Ingerir álcool durante uso de MTX (metotrexato) aumenta o risco de dano ao fígado?

Artigo recente no Annals of the Rheumatic Diseases (Abril 7, 2017) Original Article, escrito por Jenny H Humphreys, Alexander Warner, Ruth Costello, William G Dixon e Mark Lunt, nos dá conta que a situação é relativa quanto à toxicidade ao fígado pelo consumo de MTX e álcool.

Consumo de baixas quantidades de álcool não parecem afetar o fígado, porém o risco de aumentar as transaminases, enzimas hepáticas que orientam o clínico quanto ao risco de haver inflamação tóxica, é maior com quantidades cada vez maiores de álcool.

Em minha experiência, o aumento das transaminases ocorre mesmo sem consumo concomitante de álcool, isto em pessoas mais sensíveis ao MTX. Na outra ponta do espectro há aquele raro paciente que continua bebendo pelo menos meia garrafa de vinho diariamente, sem qualquer para-efeito com o MTX. Pior, muitas vezes este dado é escondido convenientemente do médico.

De qualquer forma, sempre oriento os pacientes sobre os riscos da ingestão de álcool enquanto utilizando MTX e/ou leflunomida (Arava). Praticamente todos recebem suplementação de ácido fólico (semanal ou às vezes até diária, como “antídoto” de possíveis para-efeitos do MTX) e checo resultados dos exames laboratoriais periodicamente. Uma elevação de transaminases até 2 vezes o limite superior da normalidade (leia os valores de referência de seu laboratório abaixo do resultado de cada teste) pode ser ainda aceitável. Três vezes ou mais, deve-se cessar a medicação e consultar o médico.

Abaixo o abstract original.

“Background

Patients with rheumatoid arthritis (RA) who take methotrexate (MTX) are advised to limit their alcohol intake due to potential combined hepatotoxicity. However, data are limited to support this. The aim of this study was to quantify the risk of developing abnormal liver blood tests at different levels of alcohol consumption, using routinely collected data from primary care.

Methods

Patients with RA in the Clinical Practice Research Datalink starting MTX between 1987 and 2016 were included. Hepatotoxicity was defined as transaminitis: alanine transaminase or aspartate aminotransferase more than three times the upper limit of normal. Crude rates of transaminitis were calculated per 1000 person-years, categorised by weekly alcohol consumption in units. Cox proportional hazard models tested the association between alcohol consumption and transaminitis univariately, then age and gender adjusted.

Results

11 839 patients were included, with 530 episodes of transaminitis occurring in 47 090 person-years follow-up. Increased weekly alcohol consumption as a continuous variable was associated with increased risk of transaminitis, adjusted HR (95% CI) per unit consumed 1.01 (1.00 to 1.02); consuming between 15 and 21 units was associated with a possible increased risk of hepatotoxicity, while drinking >21 units per week significantly increased rates of transaminitis, adjusted HR (95% CI) 1.85 (1.17 to 2.93).

Conclusions

Weekly alcohol consumption of <14 units per week does not appear to be associated with an increased risk of transaminitis.”

(Gravura original de https://www.doximity.com/doc_news/v2/entries/7163790)

 

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