se ganhar tempo faz sentido em áreas do país com recursos hospitalares adequados, nosso lado Bélgica. SP aguentou bem a primeira onda dentro dos hospitais de ponta.

Já no lado Índia pode-se tentar achatar a curva o quanto quisermos que de nada ou muito pouco adiantará. Nestas áreas a linha que indica os recursos médico-hospitalares já está ao rés do chão mesmo, sucateada e com o SUS pedindo água há anos. Aqui não adianta querer “ganhar tempo”, porque desvios de recursos permanecem e as instalações são de quinta categoria, quando existem. Manaus e Belém parecem ser os melhores exemplos disto neste momento.

Já temos exemplo claro da falência do sistema com o protocolo sugerido por especialidades médicas para pontuação de candidatos a leito de CTI e respirador: em caso de empate “vale o julgamento da equipe médica”. Sim, veremos subir o número de suicídios dentre os profissionais de saúde também. Médicos não estão normalmente preparados para escolhas de Sofia.

Assim, minha predição é que teremos um pesadelo Darwiniano à frente, com um sem número de casos de seleção natural. Inexorável num país sem ideia de nação, sem união contra um inimigo comum e com grande dificuldade para despolitizar um simples vírus que se mata com água e sabão e se aniquila com distanciamento físico-social.

Vejo com boas razões e como tentativas de acertar as mais variadas postagens nas midias sociais. Abrir ou fechar, contenção horizontal ou vertical, vida ou economia. Os modelos de um ou outro lado nos falham, as ideias brilhantes nos faltam, o desconhecido amedronta e líderes estadistas estão em absoluta falta.

O Brasil é este mosaico e nosso lado Macunaíma nos abençoa e amaldiçoa.

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