Ir atrás dos recursos da chamada medicina alternativa é aconselhável para se evitar a morte por câncer?

Os dados são claros: usar métodos alternativos e evitar o tratamento convencional do câncer em estágio curável aumenta a mortalidade geral pela doença.

A questão.  Buscar soluções em todas as instâncias é a qualidade do ser humano que mais pode estar presente naqueles com diagnóstico de câncer. Mas quais são as características de pacientes que buscam medicina alternativa ou complementar, e qual a associação entre esta forma de medicina com aquela de adesão ao tratamento convencional e, principalmente, com a sobrevida?

Nos lembramos aqui da história de Steve Jobs, criador e idealizador dos produtos Apple. Seu feitio “natureba” fez com que não aceitasse tratamento cirúrgico convencional em uma fase em que seu câncear de pâncreas era perfeitamente curável. Preferiu se submeter a vários tratamentos alternativos, vindo a falecer precocemente com metástases generalizadas. Sua biografia é leitura recomendada neste particular (Steve Jobs. Walter Isaacson, Simon & Schuster, 2011).

Um grupo de pesquisadores de Yale nos Estados Unidos publicou em dezembro de 2018 os importantes resultados elucidando a questão do tratamento por medicina alternativa versus medicina tradicional no tratamento de câncer considerado em fase curável.

Os achados.  Exatos 1.901.815 pacientes foram estudados de forma retrospectiva. Os diagnósticos foram de câncer não metastático de mama, cólon e reto, próstata e pulmão. O uso de medicina alternativa ou complementar esteve associado à recusa de manter tratamento convencional, com duas vezes maior risco de morte quando este grupo foi comparado ao de pacientes que não usaram medicina alternativa ou complementar.

O significado.  Pacientes que receberam medicina alternativa ou complementar foram os que mais se recusaram a receber outras formas de tratamento convencional (hormonioterapia, quimioterapia, cirurgia ou radioterapia) e tiveram maior risco de morrer que aqueles que não utilizaram medicina alternativa. Assim, os autores não estão apontando para a medicina alternativa como causa da morte, mas sim que as pessoas que adotaram esta prática acabaram abandonando a medicina convencional, e este foi o fator que as levou à morte. Os achados são importantes porque os cerca de 2 milhões de indivíduos estudados tinham câncer em estágio curável.

Conclusões. Os autores concluem que os pacientes que se submeteram a tratamentos alternativos foram mais propensos a refutar tratamento por medicina tradicional, e tiveram maior risco de óbito. Os resultados sugerem que o risco de mortalidade associado a métodos alternativos de tratamento do câncer está mediado pela recusa de receber tratamentos convencionais como cirurgia ou quimioterapia. Assim, a mensagem é clara: entregue-se, se for sua convicção, a tratamentos alternativos que comprovadamente não lhe façam mal, mas não deixe de fazer o tratamento recomendado pelo médico oncologista.

Referência

Johnson SB, Park HS, Gross CP, Yu JB. Complementary Medicine, Refusal of Conventional Cancer Therapy, and Survival Among Patients With Curable Cancers. JAMA Oncol. 2018;4:1375.

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